Tudo Sobre Nada

Deitem-lhe Fogo!

Parece que a AOL vai lançar brevemente uma nova versão do Netscape, baseada no Firefox, incluíndo a possibilidade de usar o motor do IE em vez do Gecko.

Eu preferia que a AOL tivesse acabado mesmo com a marca Netscape, já que as versões anteriores só serviram para dar má imagem do Mozilla (usando sempre versões instáveis deste como base) e eternizar o completamente absurdo «Optimizado para IE e Netscape» que há anos impede as pessoas de reconhecer a marca Mozilla.

A marca Netscape está morta e enterrada, soa a derrota nos ouvidos dos utilizadores[1] e agora com a possibilidade de usar o motor do IE, vai também ficar associada a falhas de segurança e propagação de spyware.

Eu acho que todas as formas de propagar o Firefox são boas, e concordo que a AOL distribua uma versão customizada, mas por favor não usem a marca Netscape...

E já agora, meter o IE neste saco só vai eternizar a web IE-only... As vantagens do Firefox não estão apenas no tab browsing nem nas extensões, estão também no suporte a standards e na segurança!

[1] E a lentidão e instabilidade nos ouvidos dos que o usaram em Linux. Tanto crash por "Bus Error" que eu vi no Netscape 3 e 4. Além de que o motor daquilo era mauzinho, não admira que a Microsoft tenha ganho.

Caramba!

Já temos um monte de sites que não funcionam correctamente com o Firefox na Lista Negra de Sites Portugueses, mas até agora apenas 1 ou 2 corrigiram os problemas que lhes relatámos.

Isto é bem exemplificativo do que eu dizia no outro dia, que o grosso dos web developers em Portugal não têm profissionalismo nem competência.

É que alguns dos sites listados têm problemas de resolução muito simples, que não demoraria mais de 2 minutos...

Outro pormenor engraçado é a falta de respeito pelas sugestões. É mais fácil encontrar um trevo de quatro folhas do que receber uma resposta (positiva ou negativa).

Wikipedia-dependente

A wikipedia é talvez o projecto web mais interessante inventado até hoje. E é interessante por, no mínimo, duas razões.

A primeira prende-se com o facto de ser um projecto completamente aberto. É o opensource levado ao extremo, pois não tem praticamente nenhum controlo. Qualquer um é livre de contaminar a informação, mas também qualquer um é livre de a corrigir.
Esta particularidade incute em alguns o receio de que as pessoas se fiem demasiado em informação que pode estar errada (acidentalmente ou propositadamente), mas até hoje não foram capazes de apontar uma instância em que isso tenha ocorrido. Apesar das suspeitas, o modelo colaborativo parece estar a resultar em estilo.

Em segundo lugar, o facto dos artigos serem escritos sem regras formais leva a que a wikipedia se torne muito viciante, dada a fluídez dos artigos e a forma como se ligam uns aos outros.

Muitas vezes eu vou lá procurar alguma coisa específica e acabo por ficar montes de tempo a navegar de tema em tema. Ainda hoje fui lá para poder corroborar a minha explicação sobre o funcionamento do ADSL num comentário no Gildot, e acabei a ler montes de coisas sobre as redes de cabo.

Sabiam que o downstream de tráfego (Internet) numa rede por cabo são pacotes IP dentro de pacotes MPEG?

Yay!!

Acabei de gerar um belo de um pacote português para o Firefox 1.0 e a tradução parece estar com bom aspecto. Mas detectei logo uns quatro bugs óbvios, entre os quais o facto do conteúdo da ajuda estar desaparecido... Mas isso resolve-se. Pacotes disponíveis ao público assim que eu me livrar destes bugs.

Actualização: o pacote já pode ser encontrado aqui.

Massajar o Ego

Pois é, aqui o vosso blogger favorito deu uma entrevista ao Bits & Bytes que aparecerá amanhã no Jornal de Notícias e no 24 Horas. Os temas são a tradução do Firefox para português e o Linux.



Isto apesar de a tradução para o Firefox 1.0 ainda não estar disponível...

Já está terminada, mas estou à espera que o pessoal da Mozilla Foundation me coloque a tradução no CVS e comece a gerar builds completas em português para eu poder testar e limar algumas arestas, e após isso aprovar para haver uma versão oficial disponível directamente no site do Mozilla. Isto se ainda for possível adicionar um novo idioma à lista de versões localizadas do Firefox 1.0... julgo que sim.

Em qualquer dos casos, e até porque já estou há uma semana à espera de resposta, vou ver se trato de produzir uns pacotes instaláveis ao estilo da versão 0.9.3 para a malta poder experimentar, agora que descobri um script para fazer isto (e assim evitei passar o fim-de-semana a torrar os meus neurónios para fazer um). Espero que funcione (crosses fingers), senão vou ter de o massajar.

Mais um Acerca da Sun...

Sei que ultimamente tenho feito muitas referências à Sun[1], e aqui vai mais uma...

Eles parecem estar todos excitados com o iminente lançamento do Open Solaris, e de como isso vai ser um prego no caixão do Linux (ou um "pionés"). A excitação é tal, que agora até já querem apontar o Solaris para o mercado dos dispositivos embebidos, onde o Linux está a ganhar uma presença importante.

Não é que não o possam fazer, mas acham mesmo que uma coisa como o Solaris vai ser popular neste mercado? Ainda por cima olhem-me para estas afirmações ridículas:

"I would hesitate to take our default configuration below 64M of RAM(...) You can run a minimalist configuration in 32M, but if you want NFS, IPSec, etc., you should add more memory.(...) If disk is available for swap space, less RAM will be needed. Solaris 10 has a new service management framework that makes disabling unneeded services much easier," Weinberg said. "Adding more RAM removes the need for swap space on disks and will improve performance".


Estes tipos por acaso saberão o que é um dispositivo embebido?! Tudo isto para fugirem do Linux...

O Solaris até é bem vindo à comunidade opensource, mas duvido que a Sun vá fazer as coisas da maneira correcta e não transformar aquilo num projecto onde para fazer modificações se tenha de pedir de joelhos. Sendo assim, vai ser um rotundo fracasso e comerei o meu chapéu (ou comeria, se usasse) se tal não acontecer...

[1] Podem considerar-se com sorte por este blog ter começado já com o caso SCO a perder gás. :)

Veio Para Ficar!

O movimento opensource é imparável. Primeiro conquistou a aprovação dos programadores, depois chamou a atenção dos power users e actualmente, com o Linux, avança a todo o vapor pelo mercado de servidores e dispositivos embebidos.

Mas não pára por aqui, e mesmo estando o Linux ainda muito longe de entrar em força no desktop, o movimento opensource já começa a dar cartas nesta área.
O MacOS X tem por base muito código opensource, mas mesmo na plataforma dominante, o Windows, alguns projectos, como o Firefox, começam a chegar às massas. Mas não é tudo, existem alguns projectos mais pequenos (em termos de mindshare) que gozam já de alguma popularidade, como o Azureus ou o Thunderbird.

E se acrescentarmos à equação alguns grupos de programadores muito reticentes, ou de alguma forma impedidos de deixar a plataforma Windows (mesmo quando estão a desenvolver software para ser colocado a correr em servidores Linux), temos no Eclipse um projecto de peso, que está a criar à sua volta uma enorme comunidade[1].

Sem dúvida o modelo opensource resulta e veio para ficar!

[1] É que o Eclipse não é apenas um IDE para Java, é uma plataforma. Pode também ser um IDE para C/C++ e muito mais. Vale a pena experimentar.

Porquê?

No seguimento do meu último artigo...

Desenvolver software não é apenas uma questão de se ser bom engenheiro[1] e/ou bom programador, também é necessário ter uma boa equipa de QA. E é aqui que eu julgo estar o problema do Linux no desktop.

Nível "Servidor"

Nos primeiros tempos do movimento opensource, talvez se pudesse argumentar que o software de nível servidor era mais robusto por ser mais simples de testar e mais determinista na sua utilização, mas hoje em dia esse argumento já não pega na maioria dos casos, pois projectos como o Apache, Apache Tomcat, MySQL, PostgreSQL e suas interacções com Python, PHP, PERL, etc. tornam-nos em algo de elevada complexidade em termos de base de código, mas também em termos de interacções. No entanto continuam a ser robustos, sem deixarem de incorporar novas funcionalidades.
O que acontece é que este tipo de software se tornou bastante popular, e é usado todos os dias, 24h por dia em centenas de milhar de instalações em todo o mundo com centenas de milhões de utilizadores, e as empresas que fornecem serviços ou produtos baseados nestes projectos, acabam por fazer o trabalho de QA, detectando falhas, notificando os developers de uma forma estruturada, ou participando na correcção dos problemas, caso tenham developers próprios.

Nível "Embedded"

O nível dos dispositivos embebidos pode ser racionalizado da mesma forma que o nível servidor. Se empresas como a MontaVista não tivessem o cuidado de garantir a qualidade dos seus produtos, hoje não existiriam centrais GSM ou equipamento de comunicações a correr Linux (algo que obriga a uma fiabilidade e robustez acima da média).

Nível "Desktop"

No nível desktop isto já não acontece. Ainda são poucas as empresas que fornecem serviços ou produtos orientados para o desktop baseados em Linux. Sendo assim, o QA organizado é também reduzido, pois a maioria dos utilizadores faz bug reports sem se preocupar em tentar dissecar o problema até ao máximo das suas possibilidades, e não há gente suficiente dedicada apenas a esta tarefa. Se juntarmos a isto o ritmo extremamente rápido de desenvolvimento das aplicações, não podemos esperar milagres. Acrecentam-se funcionalidades em cima de funcionalidades sem se corrigirem todos os bugs, o que é o inverso do que ocorre no nível servidor ou embebido.

Mudança Precisa-se

Eu diria que isto tem de mudar, os GNOMEs e KDEs que andam por aí têm de mudar para um processo mais iterativo e gradual, onde a adição de novas funcionalidades ocorre ao mesmo ritmo a que se corrigem bugs. Se isto significar um avanço mais lento, então que seja, não serve de nada um ambiente cheio de funcionalidades que funcionam mal ou erraticamente. Pouca funcionalidade e poucos bugs é mau, mas muita funcionalidade e muitos bugs é capaz de ser pior. É imperativo encontrar um meio termo, porque a manter-se o panorama actual, estamos a caminhar a grande velocidade para o descrédito e a ruína.

Podemos tomar como exemplo as distribuições "mainstream". O ritmo de lançamento é demasiado acelerado, e com demasiados saltos entre versões. Devia haver apenas um lançamento por ano, com bug fixes e updates de funcionalidade graduais entretanto.
O que acontece hoje, é que uma nova versão é lançada e imediatamente passa para o fundo da lista das prioridades, com a correcção dos problemas a ser adiada para a próxima versão, altura em que se descobrem novos problemas e assim por diante...

Para finalizar, porque é que a seguir a um GNOME 2.6.0 vem um 2.6.1 com meia dúzia de bug fixes e depois saltam logo para um 2.8.0 com montes de alterações internas (o eterno rewrite from scratch) e novas funcionalidades? Porque não lançar um 2.6.2 com bug fixes e pequenas funcionalidades novas, e depois um 2.6.3 e apenas saltar para um 2.8.0 quanto fosse realmente necessário fazer alguma alteração radical?...

Pensem nisto...

[1] No verdadeiro sentido da palavra, um tipo com competência, conhecimentos e engenho, e não o título a que só têm direito os que pagam as quotas da Ordem dos Engenheiros (organização com a qual não concordo - do ponto de vista da Engenharia Informática - mas as razões ficam para outro dia), mesmo que tenham uma licenciatura em Engenharia acreditada pela própria Ordem...

Linux != Desktop

Já tenho os CDs do Fedora Core 3 desde o dia em que foi lançado, mas só hoje o instalei na minha máquina. Nestas duas últimas semanas ainda não tinha tido tempo para o fazer, mas hoje tirei o dia para isso.
Estas instalações são sempre uma aventura, porque eu gosto de instalar tudo de raíz e depois passar algumas configurações específicas da instalação anterior para a nova (eu copio a anterior para outra partição). Dá algum trabalho, mas eu já estou habituado.

O que me incomoda nestas instalações é a expectativa. Não a expectativa do que há de novo mas sim a expectativa acerca dos bugs novos e irritantes que vou encontrar.
Desta vez dei com um logo no primeiro boot, o grub pendurava no "Loading stage 2". Boa... Lá tive eu de arrancar para o Fedora 2 com uma disquete e instalar o grub dele. Depois lá consegui arrancar o Fedora 3 e tentar instalar o grub de novo com o método tradicional:

grub> root (hd0,5)
grub> setup (hd0)

Não resultou... Mas depois de bater muito com a cabeça lá descobri que isto só ia resultar correndo o "grub-install", porque parece que o instalador do Fedora criou um "device.map" marado.

Por esta altura já eu estava a deitar fumo pelas orelhas, quando descubro que o Metacity (aparentemente) tem um problema com o foco das janelas e muitas das vezes em que as tento arrastar não acontece nada. Ou, por outro lado, acontece, o evento de arrasto cai mesmo em cima da aplicação (no gnome-terminal isto nota-se, o texto fica seleccionado). Arrggh!!!

Já aqui o disse e repito: o Linux não está nem perto de estar preparado para o desktop[1]. É que não é só o Fedora, são todas as distribuições que já experimentei (cada uma com os seus bugs). Se não fosse eu ser um gajo técnico que prefere o feel do Linux, já tinha voltado para o Windows...

[1] Antes que alguém fique de boca aberta, eu continuo a achar que o Linux é perfeito para o servidor, para as workstations e para uma diversidade de outras aplicações, mas não para o desktop mainstream.

Nas Nuvens

Quando o Linus Torvalds começou a desenvolver o Linux, de certeza que não imaginava que o seu projecto viesse um dia a correr numa máquina com 512 processadores, e muito menos que viesse a correr num cluster com 20 dessas máquinas.
Estou a falar do supercomputador "Columbia", montado para a NASA (Advanced Supercomputing Division) pela SGI. São 20 nós Altix, cada um a correr uma única instância de Linux em 512 processadores Itanium 2 (num total de 10.240 processadores), aliados a 440 terabytes de storage:



É muita fruta...

São os Formatos, Estúpido!

A Microsoft tem o desktop completamente controlado, e nem o Linux vai conseguir fazer-lhes alguma mossa visível nos próximos anos.
Esse controlo baseia-se no Windows e no Office, portanto é aqui que a concorrência deve centrar esforços. Mas ao contrário do que muita gente pensa, a Microsoft pode manter a dominância e ao mesmo tempo tornar-se domesticável, senão vejamos...

Windows

Durante anos a Microsoft seguiu - e ainda segue - uma política de embrace, extend & extinguish em relação aos standards, e isto tem condicionado fortemente a escolha dos consumidores, erradicando a concorrência. Esta estratégia tem sido seguida com vista a garantir a manutenção do domínio do Windows e também usá-lo como forma de dominar o mercado de servidores.

Podemos tomar como exemplo o Internet Explorer, cuja interpretação "imaginativa" dos standards (CSS, Javascript modificado) torna fácil cair na ratoeira do desenvolvimento de sites IE-only. Uma vez que o IE só existe em Windows[1], isto impede os consumidores de optarem por outra plataforma.

No servidor, podemos observar o caso do Active Directory, que é fundamentalmente a conjunção de um serviço LDAP com autenticação baseada em Kerberos 5, mas com diferenças suficientes para tornar a interoperabilidade com produtos concorrentes algo de bastante difícil. No entender da Microsoft, isto colocaria o Windows Server como solução natural e incontornável para servidores de redes Windows. Isto resultou, praticamente erradicando as soluções concorrentes, por exemplo, da Novell.
Só com o advento do Samba é que o panorama começou a mudar, com servidores Linux a tomarem lugar como servidores de ficheiros, impressão, e em alguns casos até autenticação completa, em redes Windows. Mas o Samba tem o handicap de ser desenvolvido à custa de reverse-engineering dos protocolos da Microsoft.

Em ambos os casos acima, não é necessário retirar a dominância à Microsoft, mas apenas criar "massa crítica" na concorrência.

No caso das violações dos standards web, basta colocar o Firefox numa posição minoritária, mas suficientemente grande para obrigar os web developers a seguirem os standards e a garantirem que os seus sites também funcionam nele.

No caso do Active Directory, basta que a interoperabilidade se torne absolutamente necessária. Por exemplo, já hoje se começam a ver appliances para servir ficheiros, impressão, ou funcionar como proxy[2], que se integram em redes Windows, baseando-se em Linux + Samba. Se estas appliances se tornarem populares, a Microsoft terá de as ter em consideração sempre que pensar em quebrar os protocolos existentes.
É claro que a Microsoft poderia tentar impôr o Windows nessas appliances, mas teria de convencer os fabricantes a desistir do controlo, flexibilidade e potencial de redução de custos que o Linux lhes oferece.

Office

Os formatos do Office têm-se tornado cada vez mais incontornáveis, sendo usados, na maior parte dos casos, em situações onde um formato mais aberto e interoperável, como o PDF[3], seria preferível.
Isto é pernicioso, não só porque força os consumidores a optarem pelo Office, como coloca muitos dados nas mãos da Microsoft. No futuro, muitos ficheiros poderão deixar de poder ser lidos, por não haver uma versão do Office capaz de o fazer que corra em hardware da altura, e por o formato ser completamente fechado[4].

Existe alguma consciência deste facto em alguns círculos. Nomeadamente na administração pública de alguns países, que estão a começar a dar preferência a soluções mais abertas. A União Europeia fez recentemente algumas recomendações nesse sentido, que incluíam o formato XML do OpenOffice.

Os formatos proprietários do Office também têm permitido à Microsoft ganhar terreno no mercado dos PDA e SmartPhones. Neste último mercado ainda é o Symbian a dar as cartas, e a Nokia, que domina este mercado (e detém a maioria da empresa), não tem nenhum telemóvel com Windows SmartPhone, portanto não se prevê que isto mude proximamente.
Mas a convergência entre os PDA e os SmartPhones está a acelerar, e a situação pode mudar rapidamente, uma vez que não existem aplicações com compatibilidade suficiente com os formatos do Office para Symbian (que eu saiba).

Na última versão do Office já existe um formato baseado em XML, mas que incluí muitas blobs binárias proprietárias lá dentro[5]. Se a Microsoft fosse obrigada a tornar públicas as especificações deste formato e dos anteriores, tornar-se-ia vunerável, e perderia a capacidade de se impôr pela força noutros mercados.

Conclusão

Será muito difícil retirar a dominância à Microsoft, mas se lhe retirássemos o poder de definir pseudo-standards e formatos proprietários, tornar-se-ia um elemento responsável do ecossistema informático mundial (ainda que dominante), e não o elemento patológico que é actualmente.

[1] O Internet Explorer para Mac é completamente distinto da versão para Windows, tem comportamentos diferentes em muitos casos, e foi já descontinuado pela Microsoft.

[2] Quem tem umas appliances engraçadas é a Caixa Mágica, em particular o ProLook.

[3] O mais curioso é que há muita gente que ainda pensa que para gerar PDFs é necessário comprar o Adobe Acrobat Writer, quando existem soluções gratuitas e perfeitamente capazes em 99% dos casos, como o PDF995 ou o Cute PDF Writer.

[4] Os formatos do Office até ao Office XP têm até outra particularidade interessante, são basicamente as estruturas do programa despejadas para um ficheiro no disco. Isto não só torna a sua leitura por outros programas em algo extremamente difícil (até para as versões do Office para Mac), como é também algo de impensável do ponto de vista da engenharia de software.

[5] Por oposição ao OpenOffice, cujo formato é simplesmente um ficheiro zip com os objectos e um XML, que está completamente definido.

Olhem, Olhem

Não sei porquê, mas ando constantemente a mudar a aparência do meu desktop. Hoje fartei-me outra vez do que tinha, e este é o resultado. Não é nada de espampanante, but I like it that way:



Será?

Hoje, nas minhas andanças pela net, dei com este mapa muito engraçado [fonte]:



CSS - "px" vs. "pt"

Estive hoje a fazer alguma documentação em HTML para o DQ, e para definir o estilo visual estou a usar CSS. Não era nada de especial, mas queria que aquilo aparecesse da mesma forma no Internet Explorer e no Firefox, mas as fontes teimavam em aparecer de tamanhos diferentes...

A solução foi simples, e acho que devia ser tomada em consideração por todos aqueles que desenvolvem sites usando CSS[1]:

h3 {

font-size: 11pt;
font-weight: bold;
}

O código acima aparece igual no IE e no Firefox, mas o código abaixo não:

h3 {

font-size: 11px;
font-weight: bold;
}

Os browsers interpretam os tamanhos de fontes indicados em "px" de forma diferente. Por outro lado, os tamanhos em "pt" são interpretados da mesma forma (dentro do possível). Portanto, usar "pt" em lugar de "px" (com os devidos ajustes do valor).

[1] Eu sei que muita gente sabe isto, mas acho que outros tantos o ignoram completamente.

(Un)Natural Language

Em certos círculos dentro da infomática, cultiva-se a obsessão pela língua natural. A ideia de que a programação se deveria aproximar o mais possível da forma como falamos, ou da forma como os não-programadores se expressam. Ora a isto eu digo o mesmo que à ideia da programação visual[1] sem escrever código: "estupidez" e "nunca vai acontecer".

É simples, programar é lidar com abstracções, e as abstracções não combinam com a língua natural. É o mesmo que se passa na Matemática, Física ou Química, onde muito se poderia expressar em língua natural, mas onde existe há séculos (literalmente) uma linguagem própria, especializada, adequada para lidar com as abstracções de cada área.

Das linguagens populares, a que mais se aproxima da língua natural talvez seja o Pascal, e há muitos anos que não gosto daquilo. A linguagem em si não é má, mas é pouco simbólica e chata. Não tenho paciência para andar sempre a escrever "p-r-o-c-e-d-u-r-e" ou "f-u-n-c-t-i-o-n" ou "b-e-g-i-n ... e-n-d". Os meus dedos não merecem essa tortura.

Atenção que também não estou a apregoar nada do estilo do APL... Valha-nos Deus...!

Para terminar, olhem bem com atenção para este exemplo de AppleScript, e digam-me se a verbosidade e a "naturalidade" é desejável.

[1] Isto é algo que vem à baila recorrentemente, mas que só parece conseguir enganar os tolos ou os manager types que não percebem patavina de programação e ao mesmo tempo pensam que até uns macacos conseguiam programar.

Ubuntu

Há uns tempos escrevi aqui acerca do meu problema com o número de distribuições de Linux que andam por aí, e de como o excesso de oferta pode ser contra-producente na adopção do Linux em determinadas áreas.

Nessa altura referi o Ubuntu. Hoje decidi experimentá-lo (estou a utilizá-lo neste momento), para ver se merecia o hype que tem tido nas últimas semanas, e achei interessante. A sua principal vantagem parece ser a simplicidade, trazendo poucos extras mas não deixando de fora o essencial.

Talvez a simplicidade seja aquilo que é necessário para levar o Linux ao desktop, deixando as distribuições mais pesadas (Debian, SuSE e Red Hat/Fedora - já sabem como é, eu sou a favor da escolha, não da abundância) para as workstations e servidores, a ver vamos.

Mas não é tudo perfeito, detectei alguns problemas... Tentar ver um XviD só fazia rebentar o Totem (não ter os codecs é uma coisa, rebentar é outra), e tentar abrir um MP3 com o Rhythmbox só dava erros, por exemplo. Mas é preciso ter em conta que ainda está no início, e é a versão LiveCD. Talvez se tivesse instalado a versão "normal" (que também tenho aqui) estes problemas não tivessem ocorrido ou pudessem ser contornados recorrendo ao Synaptic para instalar actualizações ou adicionar software alternativo.

Enfim, a impressão que fica é boa, no mínimo pelo potencial.

Sempre a Mesma Tropa

Tenho andado de volta da localização do Firefox nos últimos dias, experimentando um novo método de tradução, já que o Mozilla Translator continua pifado (quem o mantinha deve ter-se fartado desta história toda). É um método basicamente manual, apenas com a ajuda das PO tools.

Sinto-me como se estivesse a tentar atravessar uma auto-estrada de olhos vendados. Não faço a mínima ideia se vou chegar vivo ao outro lado, mas continuo a seguir em frente, pode ser que resulte e não tenha estado simplesmente a perder o meu tempo.

Da parte da Mozilla Foundation não há a mínima sensibilidade para o processo de localização. Usam um esquema manhoso para as traduções, retiram o controlo às equipas (com a questão das trademarks e a mudança precipitada para o CVS) e não fazem nada para facilitar a vida aos localizadores, nem sequer nos pedem opinião nas mudanças que nos afectam. Mudam e apresentam o facto consumado. E já lá vem outra alteração radical... no suprise here.

Enfim...

A Sun continua a pensar que o Open Solaris vai contribuir para travar o avanço do Linux e consequente erosão do seu modelo proprietário. Devem andar a fumar drogas, ainda por cima agora que se sabe que o Open Solaris vai ser apenas um Solaris mutilado. A comunidade vai simplesmente ignorar a sua existência, escrevam as minhas palavras.
Para juntar à festa, continuam na cama com a Microsoft e a atirar farpas para a Red Hat. Hão-de arranjar muitos amigos... Reparem só no que o Scott McNealy diz neste artigo:

He talked about the Java Community Process (JCP), a program that gets developers involved in creating Java’s specifications. McNealy said the JCP would gladly accept Microsoft’s participation if the software giant were interested. Asked if Sun would also like Red Hat to join the JCP, McNealy based his answer on a scale of interest. “What’s the number for who cares?”

Interoperabilidade segundo a 3Com

Se há área onde a interoperabilidade e o cumprimento de standards é incontornável, é a área das redes. Em particular do equipamento para redes Ethernet, dado o enorme número de fabricantes a produzir produtos deste tipo.
No entanto, a noção de interoperabilidade nos switches da 3Com é muito curiosa. Na rede propriamente dita, são interoperáveis, como não podia deixar de ser, mas quando falamos das interfaces de administração a coisa muda de figura...



Existem três formas de administrar este equipamento, à semelhança de muitos outros equipamentos do género:

  1. Através da consola série (todos eles têm uma porta série para este fim);
  2. Por telnet, onde se pode aceder a uma interface semelhante à da consola série;
  3. Através de uma interface web.

O grande problema destes switches é que tanto a consola série como a interface via telnet são uma chatisse. Ao invés de fornecerem uma linha de comando, como o Cisco IOS faz, têm uma espécie de interface de menus em modo texto. Cada "menu" tem uma série de itens e a navegação faz-se escrevendo o nome do item (ou um prefixo não-ambíguo deste). É mais fácil inicialmente, mas depois torna-se muito chato (especialmente numa rede como a do DQ, com quase 40 switches).
Portanto, muitas vezes acabamos por recorrer à interface web. Umas vezes para fazer alguma tarefa mais rapidamente, outras porque na interface web temos um belo diagrama das portas do switch e algumas operações sobre estas se tornam mais simples.

Ora aqui chegamos ao que me referia inicialmente... Com o firmware original, a interface web só funciona no Internet Explorer.
Recentemente fizémos uma actualização de firmware a todos os switches e o Firefox/Mozilla e Opera passaram a ser suportados, mas apenas em Windows! Em Linux não funciona, apenas aparece o banner no topo da página e mais nada... Curiosamente o código Javascript daquilo tem mesmo um "if" para apenas funcionar em Win32.
Tentámos enganá-lo usando uma extensão para o Mozilla, para mudar o user-agent, mas realmente não funcionou...

Que espécie de porcaria de fabricante de equipamento de rede faz uma interface web de administração que só funciona em Windows!?

Um Nome de M*rd*

Dar nomes a software nunca foi o forte da comunidade opensource. Basta dar uma vista de olhos pelo freshmeat.net para chegar rapidamente a essa conclusão. No entanto ainda ficarão surpreendidos quando derem com uma biblioteca que permite ver imagens em modo texto, a libcaca.
Sim, é o tipo de caca que estão a pensar, ora observem o logotipo do projecto:



Parabéns para eles, vai ser difícil algum projecto conseguir ter um nome mais obtuso que este...

Porcaria de IE

Como alguns de vocês devem ter reparado, o meu blog tem aparecido todo esfrangalhado no Internet Explorer. Algo que eu só descobri agora, dado que nunca uso o IE.
O problema tinha a ver com o artigo acerca do SANE, que tinha um parágrafo todo numa única linha.

O código HTML tinha algo deste género:

<pre>
bla bla

</pre>yada yada yada

O Firefox e o Opera (pelo menos) interpretavam isto correctamente, o "yada yada yada" estava já fora do bloco pré-formatado e devia ser tratado como um parágrafo normal. O IE achava que devia tratá-lo como um paragrafo normal só no estilo do texto, e não no seu alinhamento. Grrrr!
Alterando para a forma seguinte, o problema desapareceu:

<pre>
bla bla
</pre>
yada yada yada

Just for the record, o Firefox processa esta página em modo Standards Compliance, e não em modo Quirks.

Butt-wiping HOWTO

No LinuxToday está um artigo engraçado onde o autor faz um apelo para mais e melhor documentação relacionada com software opensource. É uma leitura interessante, mas o que realmente achei mais engraçado foi este excerto:

«This is not to say that documentation from proprietary sources is any better. Those manuals mostly explain the obvious and their troubleshooting sections blame the user for nearly all problems.»

Qualquer pessoa, ao ler isto, imediatamente vê aqui uma verdade de La Palisse. Quem é que nunca procurou ajuda na documentação de um qualquer software proprietário, ou peça de hardware, e ficou com a sensação de que todo aquele papel nem sequer servia para limpar o rabo?

Lista Negra no Tek Sapo

Na quarta-feira apareceu um artigo no Tek Sapo acerca do Projecto de Localização do Mozilla para Português, focado principalmente na nossa Lista Negra de Sites Portugueses.

Só é pena a screenshot que lá colocaram ser do Internet Explorer...

Tudo na Mesma

Saiu hoje o Thunderbird 0.9, no seguimento do Firefox 1.0rc1 de há alguns dias, mas infelizmente parece que não corrigiram nenhum dos bugs de que falava no outro dia.

Parece que o fix para o problema das cores dos menus já está no trunk, mas não o aplicam ao branch do 1.0 porque é demasiado arriscado... Sinceramente...

E ainda por cima, a versão 1.0 (do Thunderbird) aproxima-se, e aquilo ainda não tem um instalador em Linux. Se por um lado eu prefiro RPMs, acho que se eles lançam aquilo numa tarball binária, deviam ter um instalador, como têm para Windows, e como o Firefox tem há séculos. Mas, como de costume, o Linux é um afterthought.

Irritante!