Tudo Sobre Nada

Acho que devíamos dar um tempo...

Comecei a usar Linux em meados de Dezembro de 97 (Red Hat 5.0), no tempo em que os homens eram homens, e tudo se fazia com ficheiros de texto. Com o seu geek appeal, rapidamente se tornou no meu desktop primário, usado 85-90% do tempo.

Ter começado a utilizar Linux nessa altura foi um pontapé de saída para aprender muito do que sei hoje (ou, pelo menos, as coisas que não têm nada a ver com o currículo da faculdade), mas tanto se aprende que ao fim de algum tempo os desafios se começam a tornar aborrecimentos. E estamos em 2005, ano em que as lutas do dia-a-dia com o desktop Linux têm vindo progressivamente a irritar-me mais e mais.

Ter de fazer wrapper scripts para permitir executar o Firefox ou o Thunderbird mais do que uma vez sem fazer aparecer o Profile Manager[1], ter de andar à porrada com o Xine ou o MPlayer para os convencer a tocar este ou aquele vídeo, são coisas que já foram uma forma de aprendizagem mas que hoje são apenas perda de tempo.

De repente a lentidão peculiar do Firefox em Linux, os bloqueios permanentes do Thunderbird ao fechar, o Gaim[2], etc., começaram a irritar-me profundamente.

E depois há o reinstalar a cada 6 meses, que não é opcional. Ou se instalam novas versões ou se sente na pele a verdadeira definição de obsoleto, além de que é a única forma de deixar para trás um monte de bugs irritantes (ou descobrir que ninguém lhes ligou pevide).

Este é o verdadeiro estado do Linux no desktop. E eu estou farto.

O Linux é excelente no servidor (convém separar bem as águas), e a minha experiência diária ainda não me mostrou nada que me fizesse duvidar disto (apesar de ter uma série de gripes em relação ao SuSE, mas fica para outro dia...), porque não consegue evoluir no desktop? Será que é pedir muito?

Manter servidores (Windows e Linux) e acudir aos problemas dos utilizadores é parte integrante do meu trabalho e, a bem da manutenção da minha sanidade, não quero chegar a casa e ir fazer mais do mesmo... É preciso evitar cair num estado de burn-out, em que todo o software é uma merda, e onde começo a pensar seriamente se não seria melhor dedicar-me à pesca.
No trabalho ainda estou muito longe disto (é claro que há sempre aqueles dias...), mas em casa já estava a começar a notar os primeiros sintomas, o que é natural... é suposto os hobbies serem agradáveis, e não provocarem aneurismas...

Assim, e para evitar que este estado de "pavio curto" acabasse por afectar (injustamente) a minha percepção do Linux em geral, a minha utilização do Windows em casa subiu vertiginosamente.

Mas não se preocupem, não é agora que vou começar a usar o Internet Explorer, ou o Outlook, ou o MSN Messenger... É mais uma continuação do Firefox e do Thunderbird, Trillian em vez do Gaim, por estes dias também jEdit e ActivePython e ainda várias janelas do PuTTY ligadas ao servidor de testes Linux, onde a verdadeira acção acontece (ler o mail e navegar na web não é acção).

Além do mais, isto já se estava mesmo a ver com todo o deita-abaixo do desktop Linux que tenho feito ultimamente... Ou, se calhar, estou apenas a passar por uma fase de comodismo...

[1] Imaginem que têm o Thunderbird aberto e clicam num link "mailto:" no Firefox, ou que têm o Firefox aberto e clicam num link no Thunderbird...
[2] Aquilo é mau... mesmo mau! E é o melhor cliente de IM para Linux...
 

21 Comentário(s)

  • É basicamente este o discurso que dou quando me falam do Linux no desktop. Mal a mal o Windows ainda vai funcionando. Agora se tivesse guita para um Mac...enfim :(

    Por Anonymous Marco J. Campos, em 13 Julho, 2005 21:34  

  • First post ;-)

    Sobre o Firefox estás a queixar-te sem qualquer motivo porque eu não tenho problemas, a minha mulher não tem problemas, os meus irmãos não têm problemas, etc etc etc e todos abrimos links a partir de emails.

    A diferença é: nenhum de nós usa o Thunderbird. Quem acredita que o Thunderbird está pronto para consumo tem de largar os alucinogenios... Se usas o KDE a alternativa é o KMail, se usas o Gnome, usa o Evolution.

    AFAIK, instalaste o Debian, foi no desktop? Se foi, não te queixes... o Debian é daqueles diamantes em bruto.

    Sobre o GAIM, nada a acrescentar porque acho que não tens a mínima razão, mas tu lá sabes os motivos que te levam a odia-lo e a continuar a vendetta. O GAIM é tão bom ou tão mau como qualquer outra aplicação de IM e olha que também já experimentei umas quantas, ICQ, AIM, MSN Messenger e um outro monte de alternativas para Linux.

    Tal como mencionas dar um tempo, deixa-me ir mais além: se não estás minimamente satisfeito com um desktop Linux, muda. Existem as mais variadas alternativas.

    Garanto-te no entanto, que não és o único no mundo que é comodista: eu também sou do tempo do Linux da "guerra ao soco", tanto que desisti das primeiras instalações que tentei fazer, mas se há coisa que reconheço é que um desktop moderno de Linux é *bastante* bom. O suporte para hardware podia ser melhor, mas sei a quem apontar baterias em relação a isso.

    Por Anonymous CPinto, em 13 Julho, 2005 21:34  

  • Uns voltam-se para o white side, outros para o dark side. Eu mudei há 1 ano e tal definitivamente para Linux, só tenho o Windows para jogar um Fifa ou por causa do Nokia Suite, de resto.. passam-se meses sem olhar para ele, tirando a parte que tenho todos os dias de o enfrentar no trabalho, infelizmente... mas em casa, estou satisfeito com o Linux, configurei-o à medida e agora é só vê-lo andar e faço upgrades, e não fresh installs e tá tudo sobre rodas. Este Fedora Core 4 todo kitado, é lindo :) usa o aMSN em vez de "GAYM", e XFCE em vez de Gnome/KDE, ou aterm em vez de gnome-terminal, entre outras coisas mais... é o meu ideal de desktop! simples, rápido, prático e com o que preciso..

    Por Blogger Gothic, em 13 Julho, 2005 21:58  

  • Bem, eu não quero evangelizar ninguém, mas... Nunca mais olhei para trás (embora me obrigue a usar de tudo para perceber o estado da arte).

    Por Anonymous Rui Carmo, em 13 Julho, 2005 23:05  

  • @cpinto:

    Sobre o Firefox estás a queixar-te sem qualquer motivo porque eu não tenho problemas

    Tens a certeza? No Fedora, por exemplo, realmente este problema não existe, eles modificaram o script de arranque do Firefox para detectar a existência de outra instância a correr e enviar-lhe comandos em vez de tentar correr uma nova.

    Só que eu uso o Firefox vanilla onde este problema ainda não foi corrigido (apesar de haver um report no bugzilla desde por volta do neolítico). O Firefox do Fedora (3) tinha umas quantas características interessantes que me fizeram abandoná-lo, a mais importante das quais sendo a incapacidade de abrir novas tabs para links abertos a partir de aplicações externas, ignorando completamente o definido nas preferências. A gota de água foi ter de convencer o tipo que mantém o pacote de que aquilo era um comportamento errado, porque o tipo adora a abertura de novas janelas, e estava-se a borrifar completamente para o facto de estar a quebrar uma funcionalidade do programa.

    Quanto ao Thunderbird, está tão preparado para consumo quanto o Mozilla Mail alguma vez esteve. E devo-te dizer que bloquear ao sair é algo que o Mozilla faz desde a versão 1.0 (quando tens contas IMAP, e ele tenta esvaziar o lixo ao sair).

    AFAIK, instalaste o Debian, foi no desktop? Se foi, não te queixes... o Debian é daqueles diamantes em bruto.

    Em casa tenho o Fedora, no trabalho realmente tenho o Debian. Mas devo dizer-te que achei o Debian muito mais robusto, pelo menos não houve assim nenhum problema que me saltasse à vista. Mas tem a desvantagem de ir ficar obsoleto num instante, com a próxima actualização num futuro distante.

    No Fedora (e, antes, no Red Hat) levava apenas dois dias até ter uma folha cheia de com os problemas que detectei. Antigamente ainda me dava ao trabalho de ir procurar soluções, e gerar novos RPMs com patches (alguns feitos mesmo por mim - quando não encontrava nada), submeter reports no bugzilla e esperar que lançassem uma errata (o que nunca acontecia, especialmente se fosse alguma coisa relacionada com o GNOME).

    Sobre o GAIM, nada a acrescentar porque acho que não tens a mínima razão, mas tu lá sabes os motivos que te levam a odia-lo e a continuar a vendetta.

    O GAIM tem mais problemas de usabilidade do que eu tenho dedos (e não me falta nenhum), e os tipos são absolutamente teimosos e recusam-se terminantemente a alterar até os problemas mais flagrantes. A janela de away é o que tem mais piada... montes de gente se queixa, e eles ignoram. Antigamente ficava curioso quando via alguma referência à janela de away no changelog, mas eram sempre alterações para polir o cagalhão, e eu desisti.
    O Trillan tem os mesmos objectivos do que o Gaim, e a interface tem bastantes semelhanças, mas é mil vezes superior (mesmo tendo os seus problemas também).

    eu também sou do tempo do Linux da "guerra ao soco", tanto que desisti das primeiras instalações que tentei fazer, mas se há coisa que reconheço é que um desktop moderno de Linux é *bastante* bom.

    No tempo da "guerra ao soco" é que era bom! Não haviam muitas funcionalidades, mas as que existiam funcionavam... Eu pouco me importava de ter de debitar centenas de linhas para fazer um ".fvwmrc" jeitoso, o que interessava era que aquilo era rápido e funcionava "as expected".
    Depois veio o GNOME e o KDE, e as funcionalidades começaram a correr em cascata, o que parecia bom, até ter concluído que metade delas funcionavam mal, e as outras não funcionavam... Eu sou apologista do "pouco mas bom", e o percurso tem sido sempre "muito mas mau".

    Deviam tomar como exemplo o MacOS X... Usei aquilo durante umas três tardes, e fiquei com a sensação que tinha muito menos funcionalidades do que um Windows ou Linux, mas as que existiam eram as importantes, e melhor... funcionavam!

    O suporte para hardware podia ser melhor, mas sei a quem apontar baterias em relação a isso.

    O suporte para hardware "out of the box" é superior a qualquer outro SO, e praticamente podes passar a vida a montar servidores sem nunca ter de ir buscar um driver fora...
    E o problema nem sequer é a falta de suporte... quando uma peça de hardware não é suportada, paciência. O problema é ter uma boa stack usb, bons drivers para o hardware, e depois o desktop não saber usar essa infraestrutura de uma forma elegante e robusta.

    @Kmos:

    Uns voltam-se para o white side, outros para o dark side.

    Ehehe, mas eu não me converti ao dark side... Eu não abandonei o Linux no desktop completamente, apenas o estou a usar muito menos, é diferente.

    configurei-o à medida e agora é só vê-lo andar e faço upgrades, e não fresh installs e tá tudo sobre rodas. Este Fedora Core 4 todo kitado, é lindo :)

    O problema é que eu não confio nos upgrades (nem no Linux, nem no Windows). E para ter um Fedora ao meu gosto, perco uma semana (entre recompilar pacotes, customizar definições, e ter tudo mais ou menos afinado e pronto para uso).

    @rui carmo:

    Não precisas de me vender esse peixe, porque eu fiquei fascinado com o MacOS X. É usável, elegante, e tem um Unix por baixo.

    Mas... (e existe sempre um "mas") o hardware é caro (apesar de jeitoso), a pendente mudança para Intel retira algum interesse ao hardware actual, e não sei exactamente como me daria com uma utilização prolongada do sistema...

    Nenhum destes factores é relevante só por si, mas em conjunto deixam-me algumas dúvidas.

    Na verdade, já estive mesmo para comprar um powerbook, antes da Apple ter anunciado o abandono do PowerPC. E a ideia ainda me passa pela cabeça ocasionalmente... pode ser que ceda um dia destes... :)

    Pensando bem, a mudança para Intel pode acabar com estes três factores de uma só cajadada... O hardware pode vir a baixar de preço, não se espera que mudem de plataforma nos próximos anos (e o x86 veio para ficar...) e quando o MacOS X já estiver a cansar, sempre se pode instalar lá Windows ou Linux...

    Voltando a bater na mesma tecla, eu não abandonei o desktop Linux, mas já estava a começar a criar azedumes e é uma boa altura para mudar de ares e evitar uma guerra aberta...

    Por Blogger Carlos Rodrigues, em 14 Julho, 2005 00:35  

  • Não vou contar as habituais histórias de tragédia, drama e horror. Todos as conhecemos e não vale a pena estarmos sempre a repetir "meu desktop é melhor que o teu, blá blá blá...". Fazes muito bem em mudar. Além que existe o caminho de volta ou (longe de mim também influenciar alguém) ainda outras plataformas para experimentar.

    Por Anonymous Jorge Carreira, em 14 Julho, 2005 00:45  

  • Só para dizer que também uso o Firefox e Thunderbird publicados pela Mozilla Foundation e não tenho nenhum dos problemas que referiste (ainda não instalei o FF 1.0.5):

    - Abro links no FF a partir do TB e mailto: no TB a partir do FF sem iniciar nova sessão (a única coisa que me lembro de ter alterado, já há algum tempo, foram os pref.js das duas aplicações para me permitirem abrir os links na outra aplicação).

    - Tenho a sensação que o FF e o TB são mais rápidos a iniciar em Linux que em
    Windows, mas nunca medi (raramente uso windows nesta máquina).

    - O TB não me bloqueia ao fechar.

    - O FF abre sempre os links de aplicações externas em novos sepaadores (porque o tenho configurado assim).

    Quanto ao MPlayer/Xine, também tenho alguns problemas (actualmente, alguns wmv bloqueiam-me todo o X, pelo que deixei definitivamente de aceitar wm*, mesmo os do Gato Fedorento que alguns amigos me continuam a enviar). O Gaim não uso: estou actualmente a usar Psi, cuja UI é bem pior, admito, mas que funciona tanto em Linux como Windows e, parece, até em Mac.

    Só para que conste, estou a usar Kubuntu -- mas não instalei FF nem TB a partir do seu repositório, como referi no início, e os links no menu de aplicações não são para qualquer script que viesse instalado por omissão, são mesmo para o script de inicialização que vem com os pacotes.

    Por Anonymous António Manuel Dias, em 14 Julho, 2005 01:26  

  • Os problemas podem ser frustantes ou podem ser motivantes. De entre os mais frustantes estão as regressões (os primeiros dias após a instalação de uma nova versão podem ser tensos). Mas a recompensa pela descoberta de uma solução também pode ser motivante.

    Pessoalmente uso pouco Windows porque o meu sistema actual (SuSE 9.3 com KDE 3.4) funciona. Os glitches não são suficientemente graves para compensar o que perderia com a mudança para Windows. E o que perderia?
    - Perderia um sistema onde não estou espartilhado pelo uso sistemático e quase exclusivo de rato e interfaces gráficos. Perderia um sistema em que tenho à mão uma shell poderosa com aplicações bastante práticas como um 'nmap' ou um 'grep'.
    - Perderia um sistema que me permite facilmente saltar para a linha de comando e fazer um túnel SSH (por melhor que seja o Putty, ainda está muito aquém da versatilidade de um Konsole), ou exportar uma aplicação gráfica para o meu X local.
    - Perderia um sistema que me permite ligar a ventoínha do portátil com uma combinação de teclas ou, por exemplo, executar:
    cat /proc/acpi/thermal_zone/THRM/temperature
    ou
    acpi -V
    e, com eles, obter informações que em Windows eu não consigo obter (ou teria que dar grandes voltas para o conseguir).
    - Perderia um sistema com esse "canivete suiço" do audio/video, o MPlayer. Embora possa não ser grande coisa em termos de interface, toca simplesmente tudo, até AVI's com headers estragados que nenhuma aplicação de Windows consegue tocar.
    - Isto para já não falar na chatice passar a conviver com um intrusivo anti-virus sempre a vigiar toda a actividade no disco e rede, e de ter que me preocupar com spyware...

    A nível de desktop, o Windows é globalmente superior ao Linux, sem dúvida. O ciclo de releases de 6 meses da maioria das distribuições Linux é insano, sem dúvida. Mas, para um administrador de sistemas, um Windows é mais do que simplesmente aborrecido, é limitativo.

    Por Anonymous Joao Fraga, em 14 Julho, 2005 02:36  

  • Só para acrescentar uma coisa: quando clico nos links no Thunderbid, estes abrem como esperado no Firefox; e quando clico num mailto: no Firefox, abre aquilo que deve abrir, ou seja apenas a janela de Compose do Thunderbird (não a aplicação toda, esteja o Thunderbid a correr ou não). Só lamento que em Linux nunca se tenha acordado numa definição global de "default browser". Podia ser uma variável de ambiente ou um ficheiro na home do utilizador, mas que todas as aplicações respeitassem (é algo que o freedesktop.org poderia fazer).

    Por Anonymous Joao Fraga, em 14 Julho, 2005 02:50  

  • @antónio:

    Os exemplos do Firefox e do Thunderbird são apenas exemplos, não foi por eles terem alguns problemas que eu passei a usar mais Windows em casa. No entanto, sei que não sou o único a ter detectado estes problemas em particular, nem os detectei apenas numa distribuição.

    Experimenta abrir um Firefox. Depois, na linha de comandos faz "firefox http://www.google.pt", por exemplo. Não te aparece o "Profile Manager"?

    Em alguns casos não ocorrem problemas, porque as próprias aplicações tentam detectar a existência de uma instância do Firefox, e substituem o comando por qualquer coisa como "firefox -remote openUrl(http://www.google.pt)". É provável que o GNOME 2.10 já faça isto. Ainda não tive tempo de instalar o Fedora 4 (que o traz), portanto não estou certo.

    @João:

    É verdade que o Windows é bastante limitativo quando se quer sair do point 'n' click. Mas quando se está numa onda de point 'n' click é o Linux que é limitativo.

    Eu estou perfeitamente consciente de que mais tarde ou mais cedo vou acabar por me fartar do point 'n' click, e o Linux voltará a ser o meu desktop primário.

    Eu não descobri de repente que o Windows é a melhor coisa desde o pão fatiado, ou que o desktop Linux é o inferno na Terra. Eu continuo a ter, sobre ambos, a mesma ideia que tinha, com a diferença que as pequenas irritações atingiram um nível crítico, ao mesmo tempo que o meu padrão de utilização deixou de englobar o "tinkering" constante com o sistema.

    Isto não é mais do que uma "travessia do deserto", na esperança de voltar reforçado. Preciso que o meu uso do Linux no desktop volte a ter piada suficiente para compensar os pequenos problemas, caso contrário o desgaste pode atingir um ponto sem retorno.

    Como analogia (e eu sou péssimo em analogias, como já se vai constatar), isto é como os X-Files. Durante as primeiras épocas foi a minha série preferida, mas por volta da 3ª ou 4ª vez que a irmã do Mulder afinal era um clone, já eu não suportava sequer a ideia de olhar para aquilo, nem sequer para os episódios dos primeiros tempos.

    Por Blogger Carlos Rodrigues, em 14 Julho, 2005 05:00  

  • Hoje, em Portugal, um iBook 12'' custa 1000€. Em comparação com outras ofertas não é caro.

    Por Anonymous Anónimo, em 14 Julho, 2005 09:47  

  • Quando faço firefox http://google.com no Konsole abre um novo separador no firefox, caso ele já esteja aberto. Não me lembro de alguma vez ter tido esse problema, pelo que não estou a ver qual possa ser a sua origem.

    Há pouco esqueci-me de dizer: se achas que és mais produtivo usando o windows como desktop, acho que é isso mesmo que deves usar (desde que uses uma cópia legal, claro). Quanto a mim, já me aborreço que chegue por ter de o utilizar diariamente no trabalho ou pela ajuda que tenho que dar à minha companheira de vez em quando aqui em casa ;) Para mim, o Kubuntu chega perfeitamente.

    Mas, infelizmente, também penso que o Linux não está preparado para o utilizador comum: ainda é necessário algum conhecimento para o colocar a funcionar e configurar minimamente e há ainda aquelas coisas que não funcionam simplesmente, como comprar uma nova placa de captura de vídeo e instalar o software que vem com ela para começar a fazer os nossos filmes caseiros. É claro que em Windows muitas coisas também não funcionam à primeira (ou às vezes deixam de funcionar passado um tempo, sem que percebamos porquê) e o utilizador comum também não sabe resolver os problemas. A diferença é que, nesse caso, o Windows é tão comum que há sempre aquele vizinho ou amigo do trabalho que percebe de computadores que é capaz de ir lá a casa e resolver o problema.

    Já para o desktop empresarial/institucional, em que haja um administrador de sistemas que o configure e coloque pronto a usar, penso que o Linux está mais que preparado (desde que existam as aplicações necessárias, claro). Dará até menos trabalho ao administrador, visto que não terá que andar constantemente em cima do anti-vírus e anti-spyware, por enquanto. Mas isto é apenas a minha opinião, que não tenho qualquer rede empresarial para administrar...

    Por Anonymous António Manuel Dias, em 14 Julho, 2005 10:02  

  • Hoje, em Portugal, um iBook 12'' custa 1000€. Em comparação com outras ofertas não é caro.

    Não aconselharia um iBook 12'', mas talvez um Powerbook 14'' =) hehe..

    http://www.apple.com.pt/cgi-bin/WebObjects/Asto.woa/wa/record?id=IBOOK

    Por Blogger Gothic, em 14 Julho, 2005 12:13  

  • Powerbook 15'' digo ;-) não há de 14''

    Por Blogger Gothic, em 14 Julho, 2005 12:14  

  • Já para o desktop empresarial/institucional, em que haja um administrador de sistemas que o configure e coloque pronto a usar, penso que o Linux está mais que preparado (desde que existam as aplicações necessárias, claro).

    Também depende, é preciso analisar o padrão de utilização para ver se se adequa, caso a caso.

    Hoje, em Portugal, um iBook 12'' custa 1000€. Em comparação com outras ofertas não é caro.

    Em termos absolutos não é caro, mas é caro em comparação com ofertas equivalentes. Além do mais, um iBook de 12'' é um complemento portátil para quem já tem outro Mac, e não serve propriamente para se tornar num desktop primário (demasiado pequeno, e specs baixos).

    Por Blogger Carlos Rodrigues, em 14 Julho, 2005 13:51  

  • Experimenta abrir um Firefox. Depois, na linha de comandos faz "firefox http://www.google.pt", por exemplo. Não te aparece o "Profile Manager"?

    Não. A página do Google abre numa janela nova do Firefox.

    O único glitch no caso do KDE é o Launch Feedback ser activado quando se arranca o Firefox pelo interface gráfico e o Firefox já está a correr. Embora eu não tenha por hábito fazer isto, muita malta que vem do Windows tem por hábito abrir uma nova janela do browser assim.

    Por Anonymous João Fraga, em 14 Julho, 2005 14:22  

  • Carlos,

    "Só que eu uso o Firefox vanilla onde este problema ainda não foi corrigido (apesar de haver um report no bugzilla desde por volta do neolítico)."

    É como o bug-report no Thunderbird que abre o Profile Manager quando se clicka no mailto. Acabei de receber um email do bugzilla a indicar o bug como INVALID porque fui dado como MIA.

    A última coisa que me disseram foi para dar uma olhadela no Thunderbird Remote.

    Sabes que mais? Fuck'em... *eu* não vou fazer qualquer tweak no meu Desktop para aquilo funcionar. Eles que usem um ficheiro .pid se querem verificar se está a correr ou não, ou então a distribuição que faça o trabalho de escravo (como o Ubuntu faz se bem me lembro).

    "Mas tem a desvantagem de ir ficar obsoleto num instante, com a próxima actualização num futuro distante."

    Tu tens uma certa tendência para misturar o obsoleto com o estável... Qual é o release cycle do Windows, p.ex?

    Imaginando que o Gnome 2.12 sai amanhã, de certezinha que alguém do Backports do Debian vai compilar uma versão daquilo contra o Debian Stable. Se quiseres assim tanto a nova versão, podes usar esse backport à confiança.

    "A janela de away é o que tem mais piada... montes de gente se queixa, e eles ignoram."

    O teu problema com o GAIM é, quase exclusivamente, com a janela do away. Não vejo nenhum mal nisso, eu próprio a detesto. Tanto que nem utilizo o away para não me irritar.

    Se não implementam a solução que queres, procura pelo patch e mantém o teu package privado. Eu faço isso com o Metacity, por exemplo.

    O XFwm (Window manager do XFCE), tem uma feature espectacular em que usas a mousewheel na titlebar para fazer o (un)shade às janelas.

    Fiz um patch, meti no bugzilla, foi deferido. Coloquei então no bugzilla do Ubuntu e disseram-me que preferiam manter uma versão vanilla do Metacity.

    Porque quero *mesmo* esta feature, estou a manter o meu próprio package e ao contrário do que possas pensar não dá o mínimo trabalho: o Metacity tem updates quando o rei faz anos.

    Outro exemplo seria o Eclipse que também uso com uns patches meus...

    "Eu sou apologista do "pouco mas bom", e o percurso tem sido sempre "muito mas mau"."

    Não estás a ser honesto, no mínimo, para com o projecto GNOME. Este projecto contém algumas aplicações às quais eu chamo 3rd-party mas eles preferem incluir tudo no DE. Acho que a qualidade dessas aplicações é *bastante* aceitável. E são aplicações para executar todas as tarefas essenciais para um uso normal do desktop.

    O facto do Ubuntu vir apenas em um CD já diz bastante sobre os critérios que esta distribuição tem para colocar uma aplicação nesse disco de plástico.

    "O suporte para hardware "out of the box" é superior a qualquer outro SO".

    Hmmm só ontem, 2 anos e meio após aquisição, é que o meu (crappy) scanner USB ganhou suporte no Linux. Ou melhor, só ontem é que fui ver a página e vi que já era suportado pelo SANE desde o ínicio de Junho.

    Mas uma coisa é verdade, quando o hardware é suportado o Linux é praticamente imbatível porque é verdadeiramente plug&play.

    Por Anonymous CPinto, em 14 Julho, 2005 23:02  

  • Tu tens uma certa tendência para misturar o obsoleto com o estável... Qual é o release cycle do Windows, p.ex?

    Não tenho não. Se estivermos a falar de servidores, eu vou chamar-lhe "estabilidade", se estivermos a falar de desktops, eu vou chamar-lhe "obsolescência".

    O desktop Linux tem tanto por onde evoluir, que se torna obsoleto com muita facilidade. Quando sai uma versão nova, subitamente a velha começa a parecer cada vez mais mal-jeitosa e incompleta.

    O ciclo do Windows é mais longo, porque já atingiu um patamar de funcionalidades. Já faz tudo o que interessa, da maneira que interessa. Portanto, os utilizadores não se sentem muito motivados para actualizar (o que é exactamente o que acontece com o Linux no servidor).

    O Linux só vai estar preparado para o desktop no dia em que as pessoas deixarem de apontar para a próxima versão como a solução para todos os problemas (e que depois acaba por não ser).

    O teu problema com o GAIM é, quase exclusivamente, com a janela do away.

    É, basicamente... Aquilo é como um insulto para mim.

    Se não implementam a solução que queres, procura pelo patch e mantém o teu package privado.

    Pois, tal como eu disse, fiz isso para uma data de pacotes, durante uma data de anos. Mas isto sim é coisa que quero ver acabada de uma vez por todas... não tenho tempo nem, especialmente, paciência para o fazer.

    Hmmm só ontem, 2 anos e meio após aquisição, é que o meu (crappy) scanner USB ganhou suporte no Linux. Ou melhor, só ontem é que fui ver a página e vi que já era suportado pelo SANE desde o ínicio de Junho.

    Eu falei em out-of-the-box, não na generalidade (incluíndo drivers third-party). No Windows tens um suporte muito fraco de hardware out-of-the-box, tens de instalar montes de drivers a partir de CDs extra, e se estivermos a falar de máquinas com hardware Intel (motherboards et al), ainda pior. Apesar da sua popularidade, as placas ethernet da Intel ainda não são suportadas directamente pelo Windows, por exemplo.

    Tal como eu disse, o Linux não suporta tanto hardware como o Windows, mas quando o suporta, suporta sem ser preciso andar à procura de drivers.

    Por Blogger Carlos Rodrigues, em 15 Julho, 2005 00:24  

  • É sempre um gozo ver a malta que cai logo em cima do temerário mortal que ousa mencionar que o Linux tem um defeitozinho ou outro.

    E claro, a culpa é sempre da ignorância, da preguiça, da má-vontade ou mesmo da estupidez do queixoso. Que interessa se se trata de um utilizador experiente de Linux, que quer gostar de Linux mas está cansado de combater N pequenas batalhas diárias?

    Carlos: usa o sistema operativo com que achares mais confortável. Para um Desktop, a qualidade mais importante de um sistema operativo (a seguir à fiabilidade) é a fluidez, que é inevitavelmente uma qualidade subjectiva. Ao fim de oito anos de utilização acho que tens direito a dizer "não" de forma qualificada.

    Ao fim de muitos anos a interagir com muita coisa, desde VM-SP/CMS, VMS, Unixes e Linuxes vários até aos inevitáveis MS-DOSes e Windows, cheguei à conclusão que o conforto máximo PARA MIM neste momento está no MacOSX.

    Quanto à questão do preço, acho que esse argumento já há muito que caducou.

    Por cerca de 500 euros consegues comprar um Mac Mini, em vários aspectos uma máquina superior ao meu Powerbook 17" G4 1GHz, ainda hoje uma máquina perfeitamente razoável. Juntas-lhe um qualquer monitor mais rato e teclado USB e toca a andar.

    Por 1823 euros consegues comprar um iMac G5 com écran de 20" polegadas incorporado. Se pensares que só écran stand-alone equivalente custa 823 euros, significa que estás a pagar cerca de 1000 euros pela máquina em si. Para uma máquina com as funcionalidades do iMac G5 parece-me um preço bastante competitivo.

    Por Blogger Olifante, em 15 Julho, 2005 13:44  

  • Por cerca de 500 euros consegues comprar um Mac Mini, em vários aspectos uma máquina superior ao meu Powerbook 17" G4 1GHz, ainda hoje uma máquina perfeitamente razoável. Juntas-lhe um qualquer monitor mais rato e teclado USB e toca a andar.

    Se a minha máquina actual estivesse a ficar velha, talvez fosse uma opção. Mas não a vou substituir sem uma necessidade real, portanto apenas consideraria comprar um Powerbook (porque não tenho nenhum portátil), e 1900€ (a máquina mais barata com especificações que eu considero aceitáveis) é um bocado puxado.

    Por Blogger Carlos Rodrigues, em 15 Julho, 2005 14:15  

  • Na mobi tem um portátil HP bem jeitoso, o dv1245, a um preço acessível.

    As specs satisfazem-me plenamente,inclusivé o monitor de 14" WXGA. Se fosse mais pequeno (o monitor) ainda seria melhor :-)

    Por Anonymous CPinto, em 15 Julho, 2005 19:27