Tudo Sobre Nada

Here we go again...

Nos últimos tempos tenho andado a tocar um disco riscado, sempre a criticar o desktop Linux, sempre a criticar o desktop Linux... Pois bem, vou dar mais uma volta ao disco, ficam desde já avisados... :)

Eu já falei disto quando disse que o Windows tinha voltado a ser o meu desktop primário, mas apetece-me remastigar estes pontos agora que se passaram quase dois meses, e a propósito da "chuva" de comentários[1] aos artigos anteriores.

Então lá vai...

Quando comecei a usar Linux regularmente, fi-lo porque era desafiante e porque gostava da maneira como as coisas se faziam. Era diversão e aprendizagem ao mesmo tempo.

Ao longo dos anos as coisas foram evoluindo, e eu sempre tive a minha visão própria daquilo que gostaria que o desktop Linux fosse. Não sei definir exactamente essa visão, mas sei que teria de manter as características que me atrairam inicialmente: tinha de ser elegante, fiável e eficiente.

Na sua base o Linux ainda é tudo isto, e é por isso que no servidor é um sistema operativo extremamente capaz (onde quase todas as tarefas são, ao mesmo tempo, trabalho e diversão), e porque que cada vez mais empresas escolhem o Linux para dar vida aos mais diversos aparelhos.

Mas o desktop foi-se afastando progressivamente dessa visão. O caminho escolhido parece passar por copiar o Windows ou o Mac, mas em mau. O desktop Linux de hoje não é bom para os utilizadores normais, nem para os power users. É uma mixórdia desconexa onde as coisas simples são incompletas, e as coisas complexas são obtusas.

O meu sentido estético é permanentemente agredido pelo desktop Linux actual, e nem um window manager minimalista mais uma xterm consegue fazer voltar a emoção dos velhos tempos.

Portanto, e para ser totalmente claro e sintético, mais do que este ou aquele pormenor concreto, as minhas críticas permanentes são resultado de uma profunda sensação de desilusão e azedume.

Eu ainda gostava de ver o Linux a vingar no desktop, mas já não acredito que o rumo actual vá conduzir a isso. No entanto, é sempre possível que aconteça uma revolução qualquer, portanto mantenho os meus olhos bem abertos, mas não ponho as mãos no fogo por isso...

Quem quiser ficar indignado pode ficar, eu também ficaria se lesse uma coisa destas há uns meses atrás. Mas certos botões quando pressionados disparam reacções inesperadas, e o desktop Linux já carregou nesses botões...

[1] "Chuva" no bom sentido, claro!

24 Comentário(s)

  • Queres um desafio? Instalar o OSX num x86, isso sim é um grande desafio, mas consegue-se. :D

    Por Blogger Marco, em 09 Setembro, 2005 00:58  

  • Até teria piada.

    Eu atrevo-me a dizer que talvez se torne menos desafiante com o passar do tempo. Eu tenho cá uma desconfiança que a Apple vai acabar por "facilitar" a instalação do MacOS X em hardware não-Apple.

    Uma espécie de "fechar os olhos" que vai acabar por dar à plataforma uma visibilidade até aqui nunca vista...

    Por Blogger Carlos Rodrigues, em 09 Setembro, 2005 01:52  

  • "Indignado"? Não me parece. :) Quem fique indignado por uma coisa destas, é porque tem algum estranho tipo de insegurança. :)

    É uma questão de necessidades diferentes. Uso Linux (com KDE) no trabalho, e XP (pelos jogos) em casa (e OpenBSD no servidor), e se bem que o XP é vagamente usável (sobretudo depois de se instalar várias coisas open source, tipo Firefox ou Cygwin) para coisas que não sejam jogos (estou em casa neste momento, por exemplo, a escrever isto), só me dá a sensação de "estar contra mim", de "quem és tu para quereres ter tanta coisa aberta ao mesmo tempo?", de beneficiar os newbies em prejuízo dos power users.

    Um sistema que não me permita mudar de desktop com o ALT-1, 2, 3, etc., instantaneamente, não é para mim um sistema de trabalho viável.

    No Linux deixo coisas abertas durante semanas ou meses - simplemente, esqueço-me delas até voltar a precisar, e quando preciso elas estão onde as deixei. Em Windows, se fizesse isso, seria um caos na desktop, ficaria tudo cada vez mais lento...

    Necessidades - ou gostos - diferentes, talvez. Não vou dizer que estou mais certo nisto do que tu. :)

    Por Anonymous Dehumanizer, em 09 Setembro, 2005 09:00  

  • Então Carlos, diz lá de tua justiça: o que é que te chateia no desktop Linux? Quais são as grandes falhas que tu vês?

    Por Anonymous CPinto, em 09 Setembro, 2005 09:59  

  • Chateia-me a falta de consistência (e não estou a falar de consistência visual, até porque é sobrestimada, como se pode ver pela Apple, que viola as suas próprias regras), a falta de fiabilidade e a falta de polimento.

    O método de selecção natural não funciona para as interfaces gráficas, onde tem de existir uma visão do que se quer alcançar, e todos têm de trabalhar nessa mesma linha. No desktop Linux cada um faz as coisas à sua maneira, mesmo que no final até pareçam (de raspão) consistentes visualmente.

    É o design feito por engenheiros sem qualquer sensibilidade, que preferem implementar eye-candy inútil em vez de dar um aspecto profissional ao que realmente é importante.

    O desktop Linux é muito semelhante ao tunning de carros. Por mais jantes especiais, asas enormes, pinturas berrantes e luzinhas foleiras que se acrescentem, não deixam de ser cagalhões polidos por tipos que claramente não têm um pingo de sentido estético.

    Lá por baixo até pode estar um motor de 250cv que vai dos 0 aos 100 em 3 segundos, a funcionar como um relógio. Se não for para competir ou para puxar carga, eu prefiro um carro de fábrica, relativamente fraco, com um aspecto normal e minimamente confortável.

    E tal como no tunning de carros, há quem jure a pés juntos que é a melhor coisa do mundo, e há quem só se interesse realmente pela parte mecânica da coisa. Estes, tal como eu, acabam por se fartar de conduzir aberrações e preferem separar as águas, mecânica sim, aparência foleira não.

    Por Blogger Carlos Rodrigues, em 09 Setembro, 2005 12:46  

  • Tanto texto mas não especificaste qualquer problema. Exemplos concretos Carlos, exemplos concretos!

    Por Anonymous CPinto, em 09 Setembro, 2005 13:07  

  • Os exemplos concretos são irrelevantes, porque os exemplos concretos resolvem-se ou reclamam-se...

    O problema é ter uma sensação de amadorismo e de inconsistência que não se consegue definir, e que piora em vez de melhorar.

    Por Blogger Carlos Rodrigues, em 09 Setembro, 2005 14:39  

  • CPinto, examplos concretos...

    Num default install de Linux, sem magia negra(estamos a falar de um utilizador lerdo) nem andar por "Freshmeats" à procura de software que um puto de 17 anos(sem desprimor para os putos de 17 anos) tenha feito nos tempos livres e que ainda está na versao 0.x como é que:

    Fazes sync do addressbook do teu telemovel via bluetooth
    Usas no mail, instant messaging, etc esses mesmos dados(fotos, etc) que acabaste de sincronizar, tudo integrado
    Pesquisar *instantaneamente* ficheiros e conteudo nesses ficheiros
    Importar as fotos q acabaste de tirar com a tua maquina fotografica só com o ligar do cabo usb
    Fazer um filme com essas fotos ou opcionalmente e importar um filme de uma camara de filmar so com o ligar de um cabo e queimar um DVD só com o clicar de um botao de rato ?
    Imprimir, fazer scan de documentos só com o instalar de um driver q vem num cd

    O que quero dizer com isto ? Resume-se a uma coisa... "It just works".
    Quando conseguires fazer estas coiss que o comum dos mortais quer fazer, aí sim o desktop do linux f
    unciona. Até ai é só para geeks com tempo em mãos.

    Só mais umas keywords... iLife, Adobe(Photoshop), Office(Word, Excel), Macromedia(Flash,Dreamweaver). E por favor, não caias no ridiculo de os comprar com o Gimp e o OpenOffice.

    Por Anonymous Carlos Jorge Andrade, em 09 Setembro, 2005 14:47  

  • Os exemplos concretos são o mais relevante porque se não tens exemplos concretos tu é que estás a ver mal as coisas.
    Se me disseres a aplicação X,Y ou Z é isto ou aquilo, é um exemplo concreto.

    Dizeres no abstrato que é tudo uma porcaria, só me faz pensar que estás a palrear o discurso de alguém.

    Por Anonymous CPinto, em 09 Setembro, 2005 14:48  

  • Celso, quando eu olho para um carro de um tipo do tunning, também não sei exactamente porque é foleiro, mas é. Não é este ou aquele pormenor que o torna foleiro, é o conjunto dos pequenos pormenores.

    Dizer que é este ou aquele pormenor que está errado, implicaria que eu teria jeito para o design de interfaces, e estaria em posição para os resolver (pelo menos para mim). Mas eu não me arrogo um perito nesta matéria, apenas sei se gosto ou se não gosto.

    Eu podia apontar coisas que me irritam, mas não o vou fazer, porque não são essas coisas que me fazem dizer o que digo.

    Por Blogger Carlos Rodrigues, em 09 Setembro, 2005 15:13  

  • Ah, então é tudo uma questão de gostos. Pronto, então estou esclarecido :-)

    Eu pessoalmente também abomino a chungaria e inconsistência do Windows, p.ex. e não consigo compreender como é que a maioria diz que é a melhor coisa desde o pão às fatias.

    Só consigo perceber a popularidade do Windows devido à pirataria que se faz do sistema operativo e todas as aplicações que gravitam à volta deste.

    Por Anonymous CPinto, em 09 Setembro, 2005 15:22  

  • Não é apenas uma questão de gostos, não foi isso que eu disse. Se fosse apenas uma questão de gostos eu nunca tinha sequer começado a usar. É uma questão de estar farto.

    Eu não gosto particularmente do Windows, mas pelo menos aparenta profissionalismo. Não existem n irritâncias in your face, e a maioria do software não parece ter sido simplesmente cuspida para uma parede.

    O Linux pode ser melhor do que o Windows em quase tudo, mas eu cansei-me de andar a passear com um camião.

    Por Blogger Carlos Rodrigues, em 09 Setembro, 2005 15:39  

  • quando deixaste de usar linux perdeste a oportunidade de o melhorar. just my 2 cents

    Por Anonymous Anónimo, em 09 Setembro, 2005 17:35  

  • Eu uso Linux, só não no desktop ;)

    Por Blogger Carlos Rodrigues, em 09 Setembro, 2005 17:53  

  • O problema do Linux no Desktop começou com o surgimento do Gnome. Fragmentou o desktop Linux que na altura tinha um futuro promissor com o KDE. O Gnome nunca conseguiu ser superior ao KDE, mas fragmentou a base de utilizadores e de aplicações até ao ponto de não retorno. Anos mais tarde, por mais acordos de estandardização que se estabeleçam entre os projectos KDE e Gnome, já não há forma de reparar o mal feito. O Gnome estabeleceu um padrão de inferior qualidade que, infelizmente, ganhou popularidade (Redhat's fault). É comum o mito de que o Gnome é importante porque cria competição na área do Linux desktop e que isso estimula a evolução. Nada mais errado... O KDE não tem o Gnome como referência, mas sim o Windows (e, em certa medida, o OSX). Ao KDE chegar-lhe-ia o Windows para evoluir. O Gnome é, não só inútil, ele matou o Linux desktop.

    Apesar da inegável superioridade do KDE, devo sublinhar que este ambiente gráfico tem muito defaults mal escolhidos: single-click, janelas maximizadas que se movem, ícones e painel enormes, etc. Mas alterando uma meia dúzia de settings (uma tarefa que não leva mais do que 5 minutos), um KDE consegue ficar muito apelativo mesmo para um power-user de Windows.

    Por Anonymous Lemos, em 10 Setembro, 2005 10:41  

  • Carlos Jorge Andrade wrote:

    > Fazes sync do addressbook do teu
    >telemovel via bluetooth

    KMobiletools. Vem com qualquer KDE recente.

    >Usas no mail, instant messaging, etc
    >esses mesmos dados(fotos, etc) que
    >acabaste de sincronizar, tudo integrado

    O KMobiletools usa o Address Book do KDE. Logo, essa integração já existe.

    >Pesquisar *instantaneamente* ficheiros e
    >conteudo nesses ficheiros

    A Novell está a tratar do assunto.

    >Importar as fotos q acabaste de tirar com
    >a tua maquina fotografica só com o ligar
    >do cabo usb

    Plug&play sem quaisquer problemas. E o digiKam é dos melhores gestores de fotos que conheço em qualquer sistema operativo.

    >Fazer um filme com essas fotos

    Com o software que vem com o Windows, quando muito fazes um filme em WMV (é a versatilidade à lá Microsoft...)
    Se quiseres fazer isso em Linux, vais à linha de comando, usas o mencoder assim, e tens o teu filme a partir das fotos. Se quiseres um GUI bonitinho, tal como no Windows puxas os cordões à bolsa e compras uma coisa destas.

    > ou opcionalmente e importar um filme de
    >uma camara de filmar so com o ligar de um
    >cabo

    Kino. É excelente.

    >e queimar um DVD só com o clicar de um
    >botao de rato ?

    K3b. Ainda não converte uma qualquer vídeo para DVD-video mas já faz DivX/Xvid.

    >Imprimir, fazer scan de documentos só com
    > o instalar de um driver q vem num cd

    Em Linux, o mais provável é nem sequer precisares de instalar o driver, pois o hardware já é suportado de origem!

    >Só mais umas keywords... iLife,
    >Adobe(Photoshop), Office(Word, Excel),
    >Macromedia(Flash,Dreamweaver). E por
    >favor, não caias no ridiculo de os
    >comprar com o Gimp e o OpenOffice.

    Comparo o OpenOffice com o MS Office, sim. E desafio-te a dizeres-me porque é que é ridícula a comparação.

    Por Anonymous Lemos, em 10 Setembro, 2005 11:25  

  • O problema do Linux no Desktop começou com o surgimento do Gnome. Fragmentou o desktop Linux que na altura tinha um futuro promissor com o KDE.

    Essa história está muito mal recordada... Eu lembro-me de como estava o KDE na altura em que o GNOME arrancou, e não tinha base de utilizadores nem funcionalidades suficientes para justificar essa afirmação (não era nem 1/4 do que o XFCE é hoje). Para todos os efeitos ambos os projectos arrancaram quase em simultâneo.

    E depois, o KDE pode ser tecnicamente superior ao GNOME, mas em termos de usabilidade é bastante pior.

    Eu usei o KDE como desktop primário desde umas quantas versões antes da 1.0 até à altura em que saiu o GNOME 2.4 (desde então apenas ocasionalmente, para ver como estava). Apesar de tecnicamente inferior, o GNOME conseguia ser um ambiente bem mais consistente e agradável do que o KDE. É pena que desde então não tenha evoluido quase nada, já que parece que as novidades das novas versões se limitam a novos dialogs para adicionar applets ao painel, ou outras irrelevâncias que tais.

    Por Blogger Carlos Rodrigues, em 10 Setembro, 2005 14:01  

  • Essa história está muito mal recordada... Eu lembro-me de como estava o KDE na altura em que o GNOME arrancou, e não tinha base de utilizadores nem funcionalidades suficientes para justificar essa afirmação

    Facto 1: o Gnome surgiu quase um ano depois do KDE.
    Facto 2: o Gnome não surgiu com o propósito de proporcionar uma alternativa tecnologicamente superior ao KDE. Surgiu por razões exclusivamente políticas.
    Além disso, não afirmei que o KDE era um projecto maduro em 1997, mas sim que era um projecto promissor. Era um projecto que pretendia uniformizar as aplicações gráficas para Unix, conferindo-lhes um aspecto e comportamento similares, reduzindo a "reinvenção da roda" criando serviços e bibliotecas para uso comum. O Gnome e a seita religiosa FSF sabotou, de forma irreversível, este nobre propósito de uniformização ao criar um projecto paralelo. Se a Microsoft tivesse dado emprego vitalício ao Miguel de Icaza, e o Stallman tivesse ido retirar-se para o Tibete, o Linux desktop era capaz de estar hoje bem melhor...

    E depois, o KDE pode ser tecnicamente superior ao GNOME, mas em termos de usabilidade é bastante pior.

    De vez em quando uso o Gnome para manter-me a par do seu desenvolvimento. E por mais acrobacias mentais que faça, não encontro nele qualquer superior usabilidade. Em que é que se baseia essa suposta superior usabilidade?
    Será na configurabilidade? Não pode. Nisso o KDE está milhas à frente.
    Será na obediência a normas tipo CUA? Não, o KDE foi pioneiro nisso.
    Será no maior número de funcionalidades nos seus dialogs de Print ou File Selector? Nem pensar! Esses dialogs sempre foram muito mais ricos em funcionalidades no KDE. Aliás, é preciso ser cego para não ver o abismo de funcionalidades entre o KDE e o Gnome a nível dos dialogs padrão.
    Será no melhor funcionamento de mecanismo como drag&drop e copy&paste? Não, no KDE isso sempre funcionou muito melhor.
    Será por o GTK oferecer controlos mais funcionais e agradáveis de usar do que o Qt? Não pode ser. O GTK é claramente inferior ao Qt em todos esses aspectos.
    Será na maior disponibilidade de Help nas aplicações? Não, quase todas as aplicações KDE têm Help, enquanto quase todas as aplicações Gnome não têm Help.
    Será na maior capacidade de integrar aplicações dentro de outras aplicações? Não pode ser. O Gnome não tem nada tão poderoso como as Kparts, e o seu equivalente dos Kioslaves é rudimentar por comparação.
    Será na menor frequência com que se tem que recorrer à linha de comando ou editar ficheiros de configuração para alterar definições ou comportamentos de aplicações ou do ambiente gráfico? Não, o KControlCenter tem muitíssimo mais funcionalidades que o equivalente no Gnome. Além disso, é política das aplicações KDE nem sequer aceitarem parâmetros de linha de comando. Tudo tem que ser configurável pelo GUI. Será que as aplicações Gnome pode afirmar o mesmo?

    Aonde raio está então a maior usabilidade? Será que para alguns primitivismo é usabilidade?...

    Por Anonymous Lemos, em 10 Setembro, 2005 19:33  

  • Facto 1: o Gnome surgiu quase um ano depois do KDE.

    Irrelevante. Quando o GNOME foi iniciado o KDE ainda não era nada. Eu lembro-me bem do KDE dessa altura, era um painel para lançar aplicações, uns quantos ícones no desktop e um file manager primitivo.

    O aparecimento do GNOME não afectou em nada o desenvolvimento do KDE. Os objectivos dos dois projectos são diferentes, e as pessoas que os compõem são diferentes. Por mais que penses que sim, as pessoas que hoje defendem o GNOME não estariam do lado do KDE se apenas este existisse.

    Se o PSD desaparecesse, os seus militantes não mudariam automaticamente para o PS, nem vice-versa. O mundo é assim, não vale a pena tentar encontrar bodes expiatórios para justificar o facto do KDE não estar onde gostaria.

    Será na configurabilidade? Não pode. Nisso o KDE está milhas à frente.

    E foi por isso que eu abandonei o KDE. A configurabilidade no KDE é uma desculpa para não pensarem em defaults como deve ser, ou não pensarem em formas sensatas de implementar certas e determinadas funcionalidades. As preferências no KDE funcionam como forma de largar em cima dos utilizadores a responsabilidade que os developers não querem ter.

    O melhor desktop existente, o MacOS X, é um exemplo de falta de configurabilidade. Acho que isso diz muito sobre a importância das preferências...

    Aonde raio está então a maior usabilidade? Será que para alguns primitivismo é usabilidade?...

    Simplicidade não é primitivismo, e configurabilidade não é usabilidade.

    A sensação de um produto bem construído e tanto mais forte quanto menos preferências tivermos de modificar.

    As funcionalidades e a superioridade tecnológica da infraestrutura são irrelevantes quando a interacção com elas é deficiente. E o KDE é muito deficiente nestes aspectos.

    Por Blogger Carlos Rodrigues, em 10 Setembro, 2005 20:02  

  • não vale a pena tentar encontrar bodes expiatórios para justificar o facto do KDE não estar onde gostaria.

    Não é onde o KDE gostaria de estar. É onde o Desktop Linux poderia ambicionar estar mas nunca poderá lá chegar porque foi morto à nascença pela seita da FSF. O Gnome introduziu uma divisão que teve consequências tão profundas que a reparação é simplesmente impossível (por mais que projectos como o freedesktop tentem). Dividiu os developers com toda a duplicação de trabalho que daí adveio, dividiu os utilizadores e, pior do que tudo, criou uma imagem nos observadores externos de o Linux ser uma manta de retalhos sem a consistência de um Windows (o que acaba por ser verdade). Isto torna os utilizadores reticentes a usarem Linux, e as empresas de software proprietário reticentes a portarem as suas aplicações para Linux.

    E foi por isso que eu abandonei o KDE. A configurabilidade no KDE é uma desculpa para não pensarem em defaults como deve ser, ou não pensarem em formas sensatas de implementar certas e determinadas funcionalidades.

    Tal como referi, também não gosto de muitos defaults do KDE (o mesmo poderia dizer de muitos defaults do Windows). Mas basta alterar não mais de uma dúzia settings no KControlCenter para o pôr com um look&feel quase idêntico ao do Windows. E basta mudar outros tantos settings para o pôr quase idêntico ao aspecto geral do Gnome. E isto não demora, no total, mais de um quarto de hora (para quem nunca o fez antes) e só precisa de ser feito uma vez. Por isso, considero algo esfarrapado invocar os defaults insensatos do KDE como razão para não usá-lo.

    As funcionalidades e a superioridade tecnológica da infraestrutura são irrelevantes quando a interacção com elas é deficiente. E o KDE é muito deficiente nestes aspectos.

    Mas não há deficiência alguma que o KDE possua que o Gnome também não tenha! Por outro lado, há muitas deficiências no Gnome que o KDE, por ser superior, não tem. Não estamos aqui a falar de bolos ou de mulheres. Estas qualidades são mensuráveis. Isto é quantificável. Não há subjectividade quando se olha, por exemplo, para um dialog do tipo Print ou File Selector do KDE e se vê neles componentes ricos em funcionalidades e com aspecto profissional, enquanto se olha para os equivalentes do Gnome e subitamente parece que recuámos aos tempos do Windows 3.0.

    Desafio quem quer que seja a irmos ponto por ponto, avaliando exaustivavamente característica a característica, e no final não tenho a menor dúvida que o KDE baterá o Gnome em 9 em cada 10 casos. Aliás, quem pegar num KDE 3.4 e, após uma hora de uso, não lhe for evidente a superioridade deste ambiente gráfico em relação a uma qualquer versão do Gnome então deve reavaliar seriamente os seus critérios e a sua capacidade de julgamento.

    Por Anonymous Lemos, em 11 Setembro, 2005 00:46  

  • É onde o Desktop Linux poderia ambicionar estar mas nunca poderá lá chegar porque foi morto à nascença pela seita da FSF. O Gnome introduziu uma divisão que teve consequências tão profundas que a reparação é simplesmente impossível (por mais que projectos como o freedesktop tentem).

    Como eu disse, estás a tentar arranjar um bode expiatório, e não compreendes que essa divisão existe independentemente da existência ou não do GNOME.

    Por Blogger Carlos Rodrigues, em 11 Setembro, 2005 01:09  

  • Lemos,
    Não pude de dar uma valente gargalhada a cada alteernativa que dás. E nem me refiro às do tipo "estão a tratar do assunto", "quase que funciona".

    Vê como fazes isso no Mac e as respectivas aplicações e depois volta a tentar apresentar alternativas.

    Por Anonymous Carlos Jorge Andrade, em 11 Setembro, 2005 03:29  

  • Gnome versus KDE.
    Meus amigos.
    O Linux é o SO da liberdade. Escolham o que preferirem, não percam tempo a alimentar guerras inúteis. No XP não há escolhas. Ou é azul, verde ou cinza, mai nada.
    O MS.Office é melhor que o OpenOffice. Basta instalar a versão para windows para se constactar este facto. Para mim, a principal diferença entre os dois, ou seja, aquilo que me faz optar pelo OpenOffice resume-se a 350 euros. É o preço do MS-Office.
    Se fossem os dois ao mesmo preço, eu preferiria o MS.
    Do ponto de vista daquilo que deveria ser a prática do dia a dia, ou seja, cumprir as condições da licença de software, pode-se fazer o seguinte resumo:
    XP OEM - 100 euros
    MS-Office OEM 350 euros
    Antivirus e firewall 70 euros com actualizações válidas por um ano.
    Enfim.
    O software custa tanto quanto o hardware.

    Por Anonymous André Costa, em 11 Fevereiro, 2006 16:03  

  • As versões OEM não podem ser vendidas sem ser pré-instaladas num computador novo. Devias dizer antes que o MS Office custa mais de 500€, e o Windows XP (Professional) um valor próximo dos 500€ também.

    Por Blogger Carlos Rodrigues, em 11 Fevereiro, 2006 17:12