Tudo Sobre Nada

Worst... UI... Ever!

Hoje estive a experimentar brevemente o Cinelerra (ex-Broadcast 2000) e acredito que aquilo é capaz de ser um editor de vídeo decente, e robusto e tal, mas a interface é pavorosa... um exemplo clássico de como aterrorizar os potenciais utilizadores.

Em termos de usabilidade não é brilhante, talvez seja eficaz depois de alguma habituação, mas o esquema de cores do programa parece ter sido escolhido por um daltónico... ou um cego...

Quanto aos ícones, são da mais pura programmer's art, excepção feita ao ícone do filtro "unsharp", que tem a sua piada (é uma foto do George W. Bush).

Nem sequer vou colocar aqui um mini-screenshot para não vos estragar a surpresa. Vejam e chorem...

HP Test Drive

Há uns dias descobri o HP Test Drive, onde uma grande quantidade de máquinas correndo os mais variados sistemas operativos está à disposição de quem queira fazer umas experiências.

Decidi então registar-me para experimentar o HP-UX (PA-RISC/Itanium II) e o OpenVMS (Alpha/Itanium II) - também têm Tru64 UNIX mas esse já conhecia. Passados uns minutos recebo um email com a password e os endereços de todas as máquinas.

O primeiro motivo de espanto foi apenas ser possível o acesso por telnet (e ftp).

Suponho que eles até tenham boas razões para isso, uma vez que as contas são dadas a granel e deve haver por lá um IDS qualquer a monitorar as ligações para evitar surpresas desagradáveis.

Quanto ao HP-UX, sendo um Unix, não há muito a dizer. Fiquei mais ou menos com a mesma impressão que havia ficado do Solaris, com as devidas diferenças, claro.

Mas o verdadeiro motivo de interesse é o OpenVMS. Aconselho a todos aqueles que se consideram peritos em Unix uma meia-hora de volta dele. Estou certo que se vão sentir tão perdidos quanto eu[1].

Aquilo é realmente diferente de qualquer outro sistema que havia experimentado até então[2] e a única coisa que conseguia fazer sem recorrer ao Google ou ao "help" era um "dir". Aliás, acho que os meus conhecimentos de Unix só serviram mesmo para atrapalhar.

Quanto a outras impressões, achei especialmente interessante o filesystem com "versionamento" de ficheiros (assim como uma espécie de CVS).

Experimentem!

[1] E eu já sabia ao que ia, uma vez que já tinha tido um (muito) breve contacto com este sistema operativo.
[2]
O Windows NT deriva um pouco do VMS mas as semelhanças na interacção são quase inexistentes.

A Lata

Apesar dos artigos que coloco neste blog girarem quase todos em redor de temas relacionados com a informática, hoje vou dar-me à extravagância de fugir à regra e falar sobre política.

Quem ler assiduamente o Gildot, e tiver memória para estas coisas, saberá qual é a minha cor política. Para quem não souber, é o PS. Considerem-se avisados...

Hoje assistimos a uma vitória histórica do PS - que consegue a sua primeira maioria absoluta - e também a uma derrota histórica do PSD - que tem o seu pior resultado de sempre. Mas não vale a pena bater mais no ceguinho...

Quanto à atitude dos derrotados...

Sinceramente não estava à espera que o Paulo Portas se demitisse... a derrota do CDS/PP não foi assim tão extraordinária.
No final das contas eles até se saíram muito bem, considerando que foram parte integrante do governo durante estes últimos três anos, e acabou por ser o PSD a arcar com quase todas as culpas da governação miserável em que ambos os partidos participaram.
Talvez tenha considerado que empolar a derrota e demitir-se seja a melhor estratégia. Seja como for, não derramei uma única lágrima por tal acontecimento, mas também não posso dizer que tenha sentido grande alegria. É-me indiferente.

Mas no PSD...

A oposição interna ao Santana Lopes é mais do que clara. E é também plenamente justificada... a sua liderança tem sido uma catástrofe de dimensões épicas! É natural que aqueles que realmente querem um PSD forte desejem a sua queda o mais rapidamente possível.
Mesmo aqueles que, como eu, não apoiam o PSD deverão reconhecer que um PSD descredibilizado e fraco não é bom para Portugal, portanto era importante a sua estabilização e reafirmação política.

Como tal, fiquei completamente de boca aberta quando o Santana Lopes não se demitiu.

Foi um momento verdadeiramente vergonhoso, em que um político acabado de sofrer uma valente humilhação nas urnas se recusa a demonstrar uma réstia de honra assumindo as suas responsabilidades.

Convocar um congresso extraordinário - algo inevitável - deixando em aberto a hipótese de se recandidatar à liderança após os resultados de hoje é algo verdadeiramente impensável e até revelador de uma ingenuidade rara ou uma grande falta de inteligência, senão vejamos:

Numa situação normal, e com as eleições autárquicas e presidenciais a aproximarem-se, isto poderia até funcionar a favor dele. É difícil mudar de líder quando se aproximam eleições, pois isso instila incerteza e dúvida nos eleitores - e assim se explica a sua vitória esmagadora no último congresso.
Mas neste momento o PSD de Santana Lopes está de tal modo condenado, que qualquer incerteza e dúvida provocada por uma nova liderança seria uma lufada de ar fresco, e toda a gente sabe disso. Se o Santana Lopes se tivesse demitido hoje, poupar-se-ia a mais uma derrota humilhante, desta vez dentro do seu próprio partido.

Enquanto isso não acontece, e o "cancro" não for devidamente removido, só nos resta assistir ao circo que decerto nos vai ser oferecido durante as próximas semanas.

Como diz Pacheco Pereira no seu blog:

Tenham medo, tenham muito medo... pelo PSD nas autárquicas e nas presidenciais.


E pronto, assim termina o meu primeiro artigo político neste blog. Saboreiem-no bem porque não se deve repetir tão cedo. :)
 

RSS em Portugal

O suporte ao RSS em Portugal é verdadeiramente deprimente...

Hoje passei uma data de tempo à procura de um feed noticioso para substituir o feed da BBC nos bookmarks iniciais do Firefox em português e não encontrei nada. Bem, nada oficial pelo menos, porque piratas encontrei um ou dois.

Será que nenhum jornal português sabe o que é RSS, ou pensam que é uma forma de lhes "roubarem" conteúdos? Mais um caso em que estamos na cauda do mundo.
 

Firefox pt-PT: cvs commit

Hoje ocorreu um marco histórico na tradução do Firefox para português: fiz o meu primeiro cvs commit para a árvore das localizações no cvs.mozilla.org.

Já estava a pensar que nunca mais aconteceria, dada a incrível lentidão com que decorreu todo este processo de inclusão da localização portuguesa na árvore oficial. Mas por outro lado o processo de approval das alterações[1], que eu havia feito desde então, decorreu rapidamente.

Se não houver nenhum problema, haverá uma versão portuguesa logo no dia do lançamento do Firefox 1.0.1. Por enquanto existem apenas builds de teste, neste momento para a versão 1.0 e daqui a umas horas para a versão 1.0.1 - pelo menos assim espero, a tinderbox está a trabalhar.

[1] Actualmente o branch correspondente à versão 1.0.x está sob uma politica de aprovações de todos os commits.

Impressões do Solaris 10

Com o recente lançamento do Solaris 10, decidi fazer o download para o experimentar.
Tal como nas minhas experiências recentes com os *BSD, o meu objectivo não era fazer benchmarks nem avaliar a robustez do sistema, mas apenas ficar com uma ideia do "feel" do Solaris, com o qual nunca tinha tido nenhum contacto (directo).

Os mais ansiosos podem já saltar para as screenshots.

A instalação (screenshot) é bastante fácil e decorreu sem incidentes. A única falha a apontar é a falta de suporte para o controlador USB do VMware, que provoca uma série de warnings no boot - que se podem fazer desaparecer removendo o dispositivo do perfil de harware da VM.

No entanto, demora imenso tempo. Eu escolhi a instalação default que percorre os 4 CDs base, e instala à volta de 2.7Gb para o disco, e demorou mais de meia hora.

A instalação correu a 1024x768, mas curiosamente o X "final" ficou a 640x480... O que acontece é que o instalador usa o X da Sun e, depois de passada essa fase, o X por omissão é o Xorg 6.8.0 e as definições não são migradas de um para o outro (pelo menos não todas).
A questão ficou resolvida configurando o X novamente através do "/usr/X11/bin/xorgconfig" - que eu já consigo correr de olhos fechados, uma vez que as opções a definir são sempre as mesmas no Solaris, FreeBSD, NetBSD ou OpenBSD.



Ao fazer login pela primeira vez, somos questionados (screenshot) acerca do ambiente que queremos usar por omissão. As escolhas possíveis são o CDE e o Java Desktop System 3 (baseado no GNOME 2.6).

O CDE vem com um esquema de cores um bocado folclórico (screenshot), mas o tema do JDS (screenshot) também não é muito melhor...

Mas entrando mais na área que interessa aos potenciais utilizadores de Solaris, o servidor...

A gestão de uma grande parte da funcionalidade do sistema faz-se através da Solaris Management Console (SMC - screenshot), que é interessante mas tem algumas fraquezas: é um bocado lenta - Java - e não permite alterar coisas tão básicas como o hostname da máquina.

A instalação que fiz está configurada para obter toda a informação relacionada com a rede através de DHCP, mas não recebe um hostname e então este fica simplesmente como "unknown". O problema é que definir um nome fixo implica editar uma data de ficheiros espalhados pela "/etc".
O mais curioso é a quantidade de hits que "change hostname Solaris" apanha no Google... Aparentemente este problema é das primeiras coisas com que as pessoas se deparam, e isso ainda não levou a Sun a arranjar uma forma simples de o resolver.

Depois vêm as diferenças em relação ao Linux: muitos comandos não existem ou têm opções diferentes - muito mais do que nos *BSD.

O primeiro que dei por falta foi o "top", e ainda não descobri que comando fornece uma funcionalidade semelhante, sem ter de recorrer à SMC.

Também achei piada ao ping, que apenas devolve "host X is alive".

As minhas viagens através da hierarquia de ficheiros deixaram-me uma sensação de alguma desorganização, mas isto também me aconteceu com o IRIX e Tru64 (mas não com os *BSD). Também notei que não existe o clássico "man hier" para ajudar na familiarização inicial.

De resto, não fiquei muito impressionado e dificilmente escolheria o Solaris x86 em detrimento de uma distribuição "enterprise" de Linux. Não porque o Solaris seja de alguma forma inferior em tarefas de servidor, até porque não fiz benchmarks nem nada, mas porque também não parece ter nada que realmente o justifique.
 

Qt/Windows 4.0 GPL só com GCC

Depois de ter sido anunciado que a próxima versão do Qt/Windows (4.0) irá estar disponível também sob os termos da GPL, descobre-se agora que apenas o GCC será suportado.

A biblioteca em si pode ser usada com qualquer compilador, mas as ferramentas necessárias para poder ser usada no Visual C++, por exemplo, apenas farão parte da versão comercial.

Ter de usar o MinGW ou o Cygwin vai desmotivar a maioria dos programadores que já pensavam nas possibilidades que um Qt/Windows GPL abria. Pelo menos eu fiquei desmotivado.

É uma grande frustração.

Qt/Windows 4.0 com dual-licensing

A Trolltech anunciou ontem que o Qt/Windows 4.0 irá ser licenciado nos mesmos moldes que as restantes versões (X11, Mac e Embedded). Isto significa que se poderá começar a desenvolver software opensource (GPL ou QPL) para Windows com um toolkit de qualidade, sem ter de pagar uma pequena fortuna por uma licença comercial.

Isto são excelentes notícias!

O Qt é mais do que apenas um toolkit gráfico, é uma biblioteca de classes abrangente, assim como a biblioteca de classes do Java, mas para C++.
Com o Qt, quem desenvolve software opensource para Windows, em C++, pode finalmente livrar-se do MFC e da horrível STL, e ao mesmo tempo garantir uma portabilidade quase directa para Unix/Linux e MacOS X.



Eu já tive alguns contactos com o Qt, e digo-vos... aquilo consegue tornar a programação em C++ em algo realmente agradável.

Mas esta medalha também tem o seu reverso: facilitar a expansão do opensource em Windows pode retirar muita importância ao Linux no desktop. No entanto, eu acredito que este impacto será muito ligeiro - se ocorrer - porque será compensado pelo aumento da portabilidade que eu já referi.

Seja como for, a expansão do opensource é sempre importante, e beneficia sempre todos, seja qual for a plataforma em que tal ocorra. Como eu já tenho dito, não me importaria de ver o Linux apenas no servidor e nas workstations, se isso significar a existência de uma convivência saudável e com interoperabilidade entre todas as plataformas.

Eu não quero impor a minha escolha a toda a gente, mas também gostaria que não me colocassem obstáculos só porque escolho usar Linux.

Já agora, seria bom se o PyQt adoptasse o mesmo esquema de licenciamento. Eu prefiro o PyGTK, mas o PyQt permitiria fazer interfaces gráficos multiplataforma com bom aspecto, usando Python.

Eu sei que já se pode usar o wxPython, mas aquilo tem umas dependências enormes em Linux. E o TKinter (o default) é absolutamente pavoroso, seja qual for a plataforma.

Actualização: O responsável pelo PyQt já anunciou que iria seguir a mesma política que o Qt/Windows, mas não arrisca datas para o port para a versão 4.0.