Com o recente lançamento do
Solaris 10, decidi fazer o
download para o experimentar.
Tal como nas minhas experiências recentes com os *BSD, o meu objectivo não era fazer
benchmarks nem avaliar a robustez do sistema, mas apenas ficar com uma ideia do "feel" do Solaris, com o qual nunca tinha tido nenhum contacto (directo).
Os mais ansiosos podem já saltar para as
screenshots.
A instalação (
screenshot) é bastante fácil e decorreu sem incidentes. A única falha a apontar é a falta de suporte para o controlador USB do
VMware, que provoca uma série de
warnings no
boot - que se podem fazer desaparecer removendo o dispositivo do perfil de
harware da VM.
No entanto, demora
imenso tempo. Eu escolhi a instalação
default que percorre os 4 CDs base, e instala à volta de 2.7Gb para o disco, e demorou mais de meia hora.
A instalação correu a
1024x768, mas curiosamente o X "final" ficou a
640x480... O que acontece é que o instalador usa o X da Sun e, depois de passada essa fase, o X por omissão é o
Xorg 6.8.0 e as definições não são migradas de um para o outro (pelo menos não todas).
A questão ficou resolvida configurando o X novamente através do "/usr/X11/bin/xorgconfig" - que eu já consigo correr de olhos fechados, uma vez que as opções a definir são sempre as mesmas no Solaris, FreeBSD, NetBSD ou OpenBSD.
Ao fazer
login pela primeira vez, somos questionados (
screenshot) acerca do ambiente que queremos usar por omissão. As escolhas possíveis são o
CDE e o
Java Desktop System 3 (baseado no
GNOME 2.6).
O CDE vem com um esquema de cores um bocado folclórico (
screenshot), mas o tema do JDS (
screenshot) também não é muito melhor...
Mas entrando mais na área que interessa aos potenciais utilizadores de Solaris, o
servidor...
A gestão de uma grande parte da funcionalidade do sistema faz-se através da
Solaris Management Console (SMC -
screenshot), que é interessante mas tem algumas fraquezas: é um bocado lenta - Java - e não permite alterar coisas tão
básicas como o
hostname da máquina.
A instalação que fiz está configurada para obter toda a informação relacionada com a rede através de DHCP, mas não recebe um
hostname e então este fica simplesmente como "unknown". O problema é que definir um nome fixo implica editar
uma data de ficheiros espalhados pela "/etc".
O mais curioso é a quantidade de
hits que "change hostname Solaris" apanha no Google... Aparentemente este problema é das primeiras coisas com que as pessoas se deparam, e isso ainda não levou a Sun a arranjar uma forma simples de o resolver.
Depois vêm as diferenças em relação ao Linux: muitos comandos não existem ou têm opções diferentes - muito mais do que nos *BSD.
O primeiro que dei por falta foi o "top", e ainda não descobri que comando fornece uma funcionalidade semelhante, sem ter de recorrer à SMC.
Também achei piada ao
ping, que apenas devolve "host X is alive".
As minhas viagens através da hierarquia de ficheiros deixaram-me uma sensação de alguma
desorganização, mas isto também me aconteceu com o
IRIX e
Tru64 (mas não com os *BSD). Também notei que não existe o clássico "man hier" para ajudar na familiarização inicial.
De resto, não fiquei muito impressionado e dificilmente escolheria o Solaris x86 em detrimento de uma distribuição "enterprise" de Linux. Não porque o Solaris seja de alguma forma inferior em tarefas de servidor, até porque não fiz
benchmarks nem nada, mas porque também não parece ter nada que realmente o justifique.