Tudo Sobre Nada

Firefox PT

Como alguns de vocês poderão saber, a versão portuguesa (pt-PT) do Firefox tem sido tarefa minha até aqui. No entanto, entre o trabalho e a faculdade (e o obrigatório "decompression time") não tenho tido disponibilidade para me dedicar a isto.

Segundo o roadmap público, ainda deveria estar para sair a versão "Deer Park Alpha 2", seguida da "Beta 1", o que me deixava esperanças de poder avançar com isto a partir da segunda metade de Julho, já depois de terminado o período de exames.

Mas eis que os powers that be, anunciam que na próxima sexta-feira (dia 8) o branch 1.1 será separado do trunk de desenvolvimento e todas as submissões passarão a estar sujeitas a aprovação...

Ora, com esta nova realidade, as probabilidades de haver um Firefox 1.1 em português a tempo do lançamento da versão inglesa são bastante reduzidas.

Seja como for, coloquei um post no fórum do Projecto de Localização do Mozilla para Português, a ver se alguém está disposto a colaborar...

Como devem compreender, esta situação não me deixa contente, mas suponho que é algo inerente a um projecto que depende do tempo livre de uma única pessoa... E o dia tem apenas 24 horas.

Costuma dizer-se: "faz-se o que se pode e a mais não se é obrigado", mas mesmo assim...
 

This shipment completes your order

Acabaram de chegar (da Amazon) aquelas que vão ser as minhas leituras para os próximos tempos (assim que acabarem os exames, e depois do "Breve História do Tempo", quero dizer...):

    

Os dois primeiros vão servir para colmatar as minhas fraquezas no que se refere à programação para a web. O meus conhecimentos de CSS são muito rudimentares e quanto ao Javascript/DHTML, bem... não existem.
Até aqui os meus interesses andaram um bocado afastados desta área, mas as possibilidades no domínio das web applications têm-me vindo a fazer mudar de ideias.


Quanto ao "Programming Ruby", já que estou com as mãos na massa...
E depois, com todo o buzz em redor do Ruby e mais particularmente do Ruby on Rails, até é capaz de valer a pena.

Mas a minha wish list ainda não está vazia... (sim, C#...).

E a propósito de livros, as nossas livrarias gostam bem de "meter a unha" nos livros técnicos... Estes três custaram-me tanto quanto me custariam apenas dois por cá.
 

Streaming media

Windows Media

Nos últimos anos o uso de Windows Media tem crescido sempre a bom ritmo, com muitos sites a disponibilizarem conteúdos apenas neste formato.

Para os utilizadores de Windows é uma maravilha, pois o Windows Media Player já vem com o Windows e a preguiça (quando combinada com o espirito de manada) é uma doença que afecta a maioria das pessoas.


Já os utilizadores de Mac são obrigados a instalar o Windows Media Player para MacOS X que, da última vez que o experimentei, me pareceu uma versão fraquinha e cheia de bugs. Não se podia minimizar o Safari enquanto se tocava um stream - senão não voltava a funcionar - e rebentava de vez em quando.

No Linux, et al, é a história do costume... O xine e o mplayer conseguem tocar uma grande parte dos streams, mas nunca de origem. É sempre preciso saltar alguns obstáculos e sacrificar uns cabritos aos deuses até que funcionem mais ou menos bem.

Quicktime

O Quicktime ainda goza de bastante popularidade, especialmente como forma de disponibilizar trailers de filmes online. A Apple ainda tem boa reputação junto de quem produz conteúdos e a qualidade dos streams é bastante boa, o que ainda consegue compensar a vantagem do Windows Media Player e o seu factor "preguiça".


O formato é bem suportado em Windows e Mac, com um leitor de fácil instalação e sem bloat. Isto, claro, antes da Apple ter começado a "esconder" o link para download da versão standalone e a promover a versão bundled com o iTunes.

Em Linux... tal como para Windows Media, o suporte é uma porcaria.

Real Media

O formato mais interoperável dos três, com bom suporte em Windows, Mac, Linux e mesmo em dispositivos móveis. No entanto, existe uma razão clara para estar a perder muito terreno para o Windows Media... Praticamente toda a gente que eu conheço foge do Real Player, em Windows, como da peste.

Além de puro bloatware, o Real Player para Windows é extremamente irritante! Vejamos porquê...

  • É preciso andar a "escavar" no site - todo ele querendo enfiar-nos as versões ainda mais bloated pela garganta abaixo, de uma forma completamente obtusa - para encontrar a versão "Basic" (que é tudo menos "básica");
  • Os popups que, ocasionalmente, saltam do system tray são de dar um tiro na cabeça, e a maioria das pessoas não faz a mínima ideia de como se livrar deles. No entanto, não são tão maus como as constantes interrupções do McAfee e o seu botão/link "Continue what I was doing...";
  • Durante a instalação, se não tivermos cuidado, associa-se a tudo quanto é formato multimédia. God damn it!
  • A interface daquilo é de fazer sangrar a vista...

A versão 10 já melhorou bastante, mas apenas quando comparada com a versão anterior...

Aqui eu fico bastante dividido... por um lado abomino a versão Windows do Real Player, mas por outro lado os formatos da Real são os que melhor funcionam em Linux.
Mas já não é a primeira vez que estou nesta situação, pois ainda me lembro do Netscape 4, essa coisa lenta e instável que se fazia passar por browser...
 

Version madness


Parece que a Sun se prepara para anunciar novas alterações ao esquema de versões do Java [via Rui Carmo].

Parece-me um bom passo, isto é, se a Sun conseguir finalmente inventar algo que se consiga aguentar durante mais de 1 ano e que contribua para reduzir a confusão em vez de a aumentar ainda mais.

É que ter coisas como "Java 2 Standard Edition v5.0 update 4", que na realidade tem a versão "1.5.0_04-b05", dão cabo da sanidade das pessoas...

A propósito, quem devia dar uma volta ao seu esquema de versões é a comunidade open-source em geral. Começo a ficar farto de software que nunca atinge a versão 1.0, e julgo que não serei o único.

Parece que a versão 1.0 é uma coisa mágica, que só existe a partir do momento que o software se torna über-estável...

Deixem-se disso, versões 0.x deveriam indicar software que ainda não está preparado para consumo público, e não "errr, tenho medo de que ainda tenha por lá um ou dois bugs...".

Esta version paralisis transforma os números de versão em algo sem qualquer significado. Uma versão 0.1.1 devia ter pouco mais do que uma função "main", mas no estado em que estão as coisas até pode ser um monstro de 1 milhão de linhas de código, sem novos bugs descobertos na última meia-dúzia de anos...

PS: Também seria bom se a Sun trouxesse o instalador do Java para o século XXI, e uma nova versão removesse a antiga. Se um gajo não se puser a pau, acaba com o "Java 5.0", "Java 5.0 update 1", "Java 5.0 update 2", "Java 5.0 update 3" e "Java 5.0 update 4", tudo instalado ao mesmo tempo. Caramba, pelo menos façam isto para as minors... (e já agora, que o JDK também se adicionasse à "PATH" e definisse a variável "JAVA_HOME" - é que nem em Windows...)
 

Xiii...

...I can see my house from here...

...e o meu local de trabalho/estudo daqui...
 

Kill'em all!

The end of free Internet content will come when Web browsers start blocking online advertisements by default, a DoubleClick executive has warned.

Quando leio coisas destas fico sempre a pensar se os publicitários têm alguma deficiência genética que os impede de fazer uso do senso comum, ou se são simplesmente estúpidos...

Aparentemente na área da publicidade os conceitos de «paciência» e «tolerância a abusos» são totalmente alienígenas.

Enquanto a publicidade na Internet se fica pelos banners, e pelas animações flash embebidas nas páginas, ainda é tolerável, mas esta malta não fica satisfeita com tão pouco. É preciso arranjar meios muito mais obtusos de torrar a paciência às pessoas.


Quando se começa a apanhar com publicidade ao estilo IOL, deixa de ser um ligeiro incómodo para passar a ser uma declaração de guerra. Por esta altura já não me interessa apenas bloquear a publicidade, eu quero sangue! É publicidade, vai fora, quer incomode ou não.

Esta falta de peso e medida na publicidade também é bem patente na televisão. Quando a meio de um filme, ou série, espetam com um intervalo de 15 ou 20 minutos, acreditam mesmo que alguém vai ficar a ver os anúncios? As pessoas já sabem que vai demorar, por isso aproveitam logo para ir dar uma longa mija, o que não aconteceria se fossem curtos. Se fossem curtos as pessoas ficavam à frente da televisão a ver os anúncios.

E pior, muitas vezes as pessoas nem sequer voltam.

Mais uma vez, o abuso da publicidade tem exactamente o efeito contrário do que que os publicitários esperam alcançar.

E de quem é a culpa? Se as pessoas estão em guerra com a publicidade, e fazem qualquer coisa para se ver livre dela, os publicitários apenas se podem acusar a eles próprios.

Não são as ameaças de conteúdos pagos que vão tornar as pessoas receptivas a atentados contra a sua sanidade mental...
 

Estamos mal

Um pequeno estudo conclui que 10% dos sites do Reino Unido não são compatíveis com o Firefox. Eu digo que é provavel que estejam bem melhor do que nós em Portugal...

Apesar de navegar pouco por sites portugueses, parece ser sempre nestes que encontro as maiores falhas. Além disso, os portugueses têm o costume irritante de não só ignorarem as sugestões, como nem sequer se dignarem a responder.

E quando respondem, normalmente são mentirosos, dizendo que vão tratar do assunto (algo que nunca aconteceu).

De todos os sites que já foram acrescentados à Lista Negra de Sites Portugueses, só me lembro de ter removido 2 por terem passado a funcionar - em ambos os casos, sites que foram completamente reescritos from scratch.

E a maioria dos problemas são tão simples, que até mete impressão como ninguém se digna a perder uns minutos a tratar do assunto.

Mas não é de admirar... As esmagadora maioria das empresas portuguesas não dá o mínimo valor à sua imagem[1], e quem desenvolve páginas normalmente não tem o mínimo de profissionalismo (nos casos em que a capacidade técnica existe).

Com o número de utilizadores do Firefox a aumentar, os únicos a perder serão aqueles que não se preocupam em ter um site bem feito.
A maioria das pessoas tem pouca paciência e, se o site não for realmente importante, simplesmente seguem em frente e não se preocupam em abrir outro browser para "disfrutar da experiência completa".


[1] Se quiserem um exemplo paradigmático disto, podem olhar para a nossa agricultura. Constantemente nos tentam impingir a ideia de que a laranjas portuguesas são melhores do que as espanholas, apesar do seu aspecto normalmente nojento, cheias de fuligem (fungos). Se realmente são melhores, custava muito lavá-las?! Eu não noto diferença nenhuma e prefiro comprar as mais baratas e com aspecto muito mais comestível.
 

OpenSolaris

Já há uns dias que a Sun lançou o OpenSolaris, mas ninguém parece ter ligado pevide.

Portanto, nada me faz pensar o contrário do que eu tenho dito até aqui, a Sun não vai conseguir gerar uma comunidade relevante em redor do OpenSolaris, e muito menos vai conseguir usá-lo para fazer mossa no Linux.

E é fácil perceber porquê... A licença do OpenSolaris é uma espécie de "all your code are belong to us" ao mesmo tempo que não permite o scavenging de peças para inclusão noutros projectos.

Adicionalmente, o produto real continua a ser o Solaris, e a sua versão open será sempre o parente pobre. Ora, ninguém quer usar software maneta, especialmente quando pode obter a versão completa de borla.

O Solaris pode não ser livre, mas o OpenSolaris também só é pseudo-livre.

Se uma árvore cair no meio da floresta, e não estiver ninguém por perto, será que faz barulho?

 

DocuWiki

Um bom administrador de sistemas deveria preocupar-se sempre em documentar convenientemente as máquinas que administra e os processos que aplica no seu trabalho. No entanto o tempo é escasso e o "conveniente" acaba por ser sempre uma data de ficheiros de texto avulsos e uns papéis com notas.

Estou convencido de que um wiki é a melhor forma de dar conta deste problema. Além de permitir uma centralização da documentação, permite também que esta seja editada de uma forma ad-hoc e rápida.

Portanto, andei à procura de um que fosse ligeiro e suportasse autenticação. Não me apetece usar uma granada para matar uma formiga, nem deixar toda a gente mexilhar lá à vontade...



Comecei por olhar para o MediaWiki (que serve de base à Wikipedia), depois para o MoinMoin e mais uns quantos, mas finalmente acabei por escolher o DokuWiki.

O DocuWiki é supreendentemente fácil de instalar e não tem requisitos nenhuns para além do PHP. Foi só descomprimir para uma directoria dentro da DocumentRoot do Apache e em poucos minutos estava completamente configurado.

Além do mais, tem bom aspecto, cumpre os standards web e ainda fornece um feed RSS... Simplesmente excelente!

PS: não esquecer de confirmar que o Apache está a honrar os ficheiros .htaccess ("AllowOverride All"), senão as configurações e as hashes das passwords dos utilizadores ficam expostas. Dada a natureza do serviço, não é crítico... mas convém tomar atenção.

OMG! I'm blind...!

Numa entrevista à Forbes, o Theo De Raadt diz o seguinte acerca do Linux:

"It's terrible, [...] everyone is using it, and they don't realize how bad it is. And the Linux people will just stick with it and add to it rather than stepping back and saying, 'This is garbage and we should fix it.'"


Ouch...


E acrescenta...

"It is taking a long time for the Linux code base to get where BSD was ten years ago."


Atrever-me-ei a dizer... "SMP"?

"NewsForge: [...] Do you think the BSD project you work on is better technically for some or all uses than GNU/Linux (in general)?

Theo de Raadt: I don't know. I have never run Linux."


RMS, põe-te a pau...
 

Hmmpf...

Às vezes ponho-me a pensar se não escolhi o ramo errado... a pesca era capaz de ser porreira, pelo menos não inclui servidores com fanicos a fazerem disparar os níveis de stress de um gajo...

O que vale é que uma boa dose de sci-fi (Stargate SG-1) faz maravilhas a qualquer geek que se preze...
 

Mudanças...

Na página inicial do Gentoo pode ler-se:

Gentoo founder and former Gentoo Chief Architect Daniel Robbins began a new position at Microsoft on 23 May 2005. According to drobbins: "I'm helping Microsoft to understand Open Source and community-based projects."


Vamos ver se o Longhorn também vai ser instalável from source...
 

Fear Debian!

Depois de ler este excelente artigo do Ian Murdock (o "ian" em "Debian"), fiquei ainda mais convencido de que o Debian tem um potencial tremendo que ainda se mantém sub-aproveitado.

A ideia do artigo é mais ou menos esta...

Imaginem se em cada canto do mundo aparecessem empresas locais tipo Red Hat - dedicadas à venda de suporte para uma distribuição de Linux - e todas se baseassem no Debian... Na prática, estariamos perante uma distribuição com suporte global distribuído. Algo deste género poderia ter uma força tremenda!

Mas para uma coisa destas poder acontecer, o ciclo de releases teria de ser mais previsível e a comunicação com os ISVs teria de ser possível...
 

E17

Só como demonstração de que o problema fundamental do Linux no desktop não é a falta de capacidade puramente tecnológica, recomendo estes vídeos do Enlightenment E17 em acção:

Vídeo 1 / Vídeo 2 / Vídeo 3 / Vídeo 4


Já experimentei e é realmente bonito e rápido, mas só o usei durante umas horas... em termos de usabilidade não é nada de especial.
Isto para não dizer que é mau, já que passei um monte de tempo a tentar meter um simples jpeg como wallpaper - é preciso compilá-lo para um formato qualquer primeiro, usando umas ferramentas (obscuras) na linha de comandos.

Não é difícil, mas a única coisa que me ocorreu foi: too much trouble...

O amor é cego

Eu tenho uma teoria para explicar o aparecimento das frustrações de que falava no último artigo...

Muita gente na comunidade Linux defende sempre a sua dama, quer existam razões para isso ou não, mesmo quando interiormente sentem que estão a esticar a corda.

Ora, um ambiente onde toda a gente acha que está tudo bem, é um ambiente que não evolui. Assim, os problemas vão-se eternizando, e os "religiosos" vão enchendo e enchendo, até que lhes salta a tampa. Nessa altura, as suas convicções deixam de ser suficientes para abafar os problemas que eles sempre souberam que existiam (mas nunca admitiram)...


É nestas alturas que os mais zelotas se transformam em inimigos figadais do que até então defendiam até à morte.

É preciso quebrar este ciclo, é preciso manter os olhos abertos e não ter receio de admitir que existem problemas, e que estes têm mesmo de ser resolvidos.

Para mais, o advocacy cego não acaba só por conduzir a um burn out de quem o pratica... pelo caminho acaba também por criar anticorpos naqueles que se quer evangelizar...

Por isso é que acho que o melhor é ser-se completamente sincero e tentar evangelizar para o uso do Linux (e do software open-source em geral) de uma forma racional e adequada a cada caso.

Por exemplo, se alguém me vier dizer que vai montar um servidor web com Windows e IIS, a minha resposta é automática: «Porque não usar um Linux com Apache?». Ou quando alguém me diz que vai usar um Microsoft SQL Server: «O PostgreSQL é excelente, tens a certeza que não serve para o que tu queres?».

Agora, quando alguém - especialmente alguém não geek - me diz que está a pensar em usar Linux porque está farto do spyware em Windows...: «Estás maluco? Tens a certeza que sabes no que te vais meter?».

Pode parecer uma dualidade de critérios a alguns, mas não o é de certeza. E porquê?

Porque se eu andar por aí a recomendar Linux no desktop, o mais certo é estar a contribuir para montes de utilizadores desiludidos que vão ficar vacinados para sempre...


Mais tarde, quando/se o Linux conseguir ultrapassar os problemas que tem hoje e se transformar numa excelente alternativa no desktop, esses utilizadores nunca mais voltarão a acreditar em mim.

Mas o caso é ainda mais grave, e as consequências vão para além do desktop...

Esses utilizadores vacinados nunca mais vão querer considerar o Linux para nada, mesmo que lhes prove por a + b que é a melhor solução. Na cabeça deles o Linux será sempre aquela porcaria que eles viram no desktop, mesmo quando a qualidade no desktop é ortogonal à qualidade para inúmeras outras tarefas.

Julgo que isto tudo acaba por ser senso comum, e se resume a uma questão de credibilidade. E o maior trunfo de um "evangelista" é a sua credibilidade.

Representar o papel de advogado do diabo pode ser a melhor estratégia em algumas situações...

PS: Não, ainda não me saltou a tampa... ;)
 

Take a look inside...

The future direction of xscreensaver has become... highly ambiguous.

A notícia da mudança do Jamie Zawinski para o MacOS X (via Rui Carmo), deixou-me esta ideia na cabeça...

Apesar das ameaças clássicas da Microsoft e da Apple (agora a caminho do x86), a maior ameaça ao futuro do Linux no desktop não vem de fora da comunidade, mas sim de dentro.

Os sucessos do Linux no backend não têm sido acompanhados por uma evolução animadora no desktop[1], e isso gera frustrações. Como eu costumo dizer, o que incomoda não são os problemas que ainda subsistem[2], é a falta de confiança de que venham a ser resolvidos no médio-prazo.

Muitos, fartos de promessas e já sem esperança, simplesmente desistem e regressam ao Windows ou migram para o MacOS X.

Ao contrario dos que regressam ao Windows, os que emigram para o MacOS X fazem-no com orgulho e sem remorsos (até porque, tecnicamente, não sairam do mundo Unix), o que acaba por seduzir outros a seguirem o mesmo caminho.

Nunca antes se viram tantos geeks a usar Macs como agora...

[1] Eu sei que já repeti isto ad nauseum...
[2] Damn... leio demasiado inglês, parece-me sempre que tem um "i" a mais: «subsystem». :)
 

.netsh

A Microsoft está a preparar-se para introduzir uma nova shell no Windows, a MSH (Monad).

Supostamente será a melhor coisa desde o pão às fatias - até melhor do que a bash - com funcionalidades que incluem pipes que conseguem passar objectos e XML e tal.

Tudo isto é muito interessante - e o Windows realmente precisa de uma CLI decente - mas o seu desenvolvimento já começou há alguns anos e ainda se espera que demore outros tantos mais até estar disponível por default no Windows.

É assim tão difícil fazer uma simples shell?...

A não ser que estejam a tentar fazer da MSH uma bomba atómica, com todas as funcionalidades possíveis e imagináveis, e com a capacidade para fazer tudo excepto estrelar ovos.

News flash para a Microsoft...

A maioria dos utilizadores da bash nunca a usam de forma muito complexa, limitando-se a fazer uns scripts simples que, no máximo, usam uns ciclos for e uns ifs.

O poder da bash está no feel e na simplicidade, e não nas funcionalidades. Se isto não fosse verdade, andaríamos todos por aí a usar shells baseadas em Python ou Perl...

O resultado disto é que a Microsoft conseguirá produzir uma linguagem de scripting poderosa (e complexa), mas a CLI do Windows continuará a mesma bosta de sempre.

Because those that don't understand Unix are bound to reinvent it, badly.

 

Demonstração de Cultura

Há alturas na vida de um administrador de sistemas, em que é necessário tomar decisões importantíssimas. Nessas alturas é importante recorrer a todas as fontes que nos possam ajudar a tomar a decisão correcta.

Talvez a mais importante destas decisões - quiçá de vida ou morte - é a escolha de um nome para uma nova máquina.


As escolhas mais populares recaem normalmente sobre as mais conhecidas criaturas/entidades mitológicas, mas não tem necessariamente de ser assim...

Agora já podem escolher nomes obscuros - mas de tom importante - que semearão a interrogação e curiosidade entre os colegas e utilizadores, recorrendo à Encyclopedia Mythica.
 

11%

Segundo uma estatística francesa (via spreadfirefox.com) sobre a utilização do Firefox na europa, Portugal até nem está muito mal...



Finalmente!

Agora é oficial! Após quase 3 anos passados desde o lançamento da última versão stable ("Woody") do Debian, acabou de ser lançado o "Sarge".


Go forth, and download...
 

Ilações

Apesar do meu cepticismo acerca desta mudança da Apple para o mundo do x86, não posso deixar de reparar em algumas coisas curiosas...

A Microsoft deu uma facada na Intel escolhendo o PowerPC para alimentar a sua nova Xbox 360, e a Intel responde com uma facada na Microsoft, passando a fornecer CPUs para a sua principal concorrente no desktop.

A AMD, apesar de ficar mais ou menos na mesma posição em que está actualmente (afinal a soma da Intel mantém-se: sai a Xbox e entra o Mac), vai precisar de investir mais em publicidade. A expansão do "Intel Inside" para o mundo Apple torna-a ainda mais um fabricante apenas reconhecido (e apreciado) pelos consumidores mais informados.

O facto de ambos os sistemas operativos mais populares no desktop passarem a partilhar a arquitectura x86 (mesmo que sobre plataformas distintas), vai entalar o desktop Linux...
Se a Apple for bem sucedida nesta mudança, o suporte por parte dos fabricantes de hardware fica facilitado - pois já não se trata de suportar um sistema operativo diferente e uma arquitectura completamente diferente - e o Linux ficará permanentemente na 3ª posição, com poucas hipóteses de recuperação.

Actualização: parece que há mais quem concorde com a minha visão do impacto que isto poderá vir a ter no desktop Linux.
 

Danger, Will Robinson!

Afinal os rumores confirmam-se, a Apple vai mesmo largar o PowerPC e adoptar o Pentium 4.


Considero esta mudança extremamente perigosa... Os Macs baseados em PowerPC acabaram de ganhar uma aura de end-of-life, que vai prejudicar seriamente as vendas da Apple até ao dia em que a migração esteja completa.

Além disto, o esforço de portar todas as aplicações vai ser grande, e eu acredito que os fabricantes de software que desenvolvem para plataformas da Apple já começam a ficar um bocado fartos destas revoluções constantes.

Apesar da anunciada camada de emulação transparente "Rosetta", eu não estou convencido que as pessoas estejam dispostas a aceitar a penalização de performance que isso implica.

Com esta mudança, a Apple vai provavelmente alienar uma parte significativa da sua base de fãs, e dar uma razão aos potenciais "switchers" para se manterem no seu confortável mundo dos IBM-PC compatibles.

E eu não tenho um Mac.
 

Porquê formatos livres?

Faz sentido reconhecer que o modelo open-source não é viável em muitas situações, tal como faz sentido recusar seguir a via fundamentalista que professa que todo o software deve ser livre. No entanto, o mesmo já não se pode dizer quanto aos formatos livres.

Para começar, é preciso deixar bem claro que um formato aberto não é necessariamente livre. Se a especificação for pública mas eu não tiver o direito de a implementar sem restrições (e pagar royalties é uma restrição), então não é livre. Esta distinção é muito importante e faz toda a diferença.

Apesar de acreditar no modelo open-source, a minha verdadeira "religião" é a interoperabilidade. Ora, toda a motivação para a interoperabilidade resulta de uma noção muito simples: cada um deve ter total controlo sobre os seus próprios dados.

Esses "dados" não existem no vácuo, são - e serão - invariavelmente suportados por algum formato de representação persistente. Sendo assim, não existe verdadeiro controlo sobre os dados se estes estiverem representados num formato que não possamos utilizar de qualquer forma, para qualquer fim, e sem qualquer controlo por parte de terceiros.

Os formatos livres...

  • ...têm o potencial de permitir aos utilizadores o uso dos seus dados de formas nunca imaginadas pelos autores do formato, usando ferramentas desenvolvidas por si ou por terceiros.

  • ...têm o potencial de permitir aos utilizadores oferecer os seus dados a qualquer pessoa, sem obrigar à compra ou uso de qualquer software em particular.

  • ...garantem o acesso futuro aos dados pois, seja qual for a situação que impeça o uso do software original, havendo acesso aos ficheiros existe sempre a possibilidade de desenvolver software para a sua leitura e possível conversão para outro formato.

O consumidor deveria reconhecer os formatos proprietários como um puro instrumento de lock-in - sem qualquer valor acrescentado para si - e preferir o uso de formatos livres, sempre que possível.

E se esse consumidor for a administração pública - com o acrescido poder negocial que detém - a preferência por formatos livres deveria ser um requisito (quase) obrigatório.
 

Open-source, apenas para infraestrutura?

Acho que já aqui casquei o suficiente nos detalhes do desktop Linux, portanto desta vez vou tentar pegar nisto por outra ponta...

Com o passar do tempo vou-me convencendo cada vez mais de que a comunidade open-source só consegue atingir patamares elevados de qualidade quando se trata de software estrutural (ou estruturante, conforme queiram). Quando se trata de software final (i.e. aquele que o utilizador comum vai usar directamente, as is) o cenário muda totalmente de figura.

O Apache, o PostgreSQL, o kernel Linux, entre tantos outros, têm uma qualidade reconhecida, e em muitos aspectos são mesmo la crème de la crème, mas ninguém diz que o Gnome ou o KDE são do melhor que há. Quando muito, dizem que dá para fazer tudo o que interessa, que já estão melhores do que antigamente, ou que não são piores do que o Windows - algo que não transmite absolutamente nenhuma confiança.

Julgo que cada um de vocês terá uma opinião acerca disto: uns poderão demonstrar por a + b que é totalmente falso, outros dirão que é um defeito inerente ao modelo open-source, etc, etc. Eu digo apenas que é um problema da forma como a comunidade é constituida actualmente...

Hoje em dia a comunidade open-source (activa) é composta na sua esmagadora maioria por programadores hard-core, daqueles que gostam mesmo do lado "engenharia" da coisa, quer sejam já experientes ou ainda "aprendizes".
Apesar deste tipo de pessoas ter normalmente uma grande capacidade criativa quando se trata de encontrar soluções para problemas, também raramente têm algum sentido estético ou do que significa a palavra "usabilidade". Isto falando apenas daqueles que se propôem tentar fazer algo que exige sentido estético e sensibilidade para a questão da usabilidade, já que a maioria acaba por fugir deste tipo de projectos (não por reconhecerem as suas limitações, mas por falta de interesse).

O elemento comum da comunidade open-source é capaz de desenvolver uma excelente linguagem/plataforma, um excelente toolkit, ou um excelente application server, mas não uma excelente aplicação baseada nestes três componentes.

Portanto, a maioria dos elementos activos na comunidade parecem-me ser tipos que só jogam em casa quando se trata de desenvolver software que permite a terceiros desenvolver soluções interessantes. É uma espécie de comunidade dos bastidores.

O Linux (no global, não apenas o kernel) é bem representativo disto: tem razões de peso para ser uma boa escolha no servidor e nos sistemas embebidos, e tem um enorme potencial como base para appliances de rede ou ao nível do consumidor (todos aqueles sistemas embebidos que têm uma interface gráfica não trivial). Algo como um kiosk ou máquina multibanco poderia bem ser baseada em Linux, sem perda de qualidade em comparação com qualquer outra solução.

Esta tendência da comunidade para ser enabler de soluções, mais do que fornecedora, é o que tem atraído a participação de um grande número de empresas, que se juntam à comunidade pagando a programadores ou financiando projectos.
No fundo, isto acontece porque estas empresas que assim participam não vêem a comunidade open-source como um concorrente, mas como um fornecedor de componentes.

É por isto tudo que eu digo que a comunidade open-source tem capacidade para conquistar o mundo, mas não no desktop.

Pessoalmente (já) não considero isto um problema. A minha visão dos objectivos essenciais do movimento open-source (no geral) abarca principalmente as questões da interoperabilidade e da partilha de conhecimentos, que não são em nada ameaçadas por esta situação, talvez até o contrário.