Tudo Sobre Nada

Unix: 1 - Windows: 0

Ter uma máquina presente em múltiplas VLANs através da mesma interface de rede é facílimo em Linux (especialmente em Debian, que o permite fazer de forma elegante directamente no /etc/network/interfaces). Além do Linux, pelo menos o FreeBSD, o OpenBSD e o Tru64 também suportam este tipo de configuração.

Em Windows andei a tentar descobrir como o fazer, e a conclusão a que cheguei foi: não se faz.

Autárquicas 2005

Portugal é uma república das bananas. Não porque temos corruptos e caciques candidatos a autarquias, mas porque provavelmente vão ganhar.

O povo é estúpido, não há nada a fazer. Merecem ser roubados e tomados por otários.

expect

O expect é uma daquelas ferramentas ignoradas e incompreendidas que existem em quase todas as instalações de Linux mas passam despercebidas durante anos.

É uma ferramenta bastante simples à primeira vista, mas bastante poderosa quando se olha com mais atenção.
Na sua forma mais básica é apenas uma forma de automatizar sessões interactivas com pares "expect/send", mas como a linguagem utilizada é Tcl, a automatização pode ser levada a níveis bastante interessantes, com lógica associada.

Esta semana revelou-se bastante útil para terminar a segmentação da rede do DQ de que eu falava na semana passada.

As alterações necessárias não eram iguais para todos os switches, e eu não queria ter de as efectuar manualmente para a rede não estar em baixo umas horas, além de ser uma seca de todo o tamanho...

Uns scripts de expect depois, e as modificações não representaram mais do que um soluço no funcionamento da rede: 31 switches afectados em menos de 2 minutos, quando manualmente demoraria 5 minutos a modificar cada um deles.

Mas o mais engraçado é que agora consigo imaginar um monte de utilizações interessantes para esta ferramenta, coisas novas que se podem fazer, e coisas "velhas" que se podem fazer melhor.

"Kudos" para os autores do expect!

E o OpenOffice?

A Microsoft apresentou na PDC'05 aquilo que será o futuro Office 12 e, como a adição de novas funcionalidades dificilmente será argumento suficiente para convencer as pessoas de que vale a pena migrar para a nova versão, todos os esforços parecem ter sido concentrados na criação de um novo modelo de interface gráfica, onde os menus já não existem e as barras de ferramentas assumem características novas.

As screenshots mostram um estilo gráfico que faz lembrar vagamente o Windows Media Player 10. Têm bom aspecto, mas também têm o potencial de perder a piada ao fim de poucas horas de utilização.

Este vídeo no Channel 9 mostra o Office 12 em acção: «Diving into the new Office 12».

E o OpenOffice afinal...?

Esta quebra com o passado representa ao mesmo tempo uma boa oportunidade, e um grande desafio para o OpenOffice.

As betas do OpenOffice 2.0 estão com muito bom aspecto: têm uma aparência mais desportiva do que as versões anteriores, e isso é muito importante para que seja bem recebido pelos utilizadores (basta ver o que aconteceu com o Firefox e a suite Mozilla).

O facto de ser mais parecido com o Office 2003 do que o futuro Office 12, também pode ser um ponto positivo em situações onde esteja em causa uma decisão entre mudar para o OpenOffice ou continuar no Microsoft Office. Ambos os casos implicam um período de adaptação, é uma questão de escolher qual deles enfrentar.

Mas a nova interface do Office pode também ser um grande obstáculo à adopção do OpenOffice. A teimosia da base de utilizadores do Microsoft Office não pode ser subestimada, e as mudanças podem acabar por ser bem recebidas e/ou as pessoas não sentirem grandes dificuldades de adaptação. Numa situação destas o OpenOffice pode acabar por ser visto como pouco apelativo e antiquado.

De qualquer das formas, estes próximos tempos vão ser muito importantes para o futuro do OpenOffice.

O desenrascanço nem sempre funciona...

O objectivo é segmentar uma rede com umas três dezenas de switches em várias VLANs, sendo que a esmagadora maioria dos pontos de rede vão ficar numa única VLAN.

Para minimizar o impacto da migração, isto é, evitar ter de mandar a rede toda abaixo para fazer as modificações necessárias, aqui este vosso amigo lembrou-se que se poderia simplesmente juntar a maior VLAN à VLAN default, tornando assim possível ir mudando as portas da VLAN default para nova VLAN enquanto a rede se mantém totalmente operacional. Como conseguir isto: ligar um cabo de uma porta da nova VLAN (untagged) a uma porta na VLAN default. No fim remove-se o cabo, e voilá!

Só existe um pequeno problema com esta ideia: não funciona. Posso estar a deixar escapar o óbvio, mas ainda não percebi porquê...

Go pgsql!

Uma boa introdução para quem quiser começar a usar o melhor SGBD open-source:

«PostgreSQL SQL Syntax and Use»

Season 2 is coming...

Com este post dou como oficialmente encerrado o "ciclo" de críticas ao Linux no desktop. Já disse o que tinha a dizer, o vitriol já foi todo usado, o veneno já foi todo lançado, portanto podem ficar descansados, este assunto dificilmente voltará a ser aqui abordado nos tempos mais próximos.

No entanto, destas discussões deu para retirar várias ilações interessantes. A mais evidente das quais sendo que, aos olhos de alguns, só adianta apoiar o Linux se o apoiarmos em todas as suas vertentes, caso contrário somos o inimigo.

Pensando bem, isto não é assim tão surpreendente, dado que é observável em muitos aspectos das relações humanas, em muitas situações bem mais importantes do que estas questões do software e da tecnologia.

Há momentos em que eu me pergunto se o pessoal do *BSD não terá razão afinal...

"I'm your worst nightmare"?!?

Parece que a Microsoft tentou recrutar o Eric Raymond, o que não deixa de se revestir de um certo grau de comicidade... :)

No entanto, ele podia ter sido um pouco menos infantil na sua resposta...

"If you had bothered to do five seconds of background checking, you might have discovered that I am the guy who responded to Craig Mundie’s “Who are you?” with “I’m your worst nightmare", and that I’ve in fact been something pretty close to your company’s worst nightmare since about 1997.
(...)
But I must thank you for dropping a good joke on my afternoon. On that hopefully not too far distant day that I piss on Microsoft’s grave, I sincerely hope none of it will splash on you."

Um simples e civilizado "não obrigado" teria sido suficiente.

PS: isto sim, tem piada.

Mais uma moedinha, mais uma volta...

No final dos anos 90, usar Linux no desktop era interessante: mix and match sobre um sistema operativo estável, com multi-tarefa real, e pensado de raíz para funcionar em rede. O Linux tinha um tremendo potencial tecnológico, bastante superior às ofertas da concorrência (Windows 98 e MacOS).

Desde então, tanto a Microsoft como a Apple superaram esse fosso. Que trunfos tem hoje o Linux para ser uma boa alternativa nesta área, para além das vantagens dúbias de ser mais barato e livre?

O objectivo de world domination no desktop está a matar a vontade de experimentar coisas novas. Ninguém quer fazer algo realmente diferente porque supostamente o que interessa é bater a Microsoft.

A palavra de ordem é "clonar". Mesmo os ambientes que inicialmente pareciam querer alcançar algo diferente (mesmo que pouco), como o XFCE, seguem hoje as mesmas pegadas. Ter o que os outros têm, sem nenhuma inovação. Copiar sem melhorar.

Pois bem, a world domination no desktop vai fracassar (se não acreditam, comparem a evolução dos diferentes players nos últimos 10 anos). E pelo caminho ter-se-á perdido uma excelente oportunidade de desenvolver novas interfaces.

Felizmente que existe a área dos sistemas embebidos e dos dispositivos de consumo com interface gráfica, onde o Linux parece estar a ganhar impulso e onde estas coisas ainda podem acontecer.

Here we go again...

Nos últimos tempos tenho andado a tocar um disco riscado, sempre a criticar o desktop Linux, sempre a criticar o desktop Linux... Pois bem, vou dar mais uma volta ao disco, ficam desde já avisados... :)

Eu já falei disto quando disse que o Windows tinha voltado a ser o meu desktop primário, mas apetece-me remastigar estes pontos agora que se passaram quase dois meses, e a propósito da "chuva" de comentários[1] aos artigos anteriores.

Então lá vai...

Quando comecei a usar Linux regularmente, fi-lo porque era desafiante e porque gostava da maneira como as coisas se faziam. Era diversão e aprendizagem ao mesmo tempo.

Ao longo dos anos as coisas foram evoluindo, e eu sempre tive a minha visão própria daquilo que gostaria que o desktop Linux fosse. Não sei definir exactamente essa visão, mas sei que teria de manter as características que me atrairam inicialmente: tinha de ser elegante, fiável e eficiente.

Na sua base o Linux ainda é tudo isto, e é por isso que no servidor é um sistema operativo extremamente capaz (onde quase todas as tarefas são, ao mesmo tempo, trabalho e diversão), e porque que cada vez mais empresas escolhem o Linux para dar vida aos mais diversos aparelhos.

Mas o desktop foi-se afastando progressivamente dessa visão. O caminho escolhido parece passar por copiar o Windows ou o Mac, mas em mau. O desktop Linux de hoje não é bom para os utilizadores normais, nem para os power users. É uma mixórdia desconexa onde as coisas simples são incompletas, e as coisas complexas são obtusas.

O meu sentido estético é permanentemente agredido pelo desktop Linux actual, e nem um window manager minimalista mais uma xterm consegue fazer voltar a emoção dos velhos tempos.

Portanto, e para ser totalmente claro e sintético, mais do que este ou aquele pormenor concreto, as minhas críticas permanentes são resultado de uma profunda sensação de desilusão e azedume.

Eu ainda gostava de ver o Linux a vingar no desktop, mas já não acredito que o rumo actual vá conduzir a isso. No entanto, é sempre possível que aconteça uma revolução qualquer, portanto mantenho os meus olhos bem abertos, mas não ponho as mãos no fogo por isso...

Quem quiser ficar indignado pode ficar, eu também ficaria se lesse uma coisa destas há uns meses atrás. Mas certos botões quando pressionados disparam reacções inesperadas, e o desktop Linux já carregou nesses botões...

[1] "Chuva" no bom sentido, claro!

Upgrade treadmill

A Novell anunciou hoje que o SUSE 10.0 estará disponível em principios de Outubro. Ainda parece que foi ontem que saiu o SUSE 9.3...

Eu acho que as distribuições de Linux têm de parar com esta maluqueira de lançar versões umas atrás das outras. Não necessariamente transformarem-se no Debian, que só lança uma nova versão quando a anterior está prestes a transformar-se num fóssil, mas terem um release cycle mais espaçado, com updates incrementais no entretanto se tiverem funcionalidades que não aguentem mesmo sem lançar cá para fora.

No servidor os release cycles longos são desejáveis (porque são acompanhados de suporte prolongado), mas para a maioria dos utilizadores esta corrida aos upgrades é pior do que a do mundo proprietário. Sim, porque quem resiste a instalar novas versões rapidamente vai descobrir que qualquer software novo que queira experimentar depende de uma maneira ou de outra da nova versão.

Isto demonstra a imaturidade do Linux para tarefas de desktop(*), pois se assim não fosse, não havia a necessidade de empurrar versões novas cá para fora como se não houvesse amanhã. Comparem isto com o que acontece no servidor, onde um Red Hat com dois anos e tal ainda desempenha perfeitamente as suas funções, ou com o Windows, onde a última versão foi lançada em 2001, e ninguém parece achar que está velho.

(*) Por mais voltas que dê, acabo sempre por vir parar aqui... :)

Mais tarde, mais tarde...

E ainda perguntam o porquê do meu cepticismo...

"Munich's city administrators' much-discussed migration to Linux has been delayed until 2006, according to reports, because of an additional pilot phase that was not accounted for in the original plans."

Este não é o primeiro adiamento, e estou cá desconfiado que não vai ser o último...

Massachusetts vs. Microsoft

O governo do estado americano do Massachusetts pretende tornar os formatos OpenDocument e PDF de uso obrigatório para todos os seus funcionários.

Isto não agradou à Microsoft, que não suporta o formato OpenDocument no seu Office, porque implica uma migração progressiva para OpenOffice/StarOffice até 1 de Janeiro de 2007.

Ao contrário do que a Microsoft diz ser sua política, neste caso prefere tecer críticas à escolha do seu cliente, em vez de dar ouvidos às suas necessidades.

A Microsoft refere também não ter quaisquer intenções de suportar o formato OpenDocument, por ser um formato "inferior e incompatível com versões anteriores do Office", como se fosse impossível suportá-lo em simultâneo com o seu formato nativo...

Claramente, tanto a Microsoft como o governo do estado de Massachusetts estão conscientes do efeito de lock-in dos formatos proprietários do Office. No entanto, não acredito muito que a atitude deste último tenha tanto a ver com independência de fornecedores quanto quererem obrigar a Microsoft a vender-lhes licenças do Office a preços ainda mais reduzidos, infelizmente.

Faz falta...

...um sitío único onde se consiga saber, em primeira mão, acerca do lançamento de novas versões de tudo quanto são aplicações para Windows (e para outros SOs também).

Uma espécie de freshmeat que acabe com os n mecanismos de verificação de actualizações diferentes que cada aplicação implementa (quando implementam).

O ideal seria um feed RSS personalizado, com apenas as aplicações subscritas.
 

Mais DRM!

No mesmo artigo - que eu referia no post anterior - onde se fala dos requisitos de hardware do futuro Windows Vista, também se fala das futuras restrições que este irá impôr aos utilizadores...

"If you don't comply with PVP, we're going to downscale the quality upon playback… you're going to get a lower quality version; you're not going to get the high def content the way it was intended to be viewed. You'll find that most plasma displays have HDCP already. But this isn't available in computer monitors. I have not been able to find a single monitor that supports it. We are going to see a lot of change in this space."

Portanto, as pessoas vão gastar dinheiro no Windows Vista, depois vão gastar dinheiro a actualizar os seus computadores para que este corra "bem", e depois ainda vão ter de substituir os seus monitores perfeitamente capazes por monitores novos cuja única diferença é terem a lógica necessária para impedir que os conteúdos (já pagos) sejam mutilados. Sim, isto vai mesmo colocar um ar de felicidade na cara dos consumidores...

"The hardware vendors all know about it but aren't yet making monitors with it built in, so now it's up to you [the users] to say, "where's my HDCP?"

Sim, já estou a ver toda a gente a mandar cartas para a Sony, Samsung, etc. a dizer "where's my HDCP?"... Isto por oposição a mandar cartas para a Microsoft a dizer "Windows Vista sucks!" ou para a MPAA a dizer "fuck you!".

"The downside is that all your existing flat panel monitors and projectors aren't going to work with high-def videos in Vista. Bad news."

Sim, más notícias para a Microsoft e para a malta de Hollywood assim que os consumidores se derem conta disto...

O que a indústria do entretenimento, e a malta de Redmond, não compreende é que cada mecanismo de DRM, cada restrição extra imposta aos consumidores, só ajuda a tornar a pirataria num acto cada vez mais "moralmente aceitável", "para mostrar aos ladrões das editoras quem é que manda".

"There's a LOT of encryption and decryption going on. We communicate on the PCI Express bus in a fully encrypted format because it is considered a public bus."

Tanto trabalho para nada... Quando todo o circuito está nas mãos do inimigo, é apenas uma questão de tempo até ser violado. E o método não precisa ser acessível ao comum dos mortais, apenas aos que colocam cópias piratas dos conteúdos nas redes P2P.

Mas ninguém dá ouvidos ao Bruce Schneier...

"Digital files cannot be made uncopyable, any more than water can be made not wet."

 

Mais hardware!

No TechEd deste ano a Microsoft começou finalmente a levantar o véu sobre os requisitos de hardware esperados para o futuro Windows Vista, e que requisitos jeitosos eles são...

Aparentemente, o Windows Vista só correrá realmente bem em máquinas com 2Gb de RAM, placas gráficas com 256Mb de memória, e preferencialmente discos SATA-2 (supostamente por causa do NCQ).

Ainda podemos estar a mais de um ano de distância do seu lançamento, mas não acredito que daqui a um ano existam muitas máquinas a preencher estes requisitos... Especialmente considerando que as vendas de portáteis estão rapidamente a ultrapassar as vendas de desktops, e os portáteis não são propriamente máquinas extraordinárias em termos de hardware, nem têm expansibilidade para que isto se possa alterar mais tarde...

"We acknowledge that many corporate notebooks have fairly low-end integrated graphics chips. They're not exactly high performance graphics systems. For those users, we will provide a classic UI that looks like XP, and then we will have Aero that will start to make use of the GPU, and then there's Aero Glass that will demand the higher level."

Isto leva-nos a pensar que os executivos da Microsoft acreditam realmente que as empresas vão gastar dinheiro a comprar licenças do Windows Vista para depois o usarem como se fosse o Windows XP... Muitas empresas ainda hoje se recusam a largar o Windows 2000...

"We are talking a year out here, so I have no doubt the vendors will address this in that period of time."

Vendors, sim. Consumidores, não. Os fabricantes podem colocar no mercado computadores com as capacidades necessárias, mas será que as pessoas se vão sentir motivadas a comprar computadores novos ou a actualizar os seus computadores actuais? Não me parece...

Eu acredito que um ano depois do Windows Vista estar no mercado, no máximo 5% dos PCs terão os requisitos necessários para o correr "bem".

No entanto, isto acaba por ter alguma piada: O Windows Vista não trará nada que o MacOS X não tenha já, e este não requer hardware topo-de-gama para correr bem...
 

Mambo -> Joomla!

Depois de, no mês passado, os developers do Mambo terem rompido com a Miro, lançaram agora a primeira versão do seu fork, com o nome "Joomla!".

Está à vista a primeira baixa deste fork, o nome... joomla?!...