Tudo Sobre Nada

OpenOffice && Gráficos == false

Há uns tempos fiz um test drive ao OpenOffice 2.0, e fiquei bem impressionado com as melhorias ao nível da interface, que lhe dão um ar menos pesado e mais agradável.

Hoje decidi instalar a versão final (em Windows) para dar mais umas voltas com aquilo, e devo dizer que fiquei desapontado.

Se leram as minhas rants sobre o desktop Linux, por esta altura já devem saber que uma das coisas que mais me incomodam no software são os bugs, especialmente os bugs que são do conhecimento dos developers e se mantêm por resolver eternamente.


Há mais ou menos dois anos, usava eu o OpenOffice 1.0.x no Fedora Core 1, descobri que criar gráficos com mais do que uma mão cheia de pontos era para esquecer. Na altura precisava de gerar uns gráficos com 3000 pontos e qualquer operação sobre esses gráficos demorava eternidades. Bastava tentar redimensionar o gráfico para ter de esperar quase um minuto enquanto o Calc consumia alegremente 100% de CPU. E nem mesmo com apenas 100 pontos aquilo conseguia ser usável...!

Por comparação, tanto o Excel como o Gnumeric (que acabei por usar) não só não exibiam a mesma lentidão, como ainda por cima faziam tudo instantâneamente.

Bom, voltado ao que interessa, a primeira coisa que fiz com o OpenOffice 2.0 foi ver se o problema já tinha sido corrigido. Não foi. Está mais rápido, é verdade, mas só porque a máquina onde eu estou a experimentar é mais rápida do que a máquina que estava a usar quando detectei o problema pela primeira vez.

Isto torna o OpenOffice num caso perdido para fazer todos excepto os gráficos mais básicos. E considerando que os tipos têm a lata de considerar a correcção deste bug como um enhancement, apontado para o OpenOffice 3.0, vai continuar a ser um caso perdido por bastante tempo ainda.

Se é assim que querem conquistar utilizadores ao Microsoft Office, deixem-me que lhes diga que podem arrumar as botas que não vão lá.

The One True Editor(tm)

Toda a gente sabe que o editor de consola mais adequado para trabalhar com ficheiros de configuração é o joe*, que suporta syntax highlighting desde a versão 3.0.

Para activar a colorização de ficheiros com extensão ".conf" basta criar um ficheiro .joerc na "home", com o seguinte conteúdo:

:include /etc/joe/joerc

Configuration File
*.conf
-autoindent
-syntax conf


* "vi"? Qual "vi"? Aquela coisa que quando se corre por engano obriga um tipo a fazer um "kill -9" noutra consola? Ah, sei qual é! :)

Bad Marketing

A ideia que as pessoas têm de um projecto pode ser influenciada - erradamente ou não - pelo aspecto do seu site, e infelizmente parece que muitos projectos open-source se desleixam um pouco neste aspecto.


Hoje dei uma passagem pelo site do FreeBSD, e reparei que tinha sofrido uma remodelação*. A minha reacção foi positiva, de alguma forma a nova imagem reforça a credibilidade do próprio FreeBSD e motiva os visitantes a procurarem saber mais sobre o projecto, coisa que a imagem anterior não conseguia.


Por outro lado, uma visita ao site do Debian é... desmotivante... Tem um aspecto estagnado e ultrapassado, e por tabela dá ao visitante a ideia de que o Debian é um projecto estagnado e ultrapassado.

Não acredito que seja uma questão de falta de recursos, pois o Debian dispõe de uma comunidade de dimensão apreciável. Nessa comunidade decerto existirão alguns bons web designers, e bastaria anunciar a intenção de remodelar o site para choverem propostas.

É mesmo falta de vontade.

Não basta a superioridade técnica, é também preciso saber reflectir essa superioridade numa imagem atraente, e o mais grave é que a comunidade open-source em geral ignora esta relação em muito mais aspectos do que apenas no design de sites...

* Curiosamente desenvolvida no âmbito do Google Summer of Code.

C rant

O C tem fama de obscuro, e coisas destas - que eu vejo por aí incutidas a quem está a aprender - não ajudam nada:

typedef struct {
...
} Tipo, *pTipo;

Tipo foo;
pTipo bar = &foo;


Gostava de saber qual é o problema de declarar um apontador para um tipo da maneira convencional:

typedef struct {
...
} Tipo;

Tipo foo;
Tipo *bar = &foo;


Por mais que olhe para a primeira forma, nunca consigo ler naturalmente que *pTipo declara um tipo pTipo que aponta para a struct anónima anterior.

Declarar um tipo que, na verdade, é um apontador simples para outro tipo é obscuro e irritante, e já vi uma data de gente a espalhar-se nisto pelo simples facto de que não é fácil detectar que uma variável é um apontador numa leitura rápida do código. O "*" é muito mais óbvio.

Já para não dizer que acho cada vez menos piada à declaração de structs anónimas com typedef em todos os casos onde estas não vão ser usadas como objectos (i.e. nunca manipuladas por outros meios que não funções). Nestes casos prefiro o clássico (e mais claro):

struct Tipo {
...
};

struct Tipo foo;
struct Tipo *bar = &foo;

Does Visual Studio Rot the Mind?

Quem já teve de programar aplicações gráficas para Windows directamente em cima da API Win32, de certeza já terá ouvido o nome "Charles Petzold" (o autor do calhamaço Programming Windows). Pois bem, aqui está um texto da sua autoria que nos alerta para a estupidificação resultante de ferramentas que tentam ser "inteligentes" demais: Does Visual Studio Rot the Mind?.

E a propósito... Com a chegada da Windows Presentation Foundation (ex-Avalon), toda a gente parece andar excitada com a espantosa possibilidade de fazer layout dinâmico de widgets...

Há uma porrada de anos que tudo quanto é toolkit digno desse nome funciona sobre um princípio de layout dinâmico, sendo o Qt e o GTK+ apenas dois exemplos (mais conhecidos, mas que não foram nem de perto pioneiros nisto).

Mas agora que a Microsoft descobriu a pólvora... Paf! A Microsoft inventou o layout dinâmico e os seguidores of all things Microsoft andam por aí a borrar-se de tanta excitação...

Há coisa mais irritante do que isto?

GMail, by Google

Sempre preferi usar clientes de email "clássicos", daqueles que são mesmo programas e correm no próprio computador cliente, vocês sabem do que eu estou a falar...

Já andei pelo Netscape Mail & News (3.x e 4.x)*, pelo Mozilla Mail, pelo Evolution, pelo Balsa, pelo Kmail e pelo Thunderbird (entre outros, incluindo o Pine - e excluindo o Outlook). Quanto a webmails... nunca me cativaram para além de servirem para desenrascar quando não estou por perto de nenhuma das máquinas onde tenho um cliente normal configurado...

Há já bastante tempo que tenho uma conta no GMail, que usei durante algum tempo como arquivo, mas recentemente passou-me uma coisa pela cabeça e decidi redireccionar a minha conta da Telepac para lá. O objectivo era passar uma semana a usar aquilo, para ver se realmente é usável ou apenas mais um webmail.

Já lá vão duas semanas...

Realmente está bem construído, rápido e com algumas funcionalidades interessantes: as conversations substituem bem as threads, as labels substituem bem as pastas, o autosave na escrita de mensagens dá bastante jeito, e o quick reply está mesmo bem pensado. Ah, e a filtragem de spam também não está nada má.

A lista de contactos tem a particularidade de ter um espaço demasiado curto para os nomes, mas é algo com que se pode perfeitamente conviver...

* Alguém se lembra de como a versão Linux do Netscape 3.x rebentava de hora-a-hora com um "Bus Error"? Ahhh... those were the days...

Flock?

Já estive a experimentar o Flock e não fiquei impressionado.

Para todos os efeitos é um Firefox com um theme diferente e um leitor de feeds RSS integrado, com os marcadores guardados no del.icio.us, uma interface para inserir artigos em blogs, e uma barra que mostra fotos a partir do Flickr.


Não estou a ver onde está o interesse. A funcionalidade mais interessante ainda é a integração com o del.icio.us mas, tal como todas as outras, poderia ser simplesmente uma extensão para o Firefox.

Go Debian!

Inicialmente encarei o Debian como uma distribuição um pouco arcaica, mas hoje posso dizer que estou completamente rendido.

A falta de ferramentas gráficas de configuração é clara, mas apesar disso - ou por causa disso - todas as configurações através de ficheiros de texto são muito poderosas e ao mesmo tempo elegantes e concisas. São pensadas para facilitar a vida aos administradores de sistemas em vez de serem pensadas para facilitar a vida aos programadores de frontends gráficos[1]. Por tudo isto, administrar uma máquina Debian remotamente é uma maravilha.

Para além das vantagens da, sempre subjectiva e dependente do gosto de cada um, elegância dos mecanismos de configuração, temos a extensão dos repositórios de pacotes. Ao contrário do que acontece com outras distribuições, aqui raramente é necessário instalar pacotes externos, praticamente tudo está à distância de um apt-get install, e actualizável à distância de um apt-get update; apt-get upgrade.

Para além do mais, ainda só submeti dois bug reports para o Debian BTS[2], e um acabou por não ser realmente um bug[3]. Ok, não uso o Debian no desktop, mas mesmo assim, para ser consistente com as outras distribuições, já devia ter descoberto/submetido mais bugs.

Sempre achei os fãs do Debian um bocado elitistas e isso criava em mim algum cepticismo e alergia, mas reconheço que os tipos afinal tinham razão, isto é a melhor coisa desde o pão às fatias!

[1] Se não acreditam, comparem a configuração de interfaces de rede num Debian e num Red Hat ou SUSE. Quem já teve de fazer coisas que não estão previstas nas limitadas ferramentas gráficas - e logo, teve de editar os ficheiros de configuração directamente - deverá saber do que eu estou a falar...

[2] Isto sim é o calcanhar de aquiles do projecto Debian, o Bug Tracking System deles é absolutamente pavoroso. O KDE migrou para o Bugzilla há já longos anos, não sei como os tipos que participam no desenvolvimento do Debian ainda conseguem aturar aquilo...

[3] Tinha um filesystem FAT32 que mostrava valores errados para o espaço ocupado, mas afinal quem mostrava valores errados era o Windows, que estupidamente dizia sempre que estava tudo bem, quando havia uma das FATs corrompida...

VMware Player

Agora já não é preciso ter uma cópia licenciada do VMware Workstation para poder executar máquinas virtuais, basta descarregar o VMware Player gratuitamente.

O VMware Player consegue executar máquinas virtuais criadas pela versão Workstation, GSX Server ou ESX Server, e ainda máquinas virtuais criadas pelo Microsoft Virtual PC.

Num cenário de desenvolvimento, testes ou demonstração de produtos, a existência de um player gratuito torna tudo muito mais interessante...

Bloat

Lembram-se daqueles relógios digitais cheios de funcionalidades que foram populares há alguns anos? Tinham cronómetro, temporizador, calculadora, agenda, e ainda davam as horas em vários locais do mundo, mas apesar de tudo estão praticamente extintos.


Parece-me importante reflectir um pouco sobre este caso aparentemente trivial, pois demonstra algo que se pode observar em muitas áreas da tecnologia: o domínio da elegância sobre a funcionalidade.

Todas as funcionalidades (inúteis) não compensavam o facto de serem feiosos e mal-amanhados. No final, os relógios normais serviam perfeitamente o objectivo de dar as horas - e ainda por cima com bom aspecto[1] - e recuperaram a preferência dos consumidores.

Esta é uma lição que a indústria do software devia aprender... Fora a Apple, quase toda a gente parece andar ainda a tentar impingir relógios digitais aos utilizadores.

[1] Bom, depende do gosto de cada um...

Relíquias

Na minha gaveta de material informático obsoleto encontra-se esta relíquia enorme[1]: uma SoundBlaster 32 PnP da Creative Labs.


Na altura era excelente... tinha duas slots de 30 pinos para se poder adicionar módulos de memória para as samples MIDI (aqui ocupadas com uns fantásticos 2Mb) e ainda um controlador IDE (ranhoso, por sinal).

Hoje em dia uma coisa destas nem sequer cabe dentro da maioria dos computadores. Isto se algum ainda tivesse slots ISA...

[1] Por baixo da placa está uma folha A4.

Plus Addressing

Ora aqui está uma funcionalidade que eu desconhecia completamente...

Alguns servidores de email reconhecem endereços da forma foo+bar@example.com como endereçados a foo@example.com. Isto permite fazer filtragem por endereço de destino se nos inscrevermos, por exemplo, em mailing-lists e fóruns usando um endereço do género foo+forum@example.com.

O Java não é lento

Em qualquer discussão sobre Java, o argumento da performance (ou falta dela) acaba sempre por aparecer. Para muita gente o Java é intrinsecamente lento, e tentar contrariar esse mito é muito difícil. Ainda mais se cometermos o "erro" de tentar convencer alguém de que, além de não ser lento, o Java tem até o potencial de bater a performance do C/C++ em alguns casos.

Este artigo (via Celso Pinto) ajuda a desmistificar uma parte dos supostos problemas de performance do Java, particularmente em relação à eficiência da gestão de memória.

Star Wreck

Estive no outro dia a ver o fan-film «Star Wreck: In the Pirkinning» - uma paródia ao Star Trek e ao Babylon 5 em forma de longa-metragem.

  

Foi desenvolvido por um grupo de finlandeses ao longo de 7 anos, e o resultado é uma parada de efeitos especiais de boa qualidade e uma história com potencial. Digo isto porque o acting é péssimo, e o facto de ser falado em finlandês também não ajuda nada...

Fica o trailer...

Google Fad

A Google lançou mais um serviço, o Google Reader (via Pedro Timóteo), um agregador de feeds RSS web based.

Estive a experimentar aquilo por alguns minutos e devo confessar que não fiquei particularmente excitado... Aliás, não é só o Google Reader que não me deixa particularmente excitado, são todos os serviços do Google.

Como toda a gente, uso o motor de pesquisa deles, e apesar de desempenhar muito bem a tarefa a que se destina, não nutro por ele particular afecto. No dia em que deixar de ser eficaz, não terei grandes problemas em utilizar outro.

Como muita gente, tenho uma conta no gmail (da qual não faço grande uso), e apesar dos 2.5Gb+ de quota serem interessantes, e de ter uma interface leve e eficiente, também não acho que seja algo do outro mundo.

Bom, o Google Maps é bastante engraçado, mas por alguma razão não é suficiente para me tornar num Google groupie...

Há mais quem ande por aí a fazer coisas interessantes, mas ninguém que seja alvo de tanta adoração quanto o Google: qualquer coisa que façam parece ser suficiente para que muita gente se mije nas calças de tanta emoção...

Sinceramente, vejo todo este buzz em redor do Google como uma moda. É fixe dizer que a Google Inc. é a empresa mais inovadora à face da Terra, a maior ameaça ao poderio da Microsoft, ou a melhor colocada para construir uma colónia em Marte até 2020...

Enquanto isso eu vou bocejando, mas se calhar sou só eu...

From the director of...

Para quando a malta de Hollywood estiver sem ideias para novos filmes: «They Fight Crime!».

Slashdorks

As discussões no Slashdot estão pejadas de comentários idiotas, escritos por pessoal ignorante que comenta sem ler os artigos, e fala sobre aquilo que não sabe. O equivalente tecnológico das discussões de "tasca" sobre futebol.

No entanto, eu continuo a clicar no "Read More" regularmente. Devo ser masoquista...