Tudo Sobre Nada

Desktop 2005 em revista

O meu ano de 2005, technology-wise, fica marcado como o ano em que abandonei o Linux no desktop. O desagrado começou a manifestar-se com maior intensidade logo a partir de Janeiro e sensivelmente a meio do ano decidi bater com a porta.

Passados uns bons 6 meses desde esta transição, não posso dizer que esteja arrependido. Não que goste particularmente do Windows, mas porque consegui passar a usar o meu tempo para aprender, e construir, coisas novas do que a consertar coisas que não funcionam como deviam(*).

Por outro lado, penso que isto acabou por trazer consigo alguma mudança na forma como eu vejo as questões do Linux vs. Windows e do software livre vs. software proprietário. Não quero dizer com isto que, só porque passei a usar a plataforma do adversário no desktop, me tenha tornado num exemplo de isenção, ou que os outros se tenham tornado subitamente em zelotas tendenciosos, mas porque a minha desilusão com o Linux e o software open-source em certas áreas veio acompanhada por um reforço da minha convicção da sua superioridade noutras.

No entanto, apesar de não acreditar no futuro do Linux na área particular do desktop, continuo a acreditar na importância do desenvolvimento de certas tecnologias a ela associadas. Quanto mais não seja porque o mundo gráfico não começa nem acaba no desktop, e existe ainda um enorme mundo inexplorado de aplicações para estas tecnologias (ora vejam o caso dos ecrãs de publicidade do Metro, que se baseiam em Linux).

Seja como for, quando começo a pensar ou falar nestas questões, acabo sempre por chegar à conclusão de que prefiro cada vez mais o mundo do servidor, das appliances e dos sistemas embebidos do que o mundo do desktop. Pelo menos são mundos onde as coisas tendem a ser mais fiáveis, robustas e elegantes.

E como já falta pouco... bom ano de 2006!

(*) Eu sei, eu sei, a consertar coisas também se aprende muito, mas apenas enquanto é de livre vontade, e enquanto não se entra numa rotina onde os desafios se transformam em apenas mais do mesmo.

Novo ano, novo logotipo...

Brevemente a Intel irá reformar o seu clássico logotipo com "e" rebaixado, já com mais de 30 anos. O novo logotipo assemelha-se um pouco ao já conhecido dístico "Intel Inside", que também será remodelado.

Juntamente com o actual logotipo, também a marca "Pentium" tem os dias contados, passando os futuros processadores a ostentar o nome "Core". As versões single-core chamar-se-ão "Core Solo" e as versões dual-core, "Core Duo".

I wonder... será que vão mudar para um processo de fabrico baseado em carbonite?(*)

(*) Ok, ok, foi seca...

RSS? Não, obrigado.

É útil poder ter uma Live Bookmark no Firefox a mostrar-me as últimas alterações a um wiki com documentação, ou a mostrar-me o aparecimento de novas versões de algum software que eu acompanho mais de perto(*), ou ainda com as últimas entradas que adicionei ao del.icio.us, mas já não me desperta interesse ter lá os títulos das últimas notícias do Público, do P* ou do Slashdot. Acho o RSS bom para receber notificações, mas não para receber informação.

Também não uso nenhum leitor RSS. Já tentei usar o Sage e o Google Reader, mas não demorou muito até os deixar de lado, não gosto de ler notícias como se fosse email... Eu sei que ao escolher uma entrada se pode ver a página correspondente em vez do conteúdo presente no feed, mas de alguma forma este método de interacção não me agrada nada.

Por alguma estranha razão eu prefiro fazer uma ronda aleatória pelos blogs e sites noticiosos conforme a minha disposição no momento(**). Por um lado gosto mais de ser eu a escolher a informação que vou ler, e por outro gosto de visitar os sites e ver os artigos da forma que eles lá estão apresentados.

Talvez o cerne da questão esteja no controlo e na selecção. Eu gosto de controlar aquilo que leio e o trabalho que dá percorrer um determinado grupo de sites em busca de notícias acaba por me forçar a escolher apenas aquilo que realmente vale a pena.

É tão fácil subscrever um feed que esta avaliação custo/benefício dos conteúdos não ocorre. Assim, o leitor RSS parece criar uma dependência muito forte, uma espécie de obsessão pela actualidade onde não se consegue parar de adicionar feeds, um overload de informação que se parece muito com a dependência do cliente de email. Neste caso o overload vem do spam, mas quando se subscreve mais feeds do que aqueles que se consegue acompanhar, o que é isso senão uma forma de spam opt-in?

Até aqui não me considero uma pessoa menos informada por não usar RSS, da mesma forma que não me sinto menos parte de uma determinada comunidade por deixar de subscrever (quase sempre através do Gmane) esta ou aquela mailing-list que tem tanto tráfego que eu já só a selecciono para fazer "mark all as read".

Se calhar estou apenas a ficar velho, quem sabe... :)

(*) Infelizmente nem o Freshmeat nem o Sourceforge permitem fazer isto com os projectos que subscrevo. Apenas permitem receber notificações por email.

(**) Pelo que se pode logo concluir que também não faço grande uso da funcionalidade "Open in Tabs" dos menus de marcadores do Firefox.

Sim, é confuso...

Imaginem dois switches Ethernet, de um lado o Switch A, de outro o Switch B (ambos 3Com). Entre outras, existem 9 máquinas Linux idênticas ligadas aos dois switches: 6 máquinas ligadas ao Switch A (Grupo X), 3 máquinas ligadas ao Switch B (Grupo Y).

Das máquinas que fazem parte do Grupo X, apenas uma delas (Máquina 1) não consegue comunicar com nenhuma das máquinas do Grupo Y. Ao mesmo tempo, as máquinas do Grupo Y conseguem comunicar com todas as máquinas do Grupo X, excepto com a Máquina 1.

Temos aqui uma bela receita para mais de uma hora a tentar dar com a causa do problema...

Verificam-se configurações, removem-se definições de port-security(*) aqui e ali, reiniciam-se máquinas e switches, mudam-se cabos de porta em porta, e de switch em switch. Resultado: nada parece resolver o problema. No entanto, vão-se descobrindo algumas coisas curiosas...

Quando se passa uma máquina do Grupo Y para o Switch A (juntando-a ao Grupo X), fica imediatamente contactável para a Máquina 1 (que, lembre-se, também pertence ao Grupo X). Por outro lado, quando se passa a Máquina 1 para o Switch B (juntando-a ao Grupo Y), esta perde completamente a conectividade (não obtém sequer um endereço IP).

Pelo menos já se sabe mais do que se sabia inicialmente, o problema está definitivamente no Switch B, que parece ter o endereço MAC da Máquina 1 numa espécie de lista negra...

Ok... Isto não faz sentido nenhum, pois o switch nem sequer permite bloquear selectivamente um endereço MAC (que eu saiba, pode haver algum comando obscuro lá enterrado). A única coisa vagamente relacionada com isto é o port-security, que está activo em algumas das portas, mas que eu já tinha excluído como suspeito...

Mas... ainda não tinha experimentado desactivar completamente o port-security no switch (i.e. desactivar a possibilidade de o usar).

Bingo!

Ah, se não for bem claro, note-se que este é um belo exemplo de deitar o bebé fora juntamente com a água do banho...

Mesmo a máquina afectada estando noutro switch, o Switch B parece tê-la bloqueado permanentemente. Desligar e voltar a ligar o port-security, ou reniciar o switch não tem qualquer efeito. A única coisa que me ocorre que possa ter provocado isto é alguém ter temporariamente trocado a máquina de tomada de rede (ligando-a a uma tomada pertencente ao Switch B). Como estas máquinas estão numa sala de alunos, tal é perfeitamente possível.

No entanto, é um bug. O port-security (supostamente) só deverá afectar as portas onde efectivamente está activo, e não criar bloqueios globais ao nível do switch, nem sequer quebrar a conectividade em portas "livres".

Moral da história: para a próxima assumo logo que o problema é causado por um bug no firmware do switch e parto logo para a solução mais estúpida (i.e. blame the compiler).

(*) O port-security não faz nada mais do que limitar o número de endereços MAC que o switch aprende numa porta. Neste caso, usamos esta funcionalidade para impedir que outras máquinas sejam ligadas à mesma tomada: o switch apenas aprende um endereço MAC e a porta é desactivada temporariamente sempre que outro endereço lá "aparece".

É quase chinês...

Estive a ler este PDF sobre o SE Linux, e devo dizer que estou mais ou menos onde estava. Aquilo é realmente obscuro...

Truques

Ora experimentem escrever chrome://browser/content na barra de endereços do Firefox...

Voilá, um Firefox dentro do Firefox. :)

Previsões (Linux) para 2006

Segundo o que se lia no início do ano, 2005 iria ser o ano do Linux no desktop, mas não foi. Quando muito foi o ano do Ubuntu no desktop, que parece ter-se tornado claramente na distribuição mais popular nesta área. Prevejo que tudo continuará na mesma durante 2006.

Por outro lado, foi um bom ano para o Linux no servidor, e o número de pessoas que começam a vê-lo como uma opção séria continua a aumentar. Prevejo que em 2006 esta tendência continue.

Nos sistemas embebidos o Linux passou de uma curiosidade apenas observável em equipamento experimental, e algum equipamento backend, para o mainstream. Mesmo não o sabendo, muita gente já tem em casa aparelhos "movidos a Linux". Em 2006 deveremos ver um aumento desta tendência, mas provavelmente continuando dentro da esfera das "appliances" IP-related (ou seja, nada de telemóveis ou PDAs com Linux).

E pronto, depois de constatar o óbvio, só me resta desejar a todos um Feliz Natal!

A proibição de fumar seria mais barata

O estado vai gastar 1.6 milhões de euros a substituir algumas tubagens do Palácio da Justiça em Lisboa - revestidas exteriormente com amianto - depois de terem sido pressionados. Isto apesar dos estudos não revelarem perigo para a saúde de quem lá trabalha.

Tenho uma palavra para quem se sente tão ameaçado por isto e pelo cancro supostamente provocado pelas antenas dos telemóveis: "tabaco".

Acabou-se o IE para Mac

Para muito web developer por aí, ter um site que funciona bem num Mac significa ter um site que funciona bem no IE para Mac, isto apesar de ter sido descontinuado pela Microsoft há já bastante tempo...

Pois bem, a partir de 31 de Dezembro a Microsoft vai deixar de o suportar definitivamente. Nem updates, nem patches de segurança, nada.

(Via Rui Carmo.)

Grrr, Arrgh!!

Deixem-me só aqui reafirmar o quanto o Internet Explorer é merdoso.
Não se consegue fazer nada em CSS sem dar com um bug qualquer. É de levar um gajo à loucura...

Damn you Microsoft, damn you to hell!!

Memories

«Knight Rider... A shadowy flight into the dangerous world of a man who does not exist. Michael Knight, a young loner on a crusade, to champion the cause of the innocent, the helpless, the powerless. In a world of criminals who operate above the law...»

«In 1972 a crack commando unit was sent to prison by a military court for a crime they didn't commit. These men promptly escaped from a maximum security stockade to the Los Angeles underground. Today, still wanted by the government, they survive as soldiers of fortune. If you have a problem - if no one else can help - and if you can find them - maybe you can hire: The A-Team.»

E se isto não for suficiente, podem ver os genéricos destas e outras relíquias dos anos 80 aqui.

Sci-fi Western

Tudo o que é bom acaba depressa, costuma dizer-se. Tal é o caso com a série Firefly, que nem sequer completou uma época inteira, ficando-se pelos 14 episódios.

Custa a crer que o autor seja o mesmo Joss Whedon que já nos havia brindado com 8 épocas da «Buffy the Vampire Slayer» ou 5 épocas da sua spin-off, «Angel».

Pode dizer-se que os 14 episódios do Firefly (mais o filme) o devem ter feito escapar a arder nas chamas do inferno para toda a eternidade, onde simultaneamente seria forçado a ver todos os episódios da Buffy e do Angel até sangrar dos ouvidos (o que não demoraria muito).

A série é excelente, e se antes estava indeciso entre o Farscape e a nova Battlestar Galactica para o lugar de best sci-fi show ever, agora o caso é ainda mais bicudo.

Pandora

Hoje um amigo indicou-me o Pandora, um serviço de streaming-radio personalizado.

O Pandora é um dos resultados do Music Genome Project, onde os tipos se dedicaram a classificar músicas segundo uma série de características desde a instrumentação, ao ritmo ou a letra.

O funcionamento é simples: escolhe-se um ou mais artistas ou músicas, e depois o sistema escolhe músicas com características semelhantes. O esquema pode ser afinado indicando se uma determinada música escolhida agrada ou não. É curiosamente eficaz.

Trash OS

A imagem que se segue faz parte de um episódio da série Firefly. Notam alguma coisa?


O que é mais curioso é que eles têm uns gráficos todos janotas em tudo quanto é ecrã, mas neste caso ficaram-se mesmo pelo Windows... E não me parece esquecimento, porque a cena dura algum tempo (partida em vários segmentos).

Já agora, aquilo é um contentor de lixo. :)

Man... that's weird!

Há gostos para tudo, inclusivé para flash drives USB com designs bizarros, desde as drives em forma de sushi a patos de borracha...

Mas mais bizarro ainda... Quem é que quer uma extensão USB normal quando pode ter uma em forma de prato de esparguete?

É pior do que a gripe das aves!

A propósito do artigo anterior, na página de download do Cheetah pode ler-se:

The most recent release was 1.0 on Dec 4, 2005. Don't let the version number fool you: Cheetah has been stable and in production use for years!


Que raio! Isto é um belo exemplo de version madness... Se já está em condições de ser usado em produção há anos, então porque é que só agora chegou à versão 1.0!?...

Por isso é que tanta gente deita uns olhares esquisitos quando se propõe o uso de certos e determinados "softwares" open-source... "Então, mas essa coisa ainda está na versão 0.0.1..."

Cheetah - The Python-Powered Template Engine

Tenho andado a brincar com o Cheetah nos últimos dias, e tem sido engraçado.

Confesso que não tenho grande rodagem nestas coisas da programação para a web, portanto não sei bem quais serão as potencialidades da concorrência, mas gostei do facto dos templates serem transformados a priori em código Python, e da possibilidade de fazer subclassing (por oposição a andar a incluir headers e footers por todo o lado).

WRT54G

wrt54glO Linksys WRT54G é talvez o mais famoso router wireless doméstico. Parte desta fama vem do facto de correr Linux e existir uma enorme comunidade dedicada a produzir firmwares alternativos com toda a espécie de funcionalidades só disponíveis em modelos bastante mais caros.

Ora, o WRT54G v5.0 já não corre Linux, corre VxWorks.

A justificação apresentada pela Linksys prende-se com a redução dos custos de produção. Esta nova versão do hardware vem com as memórias RAM e flash reduzidas para metade (2Mb e 8Mb respectivamente). Segundo eles isto força uma migração para um SO mais eficiente em termos de recursos.

É interessante analisar esta justificação...

Os firmwares alternativos são (bastante) mais ricos em funcionalidades do que os originais fornecidos pela Linksys, o que demonstra que o hardware está sobre-dimensionado para as necessidades do firmware original. Isto significa que não só o Linux poderia ser adaptado às novas limitações do hardware(*), como provavelmente isso até seria relativamente fácil.

Feitas as contas o VxWorks pode até ser vantajoso para a Linksys, mas resta saber que reflexo terá na qualidade do equipamento. De todos os equipamentos deste tipo que já experimentei, os que se baseiam em Linux parecem-me sempre estar dois ou três passos à frente em funcionalidades e fiabilidade, mesmo excluíndo o valor extra de poderem ser modificados.

No entanto, isto não significa que a Linksys esteja a abandonar o Linux. O WRT54G com Linux passa agora a chamar-se WRT54GL, mas não esperem encontrá-lo em abundância nas prateleiras das lojas, especialmente em Portugal...

(*) Existem por aí muitos dispositivos embebidos com recursos bastante mais limitados a correr Linux, portanto isto não é uma suposição, é um facto.