Tudo Sobre Nada

GPLv3 + FUD = GPLv2 - 1?

Em Abril do ano passado coloquei aqui um artigo onde manifestava a minha preocupação acerca da futura versão 3 da GPL, preocupação essa que girava em torno de dois aspectos fundamentais:

  1. A GPLv2 continua a ser eficaz no objectivo a que se propôe: garantir que o software livre por ela protegido se mantém livre. Assim, não é claro que exista uma verdadeira necessidade de contribuir para o agravar da confusão que já existe em torno das licenças open-source com uma nova versão da GPL;
  2. A FSF recomenda a utilização da GPLv2 acompanhada de uma nota que autoriza a redistribuição e/ou modificação do software sob uma versão posterior da licença, se assim se desejar. Este pequeno detalhe - muitas vezes ignorado - pode tornar-se perigoso, pois retira aos autores a liberdade de definir os termos exactos de licenciamento dos seus trabalhos.

Pois bem, o processo de discussão da GPLv3 foi iniciado, e já existe um draft inicial público.

Dito isto... é certo e sabido que muita gente anda por aí a aplicar a GPLv2 a projectos sem nunca a ter realmente lido - e muito menos compreendido - só porque se tornou numa espécie de licença default. Assim, seria de esperar que a FSF tentasse fazer algo no sentido da simplificação, tornando-a acessível ao comum dos mortais e menos susceptível de ser violada por simples ignorância, mas tal não parece ter acontecido... O actual draft é (ainda) mais extenso e mais obscuro do que a versão 2.

É preciso uma boa dose de paciência para tentar digerir todo aquele palavreado longo, maçador e circular, e eu ainda não consegui reunir uma dose suficiente para a ler até ao fim...

Daquilo que li... parece-me aceitável. Isto, claro, para quem partilha a visão ideológica do Richard Stallman... (Todo o software deve ser livre, and all that jazz.)

Uma das novas cláusulas, que pode ser usada como exemplo, revoga todos os direitos sobre o software licenciado a quem processar outros utilizadores por possíveis infracções sobre patentes relacionadas com esse mesmo software. Esta e outras cláusulas de retaliação contra as patentes de software e métodos de DRM parecem boas no papel, mas transformam a GPL numa licença ainda mais política do que já é...

Portanto, em tese eu até concordo com as alterações, mas resta saber se o aumento de complexidade e o reforço do peso ideológico não vão acabar por negar as supostas vantagens face à actual versão que, como eu dizia no outro artigo, só por si já é pasto fértil para FUD.

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