Big Crunch
No mundo do software existe uma clara tendência para adicionar funcionalidades sem pensar nas consequências, é o feature creep.
Esta tendência parece ser desencadeada pela necessidade de criar razões para os utilizadores fazerem upgrade, ou pela vontade de levar o software para o nível enterprise. Mas independentemente dos motivos, o resultado é sempre o mesmo: o software torna-se demasiado pesado e perde a utilidade. Pode dizer-se que cresce até se tornar insustentável, e colapsa.
Na realidade os utilizadores não querem mais funcionalidades, querem mais qualidade. Querem que o software faça aquilo para que foi desenhado, de uma forma progressivamente mais eficiente.
Um exemplo... Os web services começaram a ganhar popularidade pela simplicidade e atitude no frills. No entanto, seguindo aquela velha história «dado um martelo suficientemente grande todos os problemas parecem pregos», estão rapidamente a tornar-se numa espécie de CORBA... complexos, cheios de terminologia obtusa e funcionalidades duvidosas. A qualquer momento vai aparecer uma alternativa a prometer o mesmo que os web services prometiam no início, e o ciclo recomeçará.
Outro exemplo, o Apache... Durante anos, para a comunidade open-source, era como se não existisse mais nenhum servidor web. Curiosamente, agora que o Apache é uma solução madura, flexível, e rica em funcionalidades, é que as pessoas começam a levar cada vez mais a sério a ideia de usar alternativas mais leves, como o lighttpd. Pode não ser já amanhã, mas um dia destes o Apache também vai implodir.
Existe esta mania irritante de pensar que enterprise significa automaticamente complexidade e bloat... Enterprise significa ser fiável, servir para resolver os problemas, e não dar chatices. Em 90% dos casos as soluções mais simples conseguem preencher os três requisitos em simultâneo, para quê complicar?
Se calhar é mesmo só para a cagança... para poderem dizer que estão a desenvolver uma aplicação que vai correr num Appserver com EJBs*, WS-*, integrado numa arquitectura SOA, quando na verdade não passa de um site interno merdoso que podia perfeitamente ser desenvolvido em Python** ou PHP, sem complicações e com muito menos problemas no futuro.
Mas já estou a começar a divagar... E pensar que isto era para ser um post acerca de quanto o C++ é bloated, desnecessariamente complicado e globalmente feio...
* Eu sei, já estão démodé...
** BTW, o site do Python está com um novo visual há um mês, mas o mirror no LISA ainda tem o visual antigo. Ai ai estes mirrors portugueses... É por estas e por outras que a malta por cá continua a ignorá-los.
Esta tendência parece ser desencadeada pela necessidade de criar razões para os utilizadores fazerem upgrade, ou pela vontade de levar o software para o nível enterprise. Mas independentemente dos motivos, o resultado é sempre o mesmo: o software torna-se demasiado pesado e perde a utilidade. Pode dizer-se que cresce até se tornar insustentável, e colapsa.
Na realidade os utilizadores não querem mais funcionalidades, querem mais qualidade. Querem que o software faça aquilo para que foi desenhado, de uma forma progressivamente mais eficiente.
Um exemplo... Os web services começaram a ganhar popularidade pela simplicidade e atitude no frills. No entanto, seguindo aquela velha história «dado um martelo suficientemente grande todos os problemas parecem pregos», estão rapidamente a tornar-se numa espécie de CORBA... complexos, cheios de terminologia obtusa e funcionalidades duvidosas. A qualquer momento vai aparecer uma alternativa a prometer o mesmo que os web services prometiam no início, e o ciclo recomeçará.
Outro exemplo, o Apache... Durante anos, para a comunidade open-source, era como se não existisse mais nenhum servidor web. Curiosamente, agora que o Apache é uma solução madura, flexível, e rica em funcionalidades, é que as pessoas começam a levar cada vez mais a sério a ideia de usar alternativas mais leves, como o lighttpd. Pode não ser já amanhã, mas um dia destes o Apache também vai implodir.
Existe esta mania irritante de pensar que enterprise significa automaticamente complexidade e bloat... Enterprise significa ser fiável, servir para resolver os problemas, e não dar chatices. Em 90% dos casos as soluções mais simples conseguem preencher os três requisitos em simultâneo, para quê complicar?
Se calhar é mesmo só para a cagança... para poderem dizer que estão a desenvolver uma aplicação que vai correr num Appserver com EJBs*, WS-*, integrado numa arquitectura SOA, quando na verdade não passa de um site interno merdoso que podia perfeitamente ser desenvolvido em Python** ou PHP, sem complicações e com muito menos problemas no futuro.
Mas já estou a começar a divagar... E pensar que isto era para ser um post acerca de quanto o C++ é bloated, desnecessariamente complicado e globalmente feio...
* Eu sei, já estão démodé...
** BTW, o site do Python está com um novo visual há um mês, mas o mirror no LISA ainda tem o visual antigo. Ai ai estes mirrors portugueses... É por estas e por outras que a malta por cá continua a ignorá-los.
A qualquer momento vai aparecer uma alternativa a prometer o mesmo que os web services prometiam no início
Chama-se REST
http://en.wikipedia.org/wiki/REST
-- MV
Por
Anónimo, em 07 Abril, 2006 15:05
BTW, o site do Python está com um novo visual há um mês, mas o mirror no LISA ainda tem o visual antigo. Ai ai estes mirrors portugueses... É por estas e por outras que a malta por cá continua a ignorá-los.
# Python
0 0 * * * /usr/local/bin/rsync -auvz --delete rsync://www.python.org/ftp/pub/ /export/home2/python
Esta é a linha que faz o rsync. Se não foi alterado foi porque não havia alterações no site oficial.
Por
vd@linius.pt, em 18 Abril, 2006 15:48