Tudo Sobre Nada

C++/CLI

A Microsoft está a tentar tornar a sua linguagem C++/CLI num standard ISO, mas o Reino Unido apresenta algumas objecções ao uso do nome C++, alegando (entre outras razões) que o Standard C++ e o C++/CLI tenderão a divergir, e que a semelhança entre os nomes pode levar a uma confusão entre o que é Standard C++, e o que não é.

Curioso o parágrafo final...
This paper should not in any way be taken as suggesting that there is a sinister plot by Microsoft or anyone else to usurp or subvert the C++ Standard. Microsoft is an active participant in and a strong contributor to WG21. We accept that the people involved in this project are sincere in what they are trying to accomplish and do have persuasive (to them) reasons why they think these are good ideas. However, we also think they misunderstand what is important to other people.

[fonte: osnews]

Pensava que já tinha visto tudo...

...afinal não. Neve na Póvoa de Santa Iria...

Póvoa de Santa Iria

Lies, damn lies, and statistics

Alguém passou uma série de sites pelo W3C Validator e chegou a esta brilhante conclusão:
I'd just like to say kudos to Microsoft. For a company that does so many things wrong, they were actually able to pull off something perfect. Both MSN.com and Microsoft.com adhere perfectly to web standards! Every other company on this list needs to get their act together, especially C|Net with over 1000 errors!

É uma pena que não tenha experimentado também o site da MSDN, ou do Windows, ou ainda o site dos downloads. Os dois primeiros falham a validação com 70 erros, e o segundo com 29. Ah, e também o site do Office, que falha com 84 erros.

Mas não vale a pena malhar (só) na Microsoft... Leiam esta análise que o Google fez a mais de 1000 milhões de páginas para terem uma ideia da quantidade enorme de erros que existem em tudo quanto são sites.

Damn you, Netscape! Damn you!

[via: Pedro Santos]

Há gente com tempo a mais...

A lista dos domínios registados e activos nas últimas 48 horas - no dns.pt - mostra algumas entradas com caracteres acentuados. Mas o que é realmente interessante é que... não parece ser obrigatória a existência do domínio equivalente não acentuado(*).

Permitir o registo de domínios (IDN) com caracteres fora do grupo ASCII-7bit é provavelmente uma das ideias mais parvas alguma vez saídas da FCCN... E não criar o domínio "normal" equivalente, bem... deixo a cada um de vocês a escolha da palavra para o descrever.

Gostava mesmo de saber qual é a resposta dos responsáveis por esta ideia "brilhante" às seguintes perguntas:

  1. Como se usa um domínio destes em qualquer outra aplicação que não seja um browser web?
  2. Como se consegue usar um domínio destes a partir de um computador com um teclado que não tenha as teclas necessárias para o escrever? Por exemplo, como é que um americano acede a um site ou envia um email para um domínio com "ç" no nome?
  3. O que é que se ganha em ter um domínio com caracteres acentuados?

E não, nem pensem em usar aquela codificação marada como argumento! Ninguém consegue memorizar um nome do estilo "xn--domnio-5va.pt", e não há ninguém que tenha a lata de afirmar que é preferível ter isto num cartão de visita.

Um nome de domínio deve ser universalmente acessível, e como tal não deve usar caracteres que não estejam universalmente disponíveis nos teclados. E simultaneamente deve poder ser utilizado a partir de qualquer aplicação alguma vez escrita, sem que o utilizador tenha de andar a fazer conversões manhosas.

Em vez de "domínio.pt"(**) têm de escrever "dominio.pt"? E depois, qual é o problema? Cai-lhes um braço por causa disso?

Além do mais, poder ter domínios que só diferem na acentuação é uma excelente porta aberta a esquemas de phishing, de tal forma que umas quantas vulnerabilidades deste género já forçaram o Firefox a recomendar a desactivação desta funcionalidade em várias ocasiões, e levaram a que, hoje em dia, os nomes sejam imediatamente substituídos pela sua forma codificada na barra de endereços.

Para mim, adoptar o uso de IDN é uma simples atitude "me too" e um exemplo do "politicamente correcto" sem qualquer espírito crítico. Toda a gente vê os problemas disto, mas ninguém quer ser o primeiro a recusar a sua implementação. E ainda por cima a FCCN não o implementa como extra aos nomes normais, mas sim como alternativa a estes, o que retira ao utilizador toda a possibilidade de os ignorar, pura e simplesmente.

Já agora, especialmente engraçado é o facto do "dns.pt" mostrar os caracteres acentuados como "?" na lista...

(*) Como exemplo puramente aleatório, experimentem o nome "reaccoes-positivas.pt" e "reacções-positivas.pt". Alguém registou uma empresa com este nome usando o serviço «Empresa na Hora», e o domínio foi criado automaticamente, mas apenas na variante acentuada.

(**) Reparei agora que o nome "domínio.pt" existe e pertence à VIA Networks. Mais um exemplo de como a FCCN só impõe as regras de registo de domínios a alguns...

Actualização:

Acabei de detectar um domínio com acentuação errada (crepusculo-da-manhã.pt - crepúsculo leva acento), o que acrescenta mais uma desvantagem à minha lista: confusão.

Actualização:

Afinal o domínio referido na anterior actualização está correcto, a gralha está na própria lista. Curiosamente, também é um domínio registado automaticamente pelo serviço «Empresa na Hora»...

GPLv3 + FUD = GPLv2 - 1?

Em Abril do ano passado coloquei aqui um artigo onde manifestava a minha preocupação acerca da futura versão 3 da GPL, preocupação essa que girava em torno de dois aspectos fundamentais:

  1. A GPLv2 continua a ser eficaz no objectivo a que se propôe: garantir que o software livre por ela protegido se mantém livre. Assim, não é claro que exista uma verdadeira necessidade de contribuir para o agravar da confusão que já existe em torno das licenças open-source com uma nova versão da GPL;
  2. A FSF recomenda a utilização da GPLv2 acompanhada de uma nota que autoriza a redistribuição e/ou modificação do software sob uma versão posterior da licença, se assim se desejar. Este pequeno detalhe - muitas vezes ignorado - pode tornar-se perigoso, pois retira aos autores a liberdade de definir os termos exactos de licenciamento dos seus trabalhos.

Pois bem, o processo de discussão da GPLv3 foi iniciado, e já existe um draft inicial público.

Dito isto... é certo e sabido que muita gente anda por aí a aplicar a GPLv2 a projectos sem nunca a ter realmente lido - e muito menos compreendido - só porque se tornou numa espécie de licença default. Assim, seria de esperar que a FSF tentasse fazer algo no sentido da simplificação, tornando-a acessível ao comum dos mortais e menos susceptível de ser violada por simples ignorância, mas tal não parece ter acontecido... O actual draft é (ainda) mais extenso e mais obscuro do que a versão 2.

É preciso uma boa dose de paciência para tentar digerir todo aquele palavreado longo, maçador e circular, e eu ainda não consegui reunir uma dose suficiente para a ler até ao fim...

Daquilo que li... parece-me aceitável. Isto, claro, para quem partilha a visão ideológica do Richard Stallman... (Todo o software deve ser livre, and all that jazz.)

Uma das novas cláusulas, que pode ser usada como exemplo, revoga todos os direitos sobre o software licenciado a quem processar outros utilizadores por possíveis infracções sobre patentes relacionadas com esse mesmo software. Esta e outras cláusulas de retaliação contra as patentes de software e métodos de DRM parecem boas no papel, mas transformam a GPL numa licença ainda mais política do que já é...

Portanto, em tese eu até concordo com as alterações, mas resta saber se o aumento de complexidade e o reforço do peso ideológico não vão acabar por negar as supostas vantagens face à actual versão que, como eu dizia no outro artigo, só por si já é pasto fértil para FUD.

Yikes!

ofuscação - s. f. - acto ou efeito de ofuscar; obscurecimento; obcecação; alucinação; deslumbramento; man sudoers.

Web à portuguesa

Tal como eu temia, o site oficial das eleições presidenciais não gosta do Firefox, já que a redirecção para o site dos resultados não funciona, o que obriga os utilizadores a usarem o IE para, no mínimo, descobrir qual é o seu endereço...

Felizmente, a partir daí funciona mais ou menos bem em Firefox. E digo mais ou menos bem porque (quase todos) os mapas aparecem transparentes (melhor do que no Opera e no Konqueror, onde ficam inacessíveis por baixo dos outros elementos da página).

Actualização: Afinal de contas o problema da redirecção era do (meu) Firefox... Apesar da página que estava em cache já ter uns dois dias, ele continuava a usá-la e nunca ia buscar a nova versão. Oops, nota negativa para o Firefox (parece que estão a tentar replicar os comportamentos bizarros da cache do IE...).

Proibida a entrada a pessoas estranhas ao serviço

Já se sabe que o Windows é um sistema operativo proprietário, mas a Microsoft parece estar decidida a colocar a definição de "proprietário" um pouco mais além...
For Windows Vista and later versions of the Windows family of operating systems, kernel-mode software must have a digital signature to load on x64-based computer systems.

Isto significa que ninguém poderá desenvolver drivers para o Windows Vista x64 sem ter um certificado válido para os assinar, certificado esse que (aparentemente) a Microsoft fornecerá de borla. Mas...
Microsoft says they won't charge for it, but they require that you have a Class 3 Commercial Software Publisher Certificate from Verisign. This costs $500 [EUR 412] per year, and as the name implies, is only available to commercial entities.

Está-se mesmo a ver o que isto significa para os drivers open-source... Projectos como o OpenVPN, por exemplo, ficarão excluídos do Windows Vista x64.

Assim de repente a justificação para isto parece ser a estabilidade do sistema mas - mesmo que realmente seja essa a razão - não vai ter qualquer efeito. Se basta ter um certificado para assinar o código, então isto quer dizer que não existe qualquer controlo de qualidade por parte da Microsoft, nem sequer ao nível do que existe actualmente com o WHQL, logo não haverão quaisquer garantias extra sobre a qualidade dos drivers.

Não, o objectivo é controlar quem pode ou não desenvolver código kernel-mode, e ao mesmo tempo impedir a disseminação de software que contorne as medidas de DRM implementadas na próxima versão do Windows (nestes casos as assinaturas são obrigatórias mesmo em IA32)...
Drivers must be signed for devices that stream protected content. This includes audio drivers that use Protected User Mode Audio (PUMA) and Protected Audio Path (PAP), and video device drivers that handle protected video path-output protection management (PVP-OPM) commands.

Será que é desta que a Microsoft vai dar um tiro no pé?

[fonte: osnews]

PS: Se o mecanismo de verificação das assinaturas for tão bom quanto o mecanismo usado no Windows XP para impedir a utilização de themes não assinados, então bem podem por as barbas de molho... (A malta da Microsoft, entenda-se.)

Epá!

Já vos tinha dito o quanto o Debian BTS é mau? É que aquilo está muito para lá de mau, é pior que péssimo... Eu tinha vergonha de manter um projecto que tem um "bugzilla" assim tão mau!

Caramba, com tantos sistemas de gestão de bugs que andam por aí, os tipos ainda têm de continuar a usar o pior deles todos?!

Hmmm...

Quem visitar o site oficial das eleições presidenciais usando Firefox vai ser brindado com uns erros no topo da página. Esperemos que no domingo o site não se revele IE-only...

Sci-Fi/FX geekiness

Se já viram episódios do CSI, CSI: Miami, Firefly, ou Battlestar Galactica, então já viram o trabalho do pessoal dos ZOIC Studios.

No site deles podem encontrar-se montes de demo reels dos mais variados projectos, desde séries a anúncios de televisão, passando por alguns filmes, como o Serenity, Spiderman 2, The Day After Tomorrow ou Van Helsing.

Como curiosidade, a música de fundo da demo reel do Firefly faz parte da banda sonora do Dark City, um filme que não tem um único segundo sem música.

Porquê...?

Ok... eu reconheço que o Perl é poderoso e flexível, e que mais nenhuma linguagem tem um repositório de módulos com a abrangência do CPAN, mas mesmo assim não consigo compreender como alguém escolhe desenvolver em Perl quando pode escolher Python...

Eu tentei gostar de Perl, a sério que tentei(*), mas aquilo é feio...

Começa por ter uma sintaxe demasiado flexível, o que dá origem a n dialectos diferentes para cada n programadores, depois tem montes de "cool tricks" (como as variáveis por omissão) e ainda tem aquela tendência horrível para usar verrugas ($, @, # ou &) para identificar tipos de variáveis e chamadas de funções. Tudo isto a contribuir para código feio, ou mesmo ilegível.

Quando é um dado adquirido que um programador passa mais tempo a ler código do que a escrevê-lo, não percebo como é que alguém pode gostar de Perl.

(*) Antes até de me ter virado para o Python.

Bingo!

Este é um excerto de uma entrevista ao autor do livro «The Debian System»...
You install a Debian system once, and then it keeps running until it has outserved (or the hardware dies), enjoying APT upgrades and consistent system administration paradigms throughout its lifetime. In addition, our policy ensures that the system is tidy, that packages coexist happily with each other, and that you don't end up wishing to reinstall because you've lost control.

Na mouche!

O futuro é baseado em software

Uma coisa que eu acho curiosa é o progressivo aumento da importância do software em tudo quanto são artefactos tecnológicos.

A electrónica avançou ao ponto de se tornar um mero veículo para o software. Hoje em dia já só se desenvolvem circuitos especializados em casos onde realmente essa é a única escolha viável - por razões de performance, ou outras - mas mesmo muitos desses casos acabam por ser uma mera implementação física de algo que é desenvolvido inicialmente como software, usando linguagens como o VHDL ou Verilog.

Não sou um tipo da electrónica, e se calhar estou a ser tendencioso, mas parece-me que uma grande parte da lógica integrada já se transformou em firmware.

Isto é bastante interessante para quem sabe - e gosta - de programar. Não só porque aumenta o mercado de emprego, mas também porque permite entrar em áreas novas e interessantes.

Não é preciso recuar até ao tempo de Dijkstra(*)... Apenas há algumas décadas atrás seria impensável que programadores pudessem ter tanta importância no desenvolvimento do motor de um automóvel, por exemplo.

Programar é fixe... :)

(*) Que dizia ser "Físico Teórico" porque ninguém considerava "Programador" uma profissão.

Sempre a subir...

Um estudo recente mostra uma utilização do Firefox à volta dos 20% na Europa, e 15% nos EUA.

Como se pode ver na figura, Portugal marca uns incríveis 14.5%... Nada mau.

Façam o favor de mostrar isto a todos os que ainda pensam que a web e o Internet Explorer são a mesma coisa...

Ye Olde Newsgroups

Este blog foi criado com um propósito em mente, servir como um púlpito virtual onde eu pudesse largar as minhas ideias. Se seria lido por muitos ou por poucos, não era muito relevante, o que interessava era escrever. Aliás, julgo que esta é exactamente a ideia que está subjacente à maioria dos blogs. É uma questão de ego, mas não de popularidade.

Sendo eu um geek assumido, é natural que goste de falar sobre tecnologia. No entanto, tento evitar aborrecer de morte os meus amigos (apesar de ocasionalmente não ser lá muito bem sucedido...). Um blog contorna um pouco esta limitação, ninguém é obrigado a ler o que escrevo se não estiver para aí virado.

Mas... este formato, apesar de permitir a qualquer um expor as suas opiniões e dissertar sobre os mais variados temas, não está isento de limitações.

É um meio de comunicação basicamente unidireccional. Os leitores podem participar com comentários, é certo, mas existe sempre uma separação artificial entre eles e o anfitrião. Mesmo que meramente psicológica, ela está lá. E o pior... raramente há interacção entre os próprios leitores, nunca existe uma verdadeira discussão peer-to-peer.

Onde é que eu quero chegar com isto...?

O Gildot[*] veio substituir os newsgroups, e com o declínio do Gildot criou-se um vazio... Não existe hoje um fórum em português onde se possam gerar discussões construtivas sobre o tema tecnologia. Das duas uma, ou se lêem blogs e se sacrifica a troca de ideias, ou se participa em discussões no Gildot e se sacrifica... a troca de ideias.

As discussões Linux vs. Windows, ou open-source vs. Microsoft já estão gastas. Só se pode discutir as falhas de segurança do Windows - e como o Linux é a solução para todos os males - um número finito de vezes antes de perder completamente o interesse. No fundo, hoje assiste-se a uma transformação do debate tecnológico na web numa espécie de discussão de tasca sobre futebol, oca e desinteressante.

Este não é um fenómeno exclusivamente português mas, dada a nossa dimensão, no nosso caso é grave...

Isto pode ser apenas nostalgia, mas parece-me que ao mesmo tempo que a Internet crescia e os fóruns de discussão mais especializados se multiplicavam, os fóruns mais generalistas se foram progressivamente dissolvendo.

Será que há solução?

PS: eu já falei disto na thread de comentários ao artigo sobre os blogs de portugueses escritos em inglês, mas achei que merecia um artigo de topo.

[*] Não quero tornar isto em mais um ataque ao Gildot. Este é usado aqui a título de exemplo, mas poderia ter escolhido outro site similar, estrangeiro por exemplo, como o Barrapunto ou o próprio Slashdot.

Windows Media Player para Mac, R. I. P.

A Microsoft já havia cancelado o desenvolvimento do Internet Explorer para Mac, e agora é a vez do Windows Media Player.

Talvez estes cancelamentos mostrem a quem anda por aí a fornecer streaming audio em Windows Media - em vez de usar o bom e velho MP3 - qual é realmente a melhor escolha...

picoPSU

Ora, um pouco a próposito de um dos últimos artigos aqui no blog, cá está uma fonte de alimentação em formato mini que não faz mais do que converter 12V (DC) para as tensões necessárias para alimentar uma board ATX e alguns periféricos (internos) como um disco e/ou um leitor de DVD.


Apesar do seu formato diminuto consegue debitar até 120W, nada mau.

FAT com patentes

Parece que afinal a Microsoft tem direito às patentes que reclamava sobre a FAT. O serviço de patentes norte-americano decidiu recentemente que as patentes são válidas, após duas decisões preliminares onde dizia exactamente o contrário.

É claro que isto apenas se refere aos EUA, mas se o que aconteceu no caso do MP3 for um exemplo... deixo à vossa imaginação o que isto pode significar para o Linux.

Dica do dia

Vejamos o output do comando ls -ld /tmp:

carlos@sulaco:~$ ls -ld /tmp
drwxrwxrwt 2 root root 4096 2006-01-10 18:22 /tmp

O "t" que podemos observar na lista das permissões normalmente só aparece em directorias temporárias (/tmp ou /var/tmp), logo, para algumas pessoas significa qualquer coisa como "temporário". Tal não é verdade, e este "t" pode até ser bastante útil noutras situações.

Como se pode ler na documentação (man chmod), o "t" é o chamado sticky-bit que, em Linux e outros unixes modernos, não tem qualquer efeito quando aplicado a um ficheiro. No entanto, quando aplicado a uma directoria afecta a forma como suas permissões são avaliadas...

Ter permissões de escrita (e execução) numa directoria traz consigo o direito de apagar quaisquer ficheiros que lá estejam dentro, mesmo sem que tenhamos permissões para os ler e/ou escrever. Afinal de contas, o conteúdo de uma directoria não é mais do que informação sobre ficheiros e outras directorias, e as permissões da directoria dão-nos o direito de apagar essa informação.

Assim, o sticky-bit permite eliminar este caso, limitando a permissão de apagar ou renomear um ficheiro apenas ao seu dono ou ao root.

É por isso que aparece sempre em directorias temporárias, para evitar que uns utilizadores possam apagar os ficheiros temporários dos outros.

Demasiados cabos...

Eu gostava de saber porque é que cada dispositivo tem de ter um power brick com uma voltagem diferente, porque é que nenhum tem mais de uma saída para poder alimentar vários dispositivos, e - mais importante ainda - porque é que a maioria deles não têm uma porcaria de um troço de cabo com uma ficha na ponta...

Debaixo da minha secretária tenho um monte de tijolos, cada um a alimentar um dispositivo diferente, ligados a um conjunto de extensões múltiplas com o dobro das tomadas necessárias, só porque cada tijolo inutiliza pelo menos uma das tomadas adjacentes, e os fabricantes de hardware não se sabem juntar para acabar com este caos.

A quantidade de cabos eléctricos ultrapassa claramente a quantidade de cabos de dados, já para não dizer que conseguem evadir facilmente qualquer tentativa de os manter arrumados.

O estado actual das coisas é insustentável e totalmente desnecessário, já que não estou a ver uma razão válida para um dispositivo ter um tijolo de 12V e outro de 10V. Podiam ambos usar o de 12V e simplesmente espetar lá (no dispositivo) uma resistência para obter 10V...

A prova da simplicidade desta solução é o standard PoE (Power-over-Ethernet), que define uma voltagem de 48V. Ora, eu tenho aqui um access point da ASUS que suporta PoE ou, alternativamente, alimentação a partir de um transformador de 5V. Claramente ele converte 48V para 5V quando se está a usar PoE, e não é por isso que aquilo aquece mais...

E depois alguns fabricantes ainda têm a lata de usar tijolos de 17.5V ou outros valores esquisitos afins. O transformador avaria-se e não se consegue arranjar nada no mercado, é preciso comprar directamente ao fabricante original que, só por acaso, leva mais dinheiro do que o valor do dispositivo que vai alimentar...

PS: Este problema foi abordado recentemente na apresentação do Google no CES.

Recomendações? Hmm...

Ter deixado de usar Linux no desktop coloca-me uma questão interessante... Será que eu ainda recomendo a sua utilização?

Tal como eu dizia no outro dia, não usar Linux no desktop não quer dizer que não reconheça a importância do desenvolvimento de muitas das tecnologias que lhe estão subjacentes, pois têm aplicação noutras áreas onde o Linux tem muito potencial. Ora, a maior locomotiva para o avanço dessas tecnologias é o próprio desktop, e é tanto mais forte quanto mais utilizadores houver.
Faz o que eu digo, não faças o que eu faço.

Realmente esta parece ser a mensagem que estou aqui a tentar transmitir, mas isso é só aparência... Na realidade a questão é um pouco mais complexa.

Não vou aqui voltar às razões que me levaram a largar o Linux no desktop (porque isso até já a mim me aborrece), vou limitar-me a dizer que os meus interesses se alteraram de uma forma que me fez olhar para ele com os olhos de um utilizador comum, que usa o desktop como um meio e não como um fim em si próprio.

Assim, voltando à questão inicial, eu só recomendo o desktop Linux a quem esteja realmente interessado em explorar o sistema, que esteja disposto a encarar os problemas como forma de aprendizagem, e que realmente queira lidar com todas as idiossincrasias de um sistema unix-like em que o "darwinismo" é a forma preferida de evolução(*).

Notem que isto exclui todos os que simplesmente estejam dispostos a aturar os problemas e as particularidades do Linux... é preciso que estejam mesmo à procura de desafios. Utilizadores (mesmo que avançados), fartos dos problemas de vírus e spyware do Windows ficarão melhor se comprarem um Mac...

Eu passei anos a usar Linux no desktop exactamente por esta razão, porque gostava mesmo daquilo, e os problemas eram diversão e não chatices. Recomendo-o a todos os que partilharem deste espírito.

(*) O "darwinismo" tem-se revelado extremamente eficaz no avanço do Linux no servidor e em muitas outras áreas, mas eu não acredito que funcione no desktop, pois este tem a particularidade de requerer uma forte visão integrada do que deve ser o produto final. A importância desta visão pode observar-se no MacOS X, que é o único sistema unix-like que consegue proporcionar uma boa experiência no desktop.

Directorias indexadas em Debian

Talvez porque o kernel 2.4 não o suporte, o instalador do Debian Sarge não formata partições ext3 com directorias indexadas ("dir_index"). Na maioria dos casos isto não é muito relevante, mas pode trazer um aumento de performance interessante em directorias com muitos ficheiros.

Para activar esta funcionalidade basta fazer tune2fs -O dir_index device. A partir daqui as directorias irão sendo indexadas à medida que forem sendo modificadas.

Para forçar uma optimização de todas as directorias, pode fazer-se fsck.ext3 -f -D device com o filesystem "desmontado" (isto significa que se terá de arrancar a máquina passando ao kernel o parâmetro init=/bin/sh, se se tratar do root filesystem).

Mas que grande m...

O Debian BTS é o maior monte de bosta fumegante que eu já vi... Alguém é capaz de me explicar como raio se consegue fazer uma pesquisa de bug reports por texto ou título?

Tanta porcaria que aquela página lá tem, e tudo completamente irrelevante quando apenas se quer saber se um determinado problema que estamos a ver já foi ou não relatado.

Filesystems em Linux, face-a-face

Ahh... a guerra santa dos filesystems, quase tão sangrenta quanto as guerras "vi vs. emacs", ou "espaços vs. tabs", mas igualmente inconclusiva...

Na Linux Gazette deste mês vem um artigo onde se compara o XFS, JFS, ext2, ext3, ReiserFSv3 e ReiserFSv4 usando um kernel recente (2.6.14.4). Os resultados são bastante interessantes, especialmente quando comparados com os resultados a que o mesmo autor tinha chegado em Março do ano passado, nessa altura usando um kernel 2.4.26.

No final das contas o ext3 demonstra porque é a escolha default de um grande número de distribuições: parece ser o actual campeão de performance.

O JFS também surpreende, aparecendo como um filesystem bastante equilibrado, com boa performance e baixo consumo de processamento.

Quanto ao ReiserFSv3... parece ter andado para trás, com reduções de performance em alguns testes. Talvez isto se deva ao seu método de desenvolvimento por comparação com os restantes filesystems testados. Segundo se depreende por algumas discussões na LKML, a equipa que o desenvolveu acabou por abandoná-lo quase totalmente assim que se tornou parte do kernel do Linus(*), mudando os seus esforços para o ReiserFSv4.

ReiserFSv4 que, diga-se de passagem, não se porta bem em quase nenhum dos testes. No entanto, no Slashdot a ideia geral é que este filesystem tenta ganhar em performance à custa de um consumo elevado de CPU(**), e o sistema usado nestes testes é um Pentium III a 500MHz...

(*) Quando um pedaço de código entra no kernel do Linus, torna-se responsabilidade colectiva de todos os seus developers. Por essa razão o ReiserFSv3 não ficou parado neste tempo todo, mas as alterações parecem ter-se limitado a adaptações e acrescentos de funcionalidade para suportar outros subsistemas (alterações de APIs na camada VFS, ou modificações para suportar o SE Linux, por exemplo).
A falta de participação da equipa liderada pelo Hans Reiser na manutenção do ReiserFSv3 e a incompatibilidade total das estruturas em disco são, aliás, duas das principais razões para a recusa sistemática de inclusão do ReiserFSv4 por parte do Linus e outros maintainers do kernel.

(**) Sinceramente, isto não me soa nada bem. Existem muitas situações em que uma máquina pode estar a correr um misto de aplicações I/O-bound e CPU-bound (múltiplos processos concorrentes em estados alternados de consumo de CPU e escritas em disco, por exemplo). Neste caso o ReiserFSv4 parece ser bastante mau.

Abuso...

A Nvidia e a Dell apresentaram um sistema com duas placas gráficas, cada uma constituida por dois PCBs distintos, cada um com uma GPU GeForce 7800GTX com 512Mb de memória, tudo isto em SLI.

Não sei bem a que mercado isto se destina, talvez ao mercado da visualização high-end. No entanto, se fosse este o caso suponho que teriam escolhido GPUs da gama Quadro.

Bem, se ignorarmos o facto de que deve consumir electricidade equivalente a uma pequena cidade, pelo menos já deve dar para correr o Doom 3 e o Quake 4 com uma framerate decente, talvez...

Tecnologia na língua de Camões, onde pára?

Para aprender alguma coisa relacionada com tecnologia leio documentação e livros em inglês. Para ver as minhas dúvidas esclarecidas, e esclarecer (quando posso) as dúvidas dos outros, participo em listas de discussão em inglês. Para me manter a par da actualidade tecnológica visito sites... em inglês. Bem, a maioria pelo menos...

Até aqui a única excepção eram os blogs que sigo via Planeta Asterisco, mas progressivamente tenho notado - sem fazer contas, no entanto - que o inglês também aí se está a tornar na língua dominante.

Eu já toquei neste assunto aqui há uns meses largos, mas desta vez quero imprimir um tom diferente, menos politicamente correcto...

É interessante ler as coisas interessantes que alguns bloggers portugueses escrevem, especialmente porque é uma excelente oportunidade de conhecer como vai o mundo tecnológico sob o ponto de vista dos portugueses, por oposição a ver tudo de um ponto de vista americanizado.

Mas metade da piada vai pelo ralo quando escrevem em inglês...

Cada um terá as suas razões para não escrever em português, e tal e coiso, mas eu começo a ficar um bocado farto. Se falam sobre temas genéricos competem com os milhares sobre milhares de outros blogs em inglês, se falam sobre temas locais é simplesmente deprimente.

Resultado, quando podiam estar a contribuir para a criação de uma comunidade de blog(ger)s interessantes em português, estão apenas a somar um à multidão de blog(ger)s anónimos e inconsequentes. Tudo isto para quê? Para ganhar mais uns quantos hits de uns visitantes caídos de alguma pesquisa aleatória no Google?

E enquanto isso os tipos como eu que - para variar - querem ler algo, sobre um tema esmagadoramente dominado pelo mundo anglo-saxónico, escrito pelos seus compatriotas, e na sua própria língua, ficam a ver navios...

Está mal... um gajo fica chateado, pois claro que fica chateado!

PS: e escusam de me acusar de ter algumas vezes títulos em inglês, porque a isso chama-se falta de imaginação... ;)

Largar uma mina!

A recém-descoberta vulnerabilidade no processamento de ficheiros WMF em Windows pode ser, em certa medida, comparada a ter a directoria "." na PATH de um utilizador num sistema Unix-like.

Ambas as falhas parecem ser menosprezadas pela maioria dos utilizadores menos informados, e mesmo alguns dos mais informados parecem não ter ainda "chegado lá"...

Com a directoria "." na PATH é fácil para um utilizador malicioso com acesso à máquina levar outro utilizador a executar um comando arbitrário. Basta que, por exemplo, o coloque na /tmp com o nome ls. A vitima faz cd /tmp; ls e já está agarrada. Se a vítima for o root, é a desgraça completa.

Segundo a FAQ, podemos observar que a falha no processamento de WMFs também tem vectores de entrada semelhantes, basta a imagem ser aberta e não interessa de que forma, desde que se use a DLL afectada (o caso mais provável). Se pensarmos em software de indexação e nos thumbnails nas pastas, podemos imaginar imensas formas de um administrador ser levado a activar o exploit, inclusivé num servidor.

A grande diferença é neste caso não ser necessário um utilizador malicioso activamente colocar o ficheiro no local certo(*), qualquer utilizador o pode fazer inadvertidamente.

(*) E um utilizador ignorante adicionar o "." à PATH, já que não conheço nenhuma variante de Unix que o faça por default.

Recém-chegados

Chegaram hoje do sítio do costume as minhas mais recentes aquisições "livrescas", desta vez o Programming C# e o Learning PHP 5, ambos da O'Reilly.

  

Fica assim um pouco mais curta a minha (não muito longa) wishlist.

Novo Look

Já há bastante tempo que andava para dar um nova aparência a este blog, e desta é que foi.

A anterior era basicamente um dos templates disponibilizados pelo Blogger com apenas algumas pequenas alterações, e eu queria algo original. E já agora, dar algum uso aos conhecimentos adquiridos numa das minhas leituras recentes.

Este novo look é um pouco mais berrante do que o anterior, e também um pouco menos sofisticado (e ainda não está exactamente como eu quero), mas com um pouco de sorte não afugentará nenhum visitante... espero eu... :)

RSS II

Nem a propósito, mas a Yahoo! elaborou recentemente um estudo acerca do RSS, cujos resultados mostram que 31% dos utilizadores fazem uso de feeds RSS, mas apenas 12% realmente sabem o que é, e apenas 4% fazem um uso consciente dele (i.e. sem ser através de sites que agregam feeds de alguma forma).

Curiosamente, depois de passar uma vista de olhos pela discussão no Slashdot, fiquei com a sensação de que muita gente partilha a minha opinião quanto a este assunto, com alguns comentários a indicarem interesse no uso do RSS para seguir listas de bugs ou movimentos da conta bancária (por exemplo), mas não para notícias.

[Fonte: Slashdot]

Creepy...

O seguinte excerto faz parte da FAQ sobre a aquisição da Macromedia pela Adobe...

What are Adobe's plans for Flash Player and Adobe Reader?

Our long-term plan is to develop a "universal client" by combining PDF, Flash and HTML in a single, integrated runtime.(...)

Logo a seguir é referido que tanto o Flash Player como o Adobe Reader vão continuar a ser fornecidos como downloads separados, mas mesmo assim as palavras "bloat" e "frankenstein" vieram-me imediatamente à cabeça...