Tudo Sobre Nada

Lógica da Batata

Estava eu a olhar para as screenshots do Solaris 10 que recolhi há um tempo atrás, quando me saltou uma questão à cabeça... Se eu quisesse convencer um suit (não informático) a usar* Solaris**, mostrando-lhe um pouco do sistema, o que mostraria?

Poderia não mostrar nada e tentar argumentar com a fiabilidade, a robustez ou a escalabilidade do produto, ou como tem funcionalidades interessantes que contribuem para uma redução do "TCO" e um aumento do "ROI". No entanto, tudo isto é irrelevante se não conseguir criar na mente dele uma sensação de confiança, um warm, fuzzy feeling. Mundos e fundos todos prometem, pelo que a escolha acaba por ser mais emocional do que racional.

Tentem imaginar esta situação... Vão comprar uma placa gráfica e pegam em duas embalagens, uma de uma marca respeitável, com um design profissional e apelativo, que custa 150€, e outra (tecnicamente) um pouco melhor, da "TurboTek", com um design baratucho e todo folclórico, que custa 145€. Qual escolhem?

Se forem conservadores escolhem a primeira. Se forem mais aventureiros apostam na segunda, mas vão para casa a pensar se não deviam ter escolhido a outra...

Fica então estabelecido que é preciso mais do que argumentar, é preciso mostrar qualquer coisa que provoque uma reacção emocional positiva. Para isso podemos...
  • ...abrir uma sessão SSH para uma máquina com Solaris e fazer umas operações com o ZFS enquanto se explica o quanto aquilo é bom e lindo.
  • ...fazer login numa máquina Solaris com X, escolher o Java Desktop System (JDS), abrir um "gnome-terminal" e fazer umas operações com o ZFS enquanto se explica o quanto aquilo é bom e lindo.
  • ...fazer login numa máquina Solaris com X, escolher o CDE, abrir um terminal e fazer umas operações com o ZFS enquanto se explica o quanto aquilo é bom e lindo.

Para começar, ele não vai perceber nada do ZFS. Logo... risca-se a primeira opção.

Agora... o JDS já vai despertar algum interesse. Ele vai continuar a não perceber nada do ZFS, mas o techobabble combinado com o theme sofisticado criarão um efeito místico. Com um pouco de sorte, se ele for um tipo curioso perguntará se pode mexer um pouco.

Já com o CDE a reacção será de alguma confusão... Logo à partida porque a mistura do magenta com um cinzento-roxo não é particularmente feliz, e depois porque não vai perceber nada do ZFS...

Bom, então a melhor escolha é o JDS... Não, e é aqui que entra a minha teoria de hoje...

O JDS tem um aspecto mais desktop-ready, e isso vai criar problemas... O Windows domina no desktop, e ninguém gosta do Windows***. Logo, o primeiro efeito é criar um paralelo entre o Windows e o Solaris: se o JDS é parecido com o Windows, então o Solaris tem os mesmos problemas do Windows.

O segundo efeito é dar confiança para experimentar, o que vai resultar noutra comparação desfavorável para o Solaris: se o JDS é parecido com o Windows e não parece ser tão consistente quanto o Windows, então é pior do que o Windows e, como o Windows tem problemas, então o Solaris ainda deverá ter mais problemas, logo o Solaris não presta... este tipo está a tentar aldrabar-me...

Eu digo que a melhor escolha é o CDE... Tem janelas mas é suficientemente diferente e agreste para não provocar paralelos com o Windows, e o aspecto sóbrio conjugado com a mistificação gerada pelo ZFS provocam uma sensação de sysadmin territory simultaneamente repelente e fascinante.

Moral da história: a partir do momento em que uma pessoa cria paralelos com algo que lhe é familiar, a noção de qualidade torna-se imediatamente relativa. Se é igual ou ligeiramente inferior ao padrão de referência, é simplesmente mau. Se não demonstra claramente não padecer dos mesmos problemas do padrão de referência, então não justifica sequer perder tempo a pensar no assunto. That's it, end of story.

Já assistiram a discussões sobre o Solaris? Se a resposta for afirmativa, então já devem ter reparado a quantidade de gente que afirma que o Solaris não presta só porque não detectou automaticamente o hardware X, ou porque o JDS já é baseado num GNOME mais antigo onde existe o problema Y, ou porque o StarOffice não consegue processar correctamente o ficheiro Excel Z... É bom para servidores? Ok, mas mesmo assim não presta.

Q.E.D.

* Não directamente, claro, mas sim a colocar essa hipótese ou autorizar o uso na empresa.
** Quem diz Solaris diz Linux, só não quero ser acusado de usar Linux em tudo quanto são teorias...
*** Quantas vezes já ouviram as pessoas dizer que não gostam de computadores? Na realidade elas não gostam do Windows.

Mirroring em PT

Estou neste momento sentado ao computador no DI-FCT/UNL e acabei de instalar o Eclipse, tendo efectuado o download a partir do mirror da SWITCH (na Suíça).

Porquê da Suíça e não de Portugal? Tentei fazer o download a partir do IST e só conseguia 30Kb/s, do INESC Porto a mesma coisa, enquanto da SWITCH consegui taxas de 750Kb/s!

Este é o panorama actual para tudo quanto são mirrors universitários. Sempre que tenho de puxar alguma coisa que não esteja presente no mirror da FCT, escolho uma universidade espanhola ou alemã, porque 99.9% das vezes conseguem taxas de transferência entre 10 e 20x superiores.

Não entendo... Aposto que os mirrors portugueses têm muito menos carga do que os estrangeiros, e não acredito que as universidades portuguesas tenham as linhas para a FCCN saturadas no upload...

PFC - Power Factor Correction

Há algumas semanas que ando de roda do projecto de fim-de-curso, que se designa pomposamente por Implementação de Sistemas de Indexação para Espaços Métricos.

Basicamente estamos perante um problema deste tipo quando queremos obter todas as farmácias a uma distância (raio) de x Km do ponto onde estamos, ou fazer uma pesquisa aproximada numa base de dados de imagens a partir de uma imagem de referência, ou numa base de dados de genes, ou impressões digitais, ou qualquer outra coisa passível de ser expressa sob a forma de um ponto ("vector de características" ou "assinatura") e onde exista uma função de distância entre dois pontos.

Estes problemas podem ser fáceis ou difíceis de resolver, consoante a dimensão dos pontos e a complexidade da função de distância. Umas estruturas servem para resolver uns problemas, mas são demasiado ineficientes para outros (normalmente por não minimizarem suficientemente o cálculo de distâncias).

Resumindo, se para um SIG (pontos em R2 ou R3 com distâncias euclideanas) o problema já está praticamente resolvido, o mesmo já não se pode dizer para a pesquisa aproximada de imagens (com pontos em Rmuitos e funções de distância manhosas).

Wine^Hdows

O autor deste artigo no Linux Journal critica a forma como a comunidade open-source tende a copiar o que a Microsoft faz (mal), ao invés de fazer diferente e melhor. O artigo foca o desktop, e basicamente o tipo acerta mesmo no alvo.

Mas mais interessante do que o artigo é um comentário de um leitor...
Windows User to Linux Developer:
- "You have to make more people switch from Windows to Linux."

Linux Developer:
- "Uh, OK, how should I do that?"

Windows User:
- "You have to make Linux work, look, feel, sound, smell, and taste exactly like Windows."

Linux Developer:
- "If I do all of that, why should people bother to switch from Windows to Linux anyway?"

Windows User:
- "Ha ha, ya got me! I wouldn't switch to Linux if you paid me to, anyway, I was just seeing if you were stupid enough to fall for it!"

Vota OpenVPN!

Se tiverem de escolher um software de VPN, sigam o meu conselho e examinem com atenção o OpenVPN (GUI) antes de pensarem em gastar uma pipa de massa em software proprietário. Vão ver que não se arrependem.

Pelo menos eu ainda não me arrependi...


Este segundo artigo não analisa directamente o OpenVPN, mas refere-o positivamente enquanto critica severamente outras soluções disponíveis para Linux (cipe, vtun e tinc).

OpenVPN uses OpenSSL's SSL/TLS for its control channel, and so should be as secure as SSL/TLS in general. For the data channel it uses something based on IPsec's ESP, with IPsec-style sliding window replay detection. The key management step (that is, how to get from the SSL control channel to the data channel) is documented only in the source code, which I don't feel like reverse-engineering, but a quick look through it indicates that the author knows what he's doing.

Personal Wiki

Escolhi o TiddlyWiki como ferramenta para concentrar todos aqueles pedaços de informação e dicas que mantenho espalhados por uma data de sítios, e até agora parece-me interessante.

Apesar de ser pensado para um uso offline (que é exactamente o que eu quero), pensei em colocá-lo na minha página. O único senão é a dimensão do ficheiro, que já tem 164Kb* apesar de eu ainda mal ter começado a acrescentar lá coisas...

Seja como for, quem quiser dar uma vista de olhos pode fazê-lo aqui.

* Um valor já de si jeitoso, agravado pela crónica lentidão do tráfego outbound na FCT.

Another One Bites The Dust...

A última versão do BSplayer (1.39.829) inclui adware como "bónus" e, ao contrário de outro software gratuito para Windows, não oferece qualquer opção para o omitir.

O adware é uma praga desgraçada que, tal como os vírus, já devia ter sido considerado ilegal. Os milhões sobre milhões de computadores que se arrastam ou levam os utilizadores à loucura com popups constantes deveriam ser prova suficiente do carácter pernicioso deste tipo de software...

E que mania é esta agora de tudo quanto é software vir com a merda da Yahoo! Toolbar agarrada? Até o Acrobat Reader...!

Coming Soon...

Disponibilizar publicamente um projecto desenvolvido como hobby não significa apenas fazer um tar zcvf ... e colocá-lo algures para download. É preciso dar-lhe alguma sanidade em termos de organização, e ainda escrever um mínimo de documentação a explicar como funciona e como instalar. Tarefas nada extraordinárias, mas propensas a adiamentos sucessivos.

Bem... tenho de ver se um dia destes arranjo um pouco de tempo e me disponho a isso. Nos últimos tempos tenho andado a bater algum código (python) para gerar gráficos(*) a partir das estatísticas disponíveis em alguns dos ficheiros no /proc, e acho que é capaz de ser útil para mais alguém por aí.

Até lá, fica um screenshot...

(*) Usando o RRDtool para guardar os dados e produzir os gráficos, e Cheetah para gerar as páginas.