Tudo Sobre Nada

Artistic Geekness

Em tempos aprendi os básicos da linguagem do POV-Ray, e até cheguei a fazer algumas experiências praticamente sem recorrer a um modelador 3D*.

Na altura também nenhum dos modeladores gratuitos valia grande coisa, e eu achava mais interessante visualizar as cenas mentalmente para depois as tentar traduzir em código.

E claro... a piada que tinha deixar o meu Pentium 100 ligado mais de dois dias para "renderizar" uma simples imagem a 640x480...**

yafray

Mas hoje temos à nossa disposição capacidades de computação inimagináveis há apenas uns anos e - sob licenças open-source - toda a gama de software necessário para produzir boas imagens e animações foto-realistas. Além de raytracers como o POV-Ray ou o Yafray, existem também boas ferramentas de modelação e animação, como o Blender.

Por tudo isto estar apenas a um download de distância, o manual do Blender é um daqueles livros que ciclicamente me dá vontade de comprar. No entanto, a falta de tempo para investir na aprendizagem de algo tão complexo*** e, alas, a falta de talento, acabam sempre por me desmotivar.

Talvez um dia...

* Estas pedras foram modeladas com um programa qualquer cujo nome já não me recordo.
** Esta imagem está muito melhor e aposto que demorou muito menos tempo...
*** As técnicas de modelação e animação, entenda-se...

Em Image Sizing

Um exemplo de um layout para web capaz de sobreviver sem problemas a um zoom (imagens e tudo), usando CSS.

For God's Sake!!

Que mania é esta de alguns distribuidores de Linux espetarem com avisos na interface web do CUPS a tentar demover os utilizadores de a usarem para administrar as impressoras?

O vosso painel vomita as tripas fora se alguma outra ferramenta modificar os ficheiros de configuração? Então é uma merda, deitem-no fora...

E já agora, também podem mandar para o lixo as vossas ferramentas de administração do sistema que andam atrás um gajo a destruir os ficheiros de configuração modificados manualmente.

Tendência irritante esta de querer agradar ao utilizador desktop a qualquer custo, e sem qualquer respeito por quem se está nas tintas para o desktop e só quer administrar servidores da maneira que considera melhor e mais produtiva...

É por isso que uso Debian...

Big Crunch

No mundo do software existe uma clara tendência para adicionar funcionalidades sem pensar nas consequências, é o feature creep.

Esta tendência parece ser desencadeada pela necessidade de criar razões para os utilizadores fazerem upgrade, ou pela vontade de levar o software para o nível enterprise. Mas independentemente dos motivos, o resultado é sempre o mesmo: o software torna-se demasiado pesado e perde a utilidade. Pode dizer-se que cresce até se tornar insustentável, e colapsa.

Na realidade os utilizadores não querem mais funcionalidades, querem mais qualidade. Querem que o software faça aquilo para que foi desenhado, de uma forma progressivamente mais eficiente.

Um exemplo... Os web services começaram a ganhar popularidade pela simplicidade e atitude no frills. No entanto, seguindo aquela velha história «dado um martelo suficientemente grande todos os problemas parecem pregos», estão rapidamente a tornar-se numa espécie de CORBA... complexos, cheios de terminologia obtusa e funcionalidades duvidosas. A qualquer momento vai aparecer uma alternativa a prometer o mesmo que os web services prometiam no início, e o ciclo recomeçará.

Outro exemplo, o Apache... Durante anos, para a comunidade open-source, era como se não existisse mais nenhum servidor web. Curiosamente, agora que o Apache é uma solução madura, flexível, e rica em funcionalidades, é que as pessoas começam a levar cada vez mais a sério a ideia de usar alternativas mais leves, como o lighttpd. Pode não ser já amanhã, mas um dia destes o Apache também vai implodir.

Existe esta mania irritante de pensar que enterprise significa automaticamente complexidade e bloat... Enterprise significa ser fiável, servir para resolver os problemas, e não dar chatices. Em 90% dos casos as soluções mais simples conseguem preencher os três requisitos em simultâneo, para quê complicar?

Se calhar é mesmo só para a cagança... para poderem dizer que estão a desenvolver uma aplicação que vai correr num Appserver com EJBs*, WS-*, integrado numa arquitectura SOA, quando na verdade não passa de um site interno merdoso que podia perfeitamente ser desenvolvido em Python** ou PHP, sem complicações e com muito menos problemas no futuro.

Mas já estou a começar a divagar... E pensar que isto era para ser um post acerca de quanto o C++ é bloated, desnecessariamente complicado e globalmente feio...

* Eu sei, já estão démodé...
** BTW, o site do Python está com um novo visual há um mês, mas o mirror no LISA ainda tem o visual antigo. Ai ai estes mirrors portugueses... É por estas e por outras que a malta por cá continua a ignorá-los.

Gostas, gostas?!

O protocolo CIFS suporta fast-queries e slow-queries (seja lá o isso for). Acontece que o Samba, em versões anteriores à 3.0.21c, tem um bug que quebra as listagens de directorias com mais de 100 ficheiros quando utilizadas fast-queries.

Até aqui nenhum sistema operativo utilizava fast-queries, mas o Windows Vista usa-as por default. Como o Samba é muito popular, e especialmente devido ao seu uso generalizado em storage appliances (cujas actualizações dependem do fabricante estar disponível para lançar novas versões do firmware), isto cria um problema para a Microsoft, que tem de arranjar uma forma de lidar com este comportamento.

Qual é a moral da história aqui...?

A Microsoft não disponibiliza documentação decente sobre o CIFS, não participa nas reuniões onde se discutem questões relacionadas com a interoperabilidade entre as diferentes implementações, e faz modificações regulares ao protocolo sem qualquer aviso (sendo as fast-queries um exemplo). No entanto, verifica-se agora que também podem ser mordidos pelas próprias práticas anti-sociais.

Curioso também é ter sido um tipo qualquer de fora a chamar a atenção da equipa do Samba para este problema, e não a própria Microsoft (que certamente já sabe da sua existência há muito mais tempo). Isto diz muito da forma como a Microsoft encara a sua posição e as suas relações com o resto da indústria.

Agora vão ter de implementar um workaround para lidar com as versões mais antigas do Samba, se não quiserem que os utilizadores atribuam ao Windows Vista as culpas do mau funcionamento do equipamento que até aqui nunca deu problemas.

Deve ser interessante acordar do outro lado da cerca e descobrir que, afinal, a interoperabilidade é uma rua com dois sentidos...

Um abraço e uma facada...

There are hundreds of Microsoft millionaires (and even a few Microsoft billionaires) in the suburbs of Seattle. For the most part, these are people who no longer work for Microsoft, but still own company shares. They worked very hard for years and are now reaping the rewards of that work combined with their good luck. Most of them are proud of their careers, but a few are secretly ashamed.[...]

Um artigo interessante do Robert Cringely.