Só o cheiro é que é diferente...
Na segunda metade dos anos 90 dizia-se que a Internet não era só a web. Expressão curiosa essa, que mais do que uma reacção ao declínio da Usenet, implicava que a Internet era acima de tudo um meio de partilha de informação.
Mas a mudança estava a acontecer. Face ao crescimento do número de utilizadores e da quantidade de conteúdo, o significado de informação estava progressivamente a reduzir-se ao plano tecnológico. Com a massificação, "informação" passou a ser apenas o fluxo de bits e bytes. Hoje em dia o grosso dos conteúdos na Internet são tudo menos informação. São lixo.
Para a Internet passou tudo aquilo que a televisão tem de pior, agravado por uma cultura de superficialidade e consumo rápido. Os rumores e os mitos passam por notícias, os blogs passam por jornais, a publicidade está omnipresente e supera em volume o conteúdo efectivo. Os programas diabolizados por muitos na televisão são consumidos por essas mesmas pessoas na Internet: os vídeos dos velhos a perder a dentadura ou das noivas a tropeçar na Igreja, as aventuras e desventuras das celebridades ou os sound bites dos políticos.
As mesmas pessoas que dizem que a televisão estupidifica as massas lêem o reddit ou o Digg e vêem vídeos no YouTube. As mesmas pessoas que falam da publicidade exagerada na televisão têm os seus blogs pejados de anúncios. As mesmas pessoas que dizem que a televisão matou a interacção familiar, têm "amigos" no hi5 e interagem pelo Twitter.
No final da primeira década do século XXI, são as massas que estupidificam a Internet. Mas é a "web 2.0", e a isso chama-se progresso.
Todo este vitriol advém de duas tristes constatações que têm vindo lentamente a insinuar-se na minha mente:
E o que as torna realmente tristes é concluir que a tecnologia é incapaz de melhorar significativamente a sociedade, meramente dá aos seus vícios uma nova forma. Isto para um geek, é lixado...
Como este texto vai aparecer no PrintScreen junto a um artigo da Paula Simões (onde esta nos relata o espanto de um vendedor da Zon ao saber que não tem televisão), já sei que vai ser lido como uma resposta. Não é.
Mas a mudança estava a acontecer. Face ao crescimento do número de utilizadores e da quantidade de conteúdo, o significado de informação estava progressivamente a reduzir-se ao plano tecnológico. Com a massificação, "informação" passou a ser apenas o fluxo de bits e bytes. Hoje em dia o grosso dos conteúdos na Internet são tudo menos informação. São lixo.
Para a Internet passou tudo aquilo que a televisão tem de pior, agravado por uma cultura de superficialidade e consumo rápido. Os rumores e os mitos passam por notícias, os blogs passam por jornais, a publicidade está omnipresente e supera em volume o conteúdo efectivo. Os programas diabolizados por muitos na televisão são consumidos por essas mesmas pessoas na Internet: os vídeos dos velhos a perder a dentadura ou das noivas a tropeçar na Igreja, as aventuras e desventuras das celebridades ou os sound bites dos políticos.
As mesmas pessoas que dizem que a televisão estupidifica as massas lêem o reddit ou o Digg e vêem vídeos no YouTube. As mesmas pessoas que falam da publicidade exagerada na televisão têm os seus blogs pejados de anúncios. As mesmas pessoas que dizem que a televisão matou a interacção familiar, têm "amigos" no hi5 e interagem pelo Twitter.
No final da primeira década do século XXI, são as massas que estupidificam a Internet. Mas é a "web 2.0", e a isso chama-se progresso.
Todo este vitriol advém de duas tristes constatações que têm vindo lentamente a insinuar-se na minha mente:
- Nos anos 90 eu acedia à Internet uma vez por mês na loja da Telepac no Fórum Picoas, depois todos os dias na faculdade. Nessa altura a Internet era interessante e o computador ainda era uma máquina onde se fazia muita coisa. Hoje um computador sem Internet é um mono inútil.
- Meia hora a ver trampa na Internet deixa-me com uma sensação de tempo desperdiçado muito superior à sensação com que fico depois de ver um dia inteiro de séries na Fox, documentários de construção civil no Discovery, e debates sobre o caso Freeport na SIC Notícias.
E o que as torna realmente tristes é concluir que a tecnologia é incapaz de melhorar significativamente a sociedade, meramente dá aos seus vícios uma nova forma. Isto para um geek, é lixado...
Como este texto vai aparecer no PrintScreen junto a um artigo da Paula Simões (onde esta nos relata o espanto de um vendedor da Zon ao saber que não tem televisão), já sei que vai ser lido como uma resposta. Não é.

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